Machu Picchu em dobro

2- Machu Picchu, 2.400 metros de altitude…

E, no segundo dia em Cusco, eis-me às 6 da manhã, sob um frio de rachar, embarcando no trem em direção a Aguas Calientes - ou Machu Picchu Pueblo, nome atual da cidadezinha, mas que pelo jeito, não vai pegar. O serviço de trens entre as duas cidades é explorado pela PeruRail, empresa que foi privatizada e atualmente pertence ao grupo Orient Express. Existem três categorias de trens: o Backpacker (mochileiro), mais simples, com assentos tipo ônibus-leito, o Vistadome, no qual eu fui, com janelas panorâmicas no teto e assentos frente-a-frente com uma mesinha no meio para o serviço de bordo, e, numa categoria olimpicamente superior e bem distante do comum dos mortais, o Hiram Bingham, luxuosíssima composição com todos os badulaques possíveis e imagináveis. Quem não for por intermédio de uma agência de viagens deve reservar o seu bilhete no site já mencionado da PeruRail. A Carla já deu o passo-a-passo para os procedimentos.

Vista externa…

… e interna do Vistadome.

Após quatro horas de viagem, enfim se chega a Aguas-Calientes-Machu-Picchu-Pueblo-etc. Atravessando a estação de trem e a feira de artesanato do seu interior, chega-se ao ponto dos micro-ônibus que fazem o percurso da cidade à entrada de Machu Picchu, subindo uma estradinha cheia de curvas até o topo. Os micro-ônibus funcionam no esquema de lotação: quando enche um, os turistas na fila embarcam no próximo, que já está ali aguardando.

Durante a subida, é possível apreciar o vale e as montanhas.

E enfim se chega ao ponto de entrada. Tudo muito organizado, com um hotel que é o único no parque - o Machu Picchu Sanctuary Lodge (e um buffet de almoço de US$ 50,00…), cancelas eletrônicas, guarda-volumes, lojas de peles de alpaca e, fiquei sabendo depois, pois ninguém me perguntou nada e nem me ofereceu - um carimbo de Machu Picchu no passaporte. Vou ter que voltar lá para reparar essa falha…

A partir de agora, as fotos referem-se aos dois dias que estive lá - daí o título do post. Isto porque no primeiro dia fui com guia e depois pernoitei no hotel Hatuchay Tower. No segundo dia, fui com mais calma, por conta própria - e devo admitir que sem guia foi bem melhor…

A partir do momento que você cruza a cancela, Machu Picchu ainda não se revelou. O caminho segue ladeando um paredão de rocha até uma curva, onde finalmente a cidade se descortina aos seus olhos. Interessante que a topografia do lugar quis que o suspense se mantivesse até o último minuto.

Sendo assim, a primeira imagem que você verá de Machu Picchu é:

E depois as clássicas visões que aparecem em n mídias.

Depósitos de produtos agrícolas - “qolqas”

 

O elaborado sistema de aquedutos, na foto abaixo.

A Torre do Sol - um observatório astronômico.

A pedra Intihuatana, onde o sol se projeta diretamente, sem sombras, ao meio-dia de 21/03 e de 21/09, ou seja, nos dois equinócios. Claro que era considerada sagrada e centro de cultos pelos incas.

A pedra do puma, que aponta para o norte magnético.

É interessante lembrarmos que Machu Picchu (velha montanha) é o nome da formação rochosa. O verdadeiro nome da cidade, ninguém nunca soube qual era.

Abaixo, a entrada para Wayna Picchu (nova montanha), de onde se tem uma visão panorâmica de Machu Picchu. São permitidas apenas 400 pessoas por vez nessa montanha. Eu não fui, mas bati essa foto só para tirar uma onda que fui…

Templo das Três Janelas.

Templo do Condor.

Atuais habitantes de Machu Picchu:

     

E um bem fofo, a vizcaya, parente do coelho. Isso com arroz e batatas deve ser uma delícia…

Mais algumas impressões de Machu Picchu:

 

Breve história de Machu Picchu (da Wikipedia):

Foi construída no século XV, sob as ordens de Pachacuti, primeiro imperador inca. Consiste de duas grandes áreas: a agrícola formada principalmente por terraços e recintos de armazenagem de alimentos; e a outra urbana, na qual se destaca a zona sagrada com templos, praças e mausoléus reais.

Há diversas teorias sobre a função de Machu Picchu, porém a mais aceita afirma que foi um assentamento construído com o objetivo de supervisionar a economia das regiões conquistadas e com o propósito secreto de refugiar o soberano Inca e seu séquito mais próximo, no caso de ataque.

Foi o professor norte-americano Hiram Bingham quem, à frente de uma expedição da Universidade de Yale, redescobriu e apresentou ao mundo Machu Picchu em 24 de julho de 1911.

Após estas explorações arqueológicas, tive o prazer de almoçar meu primeiro prato de carne de alpaca, no restaurante La Fortaleza, em Aguas Calientes, com abacates, batata frita e um condor esculpido em cenoura. Confesso que não gostei muito; pareceu-me mais carne de boi de segunda. Ou talvez o cozinheiro não estivesse num bom dia…

E este é o quarto do Hatuchay, onde pernoitei entre uma visita e outra a Machu Picchu. É um pouco antigo, mas bem confortável.

Já com bastante Machu Picchu na cabeça e na câmera, voltei a Cusco no trem das 15:30. Não era o do Adoniran Barbosa.

A seguir: Puno, Uros, Sillustani e Ilha do Sol

11 Respostas para “Machu Picchu em dobro”

  1. Emília Disse:

    Arthur, que bacana ver esse blog ativo de novo! E com uma das minhas viagens preferidas! Lindas fotos, estou curiosa com o seu relato do Titicaca :-D

  2. Arthur Disse:

    Oi Emilia, obrigado!!! Só tenho medo porque está demorando cada vez mais a carregar a página, de tanta foto!!!!
    Ah, e dei uma passada no lodge que vc se hospedou numa das ilhas flutuantes… Admiro seu desprendimento dos confortos materiais :D

  3. Emília Disse:

    (muitos risos)…Você sabe que até eu me admirei? E olha que não passei desconforto, não…dormi a noite inteira e quentinha :-D

  4. Camila Disse:

    Também lembrei da Emília em Uros e pensei o mesmo que você, Arthur! :-D

    Que inveja do “seu” céu em Machu Picchu!!! O meu dia começou com chuva e a neblina era tanta que eu não sabia nem pra que lado estava Wayna Picchu. Mas depois melhorou e deu pra tirar muitas fotos. Mas sem sol!

    Pelo preço que se paga pra entrar em Machu Picchu eu não achei tão organizado assim… Achei que lá dentro falta muita informação. Pelo menos um mapinha do tipo “você está aqui”. E banheiros! Eu que não vi ou realmente não há banheiro do lado de dentro????

  5. Arthur Disse:

    Camila, que pena que vc pegou neblina… Quanto à organização, fiquei realmente revoltado com o tal carimbo de Machu Picchu no passaporte. Olha que eu fui lá duas vezes e ninguém me avisou!!!
    Mas não há banheiro lá dentro não.

  6. Carmen Disse:

    Maravillosas fotos, Arthur!.

    A cidade de Machu Picchu é espectacular por seu ambiente e também por issa arquitetura particular. Issas construçãos arquitetônicas com grandes pedras retangulares são um prodígio do geometria espacial.
    Eu gosto muito do seu post e uma boa guia do turismo pra conhecer o Machu Picchu.
    Parabéns

  7. Arthur Disse:

    Carmen, mais uma vez, gracias! Que bom que gostou.

  8. mauricio Disse:

    Artur, como eh o procedimento para ficar dois dias em MP? vc compra ingresso na hora para cada dia?
    reserva o trem para voltar a Cusco antes?
    tem variedades de hotel em MP para pernoitar?
    obrigado

  9. Arthur Disse:

    Mauricio, eu já estava com dois ingressos, tanto para a entrada como para os ônibus nos dois dias. E a passagem do trem deve ser reservada antes. Eu fiquei no Hatuchay Tower, veja o site http://www.go2peru.com
    Abraços!

  10. Stella Disse:

    Olá Arthur! Acabei de voltar de lá e também não peguei carimbo. Só fiquei sabendo porque conheci uma brasileira n aeroprto em Lima e ela me mostrou. Fiquei chateada, pois pesquisei bastante sobre tudo antes de ir ao Peru e em nenhum guia ou site havia a informação sobre o carimbo. Também quero voltar!!!!!

  11. Arthur Disse:

    Pois é, Stella, o carimbo, por alguma razão, não é divulgado… Abraços!

Deixe um comentário