Natal – 18/05/2006 a 23/05/2006
E deixei a aprazível Aracaju debaixo de chuva. Vejam o que é a nossa malha aérea (e isso antes do apagão): de Aracaju para Natal, tive que pegar um vôo às 8:00 para Recife, com escala em Maceió, para uma conexão de três horas e embarcar para Natal, chegando às 14:30. Minha noiva, com quem eu iria me encontrar, saiu no mesmo dia do Rio às 11:00 e chegou em Natal às 14:00, antes de mim, portanto. Isso é que é logística.
Acabou que o pobre Fokker 50 turboélice da OceanAir (ex-TAM, o avião. Aposto que já andei nele quando ia para BH a serviço, anos atrás) não pôde pousar em Maceió, devido ao tempo ruim, e foi direto para Recife. Menos mal para mim, horrível para quem ia para Maceió.
E cheguei em Natal, encontrando minha noiva. Ficamos no Vip Praia Hotel, muito espaçoso e bem-decorado, com sala, quarto, cozinha kitchenette, em Ponta Negra. Jantamos no Funchal – o restaurante em forma de proa de barco, também no bairro.
No dia seguinte, uma clássica visita ao Cajueiro de Pirangi – para quem não sabe, uma anomalia genética fez com que um cajueiro, plantado em 1888, tivesse seus galhos crescendo para baixo, que fincam raízes e crescem de novo, repetindo o ciclo. Sua copa possui 8.400 m² e ocupa um quarteirão inteiro. Planeja-se atualmente construir um viaduto para que o tráfego da atual rua que fica entre ele e a praia não atrapalhe mais o seu crescimento. Aí o cajueiro será o maior ser vivo do mundo. Se não me engano, este título pertence a um campo de trufas na Escócia.
E o tempo não ajudava mais. Não foi possível o passeio de barco às piscinas naturais de Pirangi. Tampouco visitar o Forte dos Reis Magos. Jantamos nessa noite no tradicional Camarões, também em Ponta Negra.
No dia seguinte, o sol resolveu dar um alô. Fomos a Pipa, aturando as brincadeiras chatérrimas da guia no ônibus de turismo e o cameraman mais chato ainda querendo vender seu dvd da viagem a todo custo. É a famosa e paradoxal obrigação se se integrar, obrigação de se divertir. Pior que G.O. em Club Med. Ô raça!
Esta é a praia de Cacimbinhas e suas falésias.
Após o almoço no restaurante local e sua inesquecível piscina – fazer o quê, o cara vai à praia para curtir a piscina – uma passagem no Chapadão. Não confundir com Chapada Diamantina, por favor. O Chapadão é uma série de platôs em cima das falésias na Praia do Amor. Vai-se até lá num trator-jardineira, pego na vila de Pipa, igual aos que operavam em Morro de São Paulo até algum tempo atrás.
Acima, a Praia do Amor, e abaixo, o Chapadão em sua plenitude.
E quem não sabia a origem do nome “Pipa”, taí a razão: os portugueses, ao chegarem no local, encontraram esta formação que se assemelha a um barril de vinho (pipa) e tascaram o nome sem dó nem piedade.
Esta é a praia de Pipa – a verdadeira, que por sinal, não é muito bonita. Porém, há algo de interessante nela: o fundo desce bem suavemente até o ponto dos arrecifes, que ficam a uns 50 metros da linha d’água. Assim, na maré baixa, toda esta parte vira uma gigantesca poça, onde se pode deitar, passear, e com alguma atenção, ver a fauna dos pequenos corais que emergem. Eu, que ao chegar, achei feia a praia, acabei me divertindo durante um bom tempo. Tudo é uma questão de manter a mente aberta.
E aqui, a bela praia do Madero, de onde se podem ver golfinhos – que nunca aparecem nessas horas. Se eu não tivesse visto golfinhos em Florianópolis, poderia jurar que eles são, na verdade, um efeito especial criado por uma conspiração mundial do Discovery Channel / NGC / Fantástico / Globo Repórter.
No dia seguinte, Genipabu. De bugre. Já fui louco o suficiente para pedir “com emoção” nesses passeios. Hoje, que sou um homem sério, não faço mais essas coisas. Até andar sentado no banco traseiro já não mais me agrada…
Aqui, a lagoa de Genipabu. Logo abaixo, um dromedário de máscara cirúrgica para se proteger da gripe aviária.
E a clássica foto do coqueiro na praia de Genipabu, repetida ad nauseam por 102,8% das publicações e propagandas de turismo em Natal.
Mudando de lagoa, esta é a lagoa de Pirangi, bem gostosa de nadar e onde tem um bom bar-restaurante com mesas na beira d’água. Se você tem pernas cabeludas, como eu, os peixinhos vão adorar.
Visão de um bugre antes de fazer suas peripécias. Para minha surpresa, atualmente o parque das dunas está fechado aos passeios de bugre, que costumavam ser feitos à tarde pelas agências. Uns dizem que é para proteger a natureza (o que estaria certo), outros dizem que a taxa cobrada aos bugueiros ficou muito alta e eles estão boicotando, enfim. No more buggies for now, man.
No dia seguia, tínhamos agendado de ir até a Baía Formosa, onde entre outras, fica a praia do Sagi. Mas o tempo resolveu virar de manhã e o passeio foi cancelado. Mais tarde, o sol voltou de folga. Como não havíamos visitado o Forte dos Reis Magos, fomos por conta própria.
A fortaleza, construída em 1555, foi palco de inúmeras tomadas e retomadas por portugueses, franceses e holandeses, nos séculos primevos da história brasileira. Vale muito a pena visitá-la.
E, para fechar com chave de ouro esta expedição, no dia seguinte, antes do embarque, fomos almoçar no incomparável e inigualável Mangai, bufê de comida nordestina de raiz, da melhor qualidade, cuja matriz fica em João Pessoa. Pensei que a filial do RN fosse menor, mas é do mesmo tamanho e qualidade. São mais de 60 pratos em duas mesas de 20 metros, à escolha, como buchada de bode, baião de dois, suvaco de cobra (carne de sol desfiada com milho e paçoca), etc. Se eu fosse milionário, iria todo final de semana com meu jatinho até João Pessoa ou Natal só para comer lá. Vou perguntar se tem delivery para Niterói…
Enfim, depois de 24 dias na estrada (e no ar), conhecendo lugares os mais variados possíveis, considero o balanço final totalmente positivo. Muitas experiências, muitas pessoas, muitos lugares, uma grande salada cultural-antropológica-geográfica. Até estranhei minha casa, ao chegar. Parecia diferente…
Outra como essa, só quando eu juntar mais verba!
Novembro 30, 2007 às 1:52 pm
Natal…
The best place of the universe…
Very, Very good.
Walter Michael Kann, London
Dezembro 1, 2007 às 8:21 pm
Thank you, Walter!
Maio 28, 2008 às 6:06 pm
Oi, Arthur… adorei seu post sobre Natal! Eu escrevo para o blog da Stella Barros, não sei se vc já entrou por lá… queria saber se posso dar umas “surrupiadas” nas suas dicas, dando o crédito, lógico! Me avisa?
Abraços
Julho 14, 2008 às 4:01 pm
[...] No post original possvel conferir as fotos do Arthur, que do outro colorido narrativa! [...]
Maio 31, 2009 às 7:30 pm
Queridos leitores, observem:
“Enviado em 31/05/2009 às 13:05
Nelson Marques disse:
Veja na Wikipédia: Correto é Buggy, não Bugre. Corrija.”
Nelson Marques
Normalmente, eu apenas deletaria a sua infantil grosseria, como faço com alguns outros que aparecem por aqui de vez em quando. Mas hoje estou caridoso e vou lhe dar um pouco da atenção que você desesperadamente deseja na sua vidinha carente:
1- Você não sabe as expressões mais básicas do convívio humano, como “por favor”, “desculpe”, “com licença”, “sugiro que…”, “obrigado” e outras;
2- Como você não recebeu educação de sua família ou já a esqueceu, compre um livro de etiqueta e bons modos. Eu poderia sugerir alguns, mas vou deixar que você tenha o trabalho de procurar;
3- Vá para um hospital e isole-se imediatamente. Você apresenta os sintomas da gripe suína, já que é um espírito de porco. Tenha responsabilidade, trate-se e evite a propagação da doença.
Arthur