POIS aconteceu que o meu velhíssimo Pentium II 333 Mhz de 1998 – o qual, na verdade, começou sua carreira como 486 em 1995 – morreu há uns três anos e se esqueceram de avisá-lo. Sendo assim, uma nova licitação se fazia necessária.
POIS aconteceu que há dois meses, o vencedor da licitação foi um moderníssimo Dual Core 2,8 Ghz, com 512 GB de RAM, DVD-ROM RW, leitor de cartões de memória, monitor LCD 17”, teclado multimídia, 80 GB HD, mouse ótico e outros parangolés que não vêm ao caso.
POIS aconteceu que, empolgado com a macchina, instalei jogos da época do meu antigo micro, que não rodavam direito por este estar ultrapassado, como Half-Life, Unreal, Need for Speed Porsche 2000, etc.
POIS aconteceu que já fazia anos que não sentia sequer o cheiro de um videogame – nem uma gota, como dizem os AA.
POIS aconteceu que fascinado fiquei – “Uau, rodam perfeitamente na maior resolução, com todos os detalhes, legal!!!”.
POIS aconteceu que mais e mais eu quis – e fui comprar um jogo atual – Half-Life 2.
POIS aconteceu que este jogo atual mal e mal roda no meu micro – cada passo do personagem demora uma eternidade, devido ao peso dos gráficos – a placa de vídeo é integrada (pffff).
POIS aconteceu que, com dois meses de uso, quis fazer um upgrade e fui pesquisar qual seria uma boa placa de vídeo, dentre as zilhões de opções existentes em zilhões de sites informáticos.
POIS aconteceu que fui comentar o tema com amigos, e eles disseram: “Você vai instalar uma placa de vídeo potente? Então você vai precisar de uma nova fonte elétrica”. “Com essa nova fonte, você vai precisar de uma ventoinha, vai esquentar muito”. “Sua placa-mãe não tem slot PCI-Express, só AGP? Porque você não troca a placa-mãe?”.
POIS aconteceu que, à essa altura, vi que já havia ingressado no Primeiro Círculo do Inferno – O Círculo dos Upgrades Malditos, um processo sem fim que o açoita por toda a eternidade, exigindo mais e mais e mais e mais.
POIS aconteceu que me vi procurando informações desesperadamente em todas as mídias, em todos os SAC, em todas as lojas, cotando todos os preços e fazendo loucas comparações de performance que aumentam ainda mais as dúvidas.
POIS aconteceu que, se até uma semana atrás achava o meu micro lindo, belo e maravilhoso, agora já não o acho mais, tadinho.
POIS aconteceu então que vi que o budismo tem razão: o verdadeiro nirvana é não ter nada, não desejar nada.
IGNORÂNCIA é felicidade.


Abril 1, 2007 às 12:36 pm
Arthur, Arthur, sabedoria é evitar o primeiro gole…
Abril 3, 2007 às 7:17 pm
Muito bom o texto!! Morri de rir!!
Abs!
Abril 3, 2007 às 7:29 pm
Venda tudo e more num barril. Felicidade garantida.
Abril 3, 2007 às 11:12 pm
Diógenes, o preço do barril está pela hora da morte.
Abraços
Abril 20, 2007 às 11:45 am
Adorei o texto!
Abril 20, 2007 às 12:10 pm
Mô Gribel, concordo plenamente! Abs
Abril 23, 2007 às 11:38 pm
[...] (É, rolou o upgrade…) [...]
Junho 1, 2008 às 12:15 am
[...] e Sillustani Após o precoce e traiçoeiro falecimento da minha placa de vídeo – aqueeeela, tão bem desejada, aguardada e comprada no ano passado – que me deixou ausente da internet aqui em casa durante longos quatro dias (já disse que não [...]