Rio da Prata

Novembro 25, 2008

(Não é o estuário-divisa entre Argentina e Uruguai, pelo amor de Deus…)

Uma coisa é certa: se você curte mergulho, de garrafa ou snorkel, você tem mais um motivo para ir correndo a Bonito. A transparência das águas, causada pelo alto índice de calcário que aglutina impurezas, a variedade e quantidade de peixes de água doce – inclusive alguns que você tem aí no seu aquário -, e a flora subaquática compõem um cenário dos mais belos já vistos.

Atrevo-me a dizer que inclusive é mais agradável mergulhar em Bonito do que em Fernando de Noronha, Arraial, etc. Por que? Porque em Bonito, toda a beleza revela-se com um simples snorkel aos seus olhos – tudo já está ali, na sua frente, deleitando sua mente e seus sentidos. Além do que, as flutuações começam nas nascentes dos rios e vão descendo, ou seja, é só aproveitar a correnteza. É como se você estivesse voando por aquele cenário maravilhoso.

Já em mar aberto, para apreciar toda a beleza de um recife de coral, é necessário um mergulho de cilindro – com o snorkel, você só vai ver os peixes que mais se aproximam da superfície. E muita gente ou tem medo de mergulhar de cilindro, ou ainda não fez o curso, ou está / tem algum problema de saúde que a impede de praticar a atividade – eu, por exemplo, estava gripado e com sinusite em Fernando de Noronha, então necas de mergulho de cilindro. Além disso, em mar aberto, você tem que se estabilizar constantemente contra as ondas e correntezas, o que cansa muito mais. Por isso eu fico com Bonito.

O Rio da Prata é, certamente, a mais bela flutuação a se fazer em Bonito. Na verdade, o passeio começa na nascente do rio Olho d’água – que fica em Jardim, município vizinho a Bonito.

Aliás, muitas das atrações de Bonito, como o Buraco das Araras, ficam em Jardim, o que leva a um certo mal-estar entre as duas cidades, pois Bonito levou toda a fama (corre uma piada em Bonito onde quem nasce em Bonito é bonito, e quem nasce em Jardim é jardineiro…). É igual à disputa entre Teresópolis e Magé para saber onde fica realmente o pico Dedo de Deus, reivindicado pelas duas cidades – embora Teresópolis também tenha se dado bem na história.

Após meia hora por uma estrada de terra, chega-se à propriedade receptiva do passeio, onde ser-lhe-ão fornecidos os equipamentos necessários – neoprene semi long john (só as mangas compridas), máscara, botinhas impermeáveis e o snorkel. Para o míope aqui, uma caixinha para guardar o óculos dentro do neoprene sem quebrar ou perder. Estes equipamentos já estão incluídos no preço do passeio.

(Também se assina uma ficha contendo nome, idade, pessoa de contato, nome do plano de saúde, etc. – o famoso disclaimer, ou tirar-da-reta-caso-algum-de-vocês-parta-desta-para-a-melhor-por-bater-com-a-cabeça-num-tronco-e-se-afogar)…

Embarca-se então num caminhão pau-de-arara da fazenda até o início da trilha.

Após uma trilha de uns 40 minutos (daí as botas impermeáveis), passando por exemplares da fauna e flora locais, devidamente identificados por tabuletas, chega-se à nascente do Olho d’água. Enfim!

Como em 2004, fui o primeiro a entrar. É FASCINANTE ver os cardumes de piraputangas, corimbatás e outros peixes reunidos na nascente. Uma das mais belas e relaxantes paisagens que você vai ver na vida. Já disse em outros posts que as mídias, quaisquer que sejam elas (fotos, filmes), não irão jamais reproduzir fielmente a realidade de certos lugares, principalmente no que tange à beleza e ao deslumbramento. Este é um desses casos.

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Este aí em cima é o já falado corimbatá.

(Aliás, piraputangas e corimbatás estão para Bonito como o sargentinho está para nossos recifes tropicais…)

Este aí embaixo sou eu, mesmo. ;)

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Após uma pequena aula de como flutuar sem atrapalhar o colega (que poucos aprendem), começa-se a descer o rio.

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Acima, um pacu e um piau. Abaixo, uma solitária piraputanga.

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E um cardume delas, abaixo.

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Num certo momento, o passeio é interrompido por uma corda e um tronco atravessados no rio, já que há uma corredeira logo à frente. Volta-se então a percorrer uma pequena trilha e a mergulhar de novo no rio, após a corredeira. Neste momento, é preciso ter um certo cuidado pois a correnteza fica mais veloz nesse trecho e há pedras e troncos no caminho, a serem desviados com algum jogo de cintura.

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Após algum tempo, chega-se a um ponto onde se pode observar o fenômeno da ressurgência – fontes subterrâneas de água que brotam no leito do rio, parecendo vulcõezinhos. Interessante notar que os seixos até ficam agrupados em círculos em torno delas.

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Neste ponto o Olho d’água já se juntou ao Prata, o que se nota pela temperatura da água, que cai um pouco, e também porque as águas vão ficando mais escuras.

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Um dourado em todo o seu esplendor. Um colega contou ter visto um dourado abocanhar uma piraputanga pelo meio e lutar com outros peixes que vieram pegar seus pedaços, até que ele conseguisse engoli-la. Taí algo que eu queria ter visto (e fotografado)…

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E, enfim, o último deck onde termina o passeio. Tudo que é bom acaba…

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Daí, trocamos de roupa e fomos no mesmo pau-de-arara até a fazenda, onde nos esperava um almoço típico, também incluído no preço. Às 14:00 da tarde e depois de tudo isso, caiu muito bem.

E mais uma vez despedi-me do Rio da Prata (ou seria de Ouro?)

Com relação as fotos, aluguei uma câmera digital já com a caixa estanque, numa loja em Bonito, na Cel. Pilad Rebuá. Os hotéis também alugam digitais subaquáticas. Consegui alugar por R$ 30,00 a diária, já incluídos a gravação no CD, que também vem com imagens profissionais de Bonito de brinde. Isso porque era baixa temporada, pois me falaram que na alta, o aluguel chega a R$ 75,00 por dia!!!

Não mude de canal e continue com a gente.


You´re beautiful…

Novembro 18, 2008

You’re beautiful. You’re beautiful.
You’re beautiful, it’s true.
I saw your face in a crowded place,
And I don’t know what to do,
‘Cause I’ll never be with you.

(James Blunt)

Pois é, essa é a segunda vez que vou a Bonito. Como a primeira foi em 2004 e minhas fotos eram “analógicas”, ou seja, de filme, achei que ir a Bonito de novo com minha digital seria mais fácil que escanear as antigas para fazer um post sobre este lindo lugar :D

O problema desses lugares tidos como “desestressantes” para se visitar, como Bonito, Fernando de Noronha, Machu Picchu, etc, é que eles são tão estressantes de se ir que você já fica com débito de stress ao chegar – acordar 5:30 para ir ao aeroporto, esperar pelo vôo às 8:00, depois encarar quase quatro horas de carro até Bonito (não, os aviões de carreira ainda não pousam em Bonito, embora isso ja estivesse prometido desde 2004), depois passar na agência do receptivo para organizar e pagar os passeios opcionais – desde que fui a primeira vez, sempre quis voltar com a idéia fixa de SÓ fazer flutuação – e foi o que fiz – e finalmente chegar no hotel às 15:30 (16:30 no RJ – o fuso horário de MS, que também está em horário de verão, é de uma hora a menos).

Por falar em passeios, não dá para se virar sozinho em Bonito – todas as propriedades onde se localizam as atrações são particulares, com visitações de grupos de no máximo 8 pessoas - número regulado pelo IBAMA - e obrigatoriamente liderados por um guia profissional e credenciado. Então não dá para ir sozinho no seu carro na hora que vc quiser; tem que ser por pacote mesmo, que pode ser adquirido na sua cidade, já incluído o aéreo e o traslado Campo Grande – Bonito. Ou então adquirir os passeios numa das várias agências de receptivo locais. Pesquise em http://www.portalbonito.com.br

Isto faz com que a média dos passeios acebe sendo cara, em torno de R$ 100,00 a R$ 140,00, principalmente quando comparamos aos baratíssimos passeios do Nordeste. Mas acredite: vale totalmente a pena. Não morra antes de conhecer Bonito.

Hospedei-me no Hotel Pirá Miúna, de arquitetura bonita e bem confortável, próximo a R. Cel. Pilad Rebuá. Aliás, essa é uma dica de hospedagem: fique em hotéis ou pousadas próximos a Cel. Pilad Rebuá, que é a rua principal da cidade e onde estão as lojas, cybercafés, restaurantes, etc.

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A título de curiosidade, em 2004 hospedei-me no Hotel Refúgio, mais simples, mas também confortável e na mesma rua do Pirá Miúna (R. N. Sra. da Penha). Uma nota triste: o hotel era administrado por um casal muito simpático, porém fiquei sabendo pelo motorista do transfer que o dono faleceu há uns três anos atrás num acidente de buggy. Agora o hotel continua sendo tocado pela viúva.

Durante um pé d’água fenomenal que se abateu na cidade no final da tarde até à noite, fui jantar no Cantinho do Peixe – R. 31 de março, 1918, tel (67) 3255-3381, aos domingos só até as 15:00 hs.- um delicioso pintado ao molho de urucum. O filé do peixe é marinado e temperado e depois gratinado com muzzarela, servido com pirão e arroz. O lugar é bem simples (e já foi mais, com mesas e cadeiras dobráveis de metal de marca de cerveja, nos idos de 2004).

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Algo que notei nesses dias em Bonito (4 a 8 de novembro – 2008) foi que havia muito mais turistas e mochileiros nas ruas à noite, em junho de 2004 – e era considerado baixa temporada. Nesta viagem, não havia quase ninguém nas ruas. Na primeira noite, pensei que fosse por causa da chuva e porque fui jantar às 19:00; na segunda noite, fui jantar às 21:00 e mesmo assim, tudo vazio… Esta então, deve ser a temporada abaixo de zero. Disseram que começa a encher no final de novembro.

No dia seguinte, o aguardado passeio no Rio da Prata, que foi o que me conquistou definitivamente na minha primeira vez em Bonito, e dessa vez com direito a uma passagem pelo Buraco das Araras, antes de seguirmos para o Prata.

Pensava-se que o Buraco das Araras fosse o resultado da queda de um meteoro, mas os cientistas chegaram à conclusão de que trata-se de uma formação conhecida como dolina, uma depressão no solo formada pela dissolução de rochas calcárias abaixo da superfície. Ali as araras e outros pássaros fazem seus ninhos e convivem em (quase) perfeita harmonia.

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E as araras já começam a dar o ar da graça.

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Acima, o abacaxizinho – na Chapada Diamantina é conhecido como “raio de sol”. A fruta é comestível.

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O grande vôo da arara.

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E mais uns amigos alados.

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Mais uma arara em close

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…e vamos fazer o seguinte: percebi que ao tirar fotos do Buraco das Araras, elas não davam a ideal tradução 3D-2D da dimensão do lugar numa reles tela de computador. Então fiz um pequeno vídeo, com direito a um mergulho no fundo do Buraco. ENJOY!

PS: por algum motivo e/ou algum bug deste WordPress que esgotou todas as minhas vastas capacidades informatas, e embora esteja seguindo à risca as instruções para inserir vídeos, foi um inferno para tentar inserir este vídeo do Youtube desde 21:00 da noite de ontem (18/11) e não consegui. Assim, às 00:09 da madrugada, resolvi dar o link do vídeo. AARRRRRRRGHHH! (não disse que esses lugares desestressantes estressam?)

PS 2: Atualização de 19/11: mais um dia quebrando a cabeça e não consegui. Potanto, o link continua em azul, aí em cima.