Piratas do Caribe – Parte 4

Maio 30, 2009

 

LEITOR RESMUNGÃO: Que trilogia é essa que tem 4 partes?

BLOGUEIRO MAIS RESMUNGÃO AINDA: Primeiro, quem disse que iria ser uma trilogia? Segundo, tudo indica que será, no mínimo, uma enealogia…

Lembrando que Cartagena de Indias faz parte da Costa Caribenha, há bons passeios para se fazer por lá e ser introduzido (no bom sentido) nas belíssimas águas do Caribe. O mais conhecido é o passeio até o Arquipélago de Las Islas Del Rosário, a uns 40 km a sudoeste de Cartagena (aprox. uma hora de viagem numa lancha rápida), composto de trinta ilhas de diversos tamanhos formadas por corais, mas todas com a presença humana - quer dizer, pelo menos uma casinha você encontra nelas. Devido à riqueza da flora e fauna marinhas, trata-se de um parque nacional colombiano, com o nome oficial de Parque Natural Corales del Rosario e San Bernardo.

O receptivo (Gema Tours) me ofereceu passeios a uma das três ilhas principais: Isla del Pirata, Isla de San Pedro de Majagua e Isla del Sol – estes passeios duram o dia inteiro, e só se visita uma das ilhas. Confesso que, completamente perdido, usei a teoria dos jogos com uma pitada randômico-aleatória, ou seja, chute. Pareceu-me mais interessante a Isla del Sol (não confundir com a ilha de mesmo nome no Lago Titicaca…), pelo que vi nas fotos do folheto. Preço: 105.000 pesos colombianos.

E gostei! O passeio inclui transfer do hotel até à marina, transporte de lancha rápida ida e volta, almoço, guia para o snorkel e, perdão, confesso que não lembro se incluía o equipamento (máscara, snorkel e pés-de-pato). De qualquer forma, se não incluía, era barato. Para eu não me lembrar, é porque ou foi de graça ou era pouco…

Não inclui a entrada na marina (4.700 pesos) nem o ingresso ao parque natural (5.700 pesos). Notaram que dá exatamente 10.000 pesos? Também não inclui passeios opcionais na ilha.

E também não inclui o transfer de volta ao hotel. Pegue um táxi (5.000 pesos). Achei até melhor tomar um táxi do que voltar a entrar numa van e esperar “devolver” todo mundo aos seus hotéis – em qualquer lugar que eu esteja, sou sempre o último, não sei porque – ainda mais no fim do passeio, quando todo mundo já está cansado.

Chegando à marina, enfim encontro o Pérola Negra, abaixo. Mas a tripulação estava em greve. Consta inclusive que, há 50 anos atrás, devido aos péssimos serviços prestados, ao aumento da passagem e às constantes greves, a população colombo-caribenha-niteroiense se revoltou e quebrou tudo, num conflito que durou dois dias. O sagaz, intrépido, ousado e escalafobético Capitão Jack Sparrow fugiu, vestido de mulher, estrategema bem do seu feitio. Depois, tudo foi reconstruído, e hoje continua a mesma coisa. Mas isso é uma outra história…

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Durante a viagem, já se vêem algumas das ilhas do arquipélago, transformadas em casas de veraneio.

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E enfim chegamos à Isla del Sol, onde há uma pousadinha simpática que faz o papel de receptivo (quem é mesmo que não gosta de cadeiras de plástico?) :mrgreen:

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(ATUALIZAÇÃO: o nome da pousada é Hotel Isla del Sol, mas após 18 dias procurando obsessivamente na internet um site ou telefone de contato, não encontrei. Ficarei devendo. Ponham na conta do Papa. Ou, sugestão – quem quiser hospedar-se nessa ou em outras pousadas das outras ilhas, faria bem em contatar um receptivo em Cartagena para providenciar a reserva e o traslado.)

Abaixo, um pescador local mostra o resultado do seu trabalho – duas boas lagostas. Mas não foram para o nosso bico, infelizmente…

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Depois dos trâmites burocráticos necessários para o snorkel (“qual o tamanho do seu pé?”, “Qual seu nome?”, “Se morrer afogado, infartado, ferroado por uma arraia ou degustado por um tubarão, a quem devemos comunicar?” e etc.), enfim mergulhei naquelas águas transparentes há muito aguardadas.

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Dependendo da sua pele, lembre-se que você está nos trópicos ao sol do meio-dia; use um protetor solar à prova d’água FPS 45, no mínimo. Eu comprei um frasco pequeno, no Brasil, devido às malditas restrições de líquidos em bagagem, e o filtro era FPS 30 e não era à prova d’água. Resultado desse dia: costas de camarão. Depois comprei um FPS 60 em Cartagena. Ao ler a bula, vejo: “Hecho en Brasil”… Só de raiva.

Como nada-se bastante, a mesma lancha que fez o transporte fica por perto para apoio. Os recifes são lindos e imensos, com várias formas de vida marinha. Qualquer lado que você olhar, qualquer lado que você se dirigir, você vai encontrar algo belo e interessante. Mas não se afaste muito do guia!

(ATUALIZAÇÃO: devido a confusões do PICASA, substituí a foto editada abaixo, que estava aparecendo com o céu rosado, pela foto original. Céu rosado agora, só em Marte.)

(ATUALIZAÇÃO 2: atendendo a pedidos, voltamos com a foto editada, que caiu no gosto do povo, como se pode ver nos comentários. Agora vocês podem curtir as duas: a normal e a expressionista pós-andy warholiana…)

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Uma ressalva: como minha câmera não é submarina e não encontrei lojas que alugassem digitais com caixa estanque, todas as fotos abaixo (salvo dito em contrário) são do CD-ROM da Aquanautas, empresa turística de escafandros em San Andrés (falaremos disso depois), que fotografa e grava mergulhos e oferece junto um banco de imagens da fauna marítima caribenha. Para ser honesto comigo mesmo e com os distintos leitores, só inseri imagens do que eu realmente vi durante os vários mergulhos que fiz na Colômbia. Por exemplo, no mencionado CD, há uma foto de um cavalo-marinho, mas como eu não vi nenhum cavalo-marinho, não coloquei no post. Entenderam? Então vamos lá.

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Anêmona (Condylactis Gigantea).

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Peixe-Anjo – ou Frade-real, no Brasil.

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Peixe-Frade.

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Mais um Frade-Real dando umas beliscadas – lunch time.

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Casal de Frades.

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Peixe Baliste – ou Cângulo, no Brasil.

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Chopas (espanhol) – Spondyliosoma cantharus (ATUALIZAÇÃO: achei o nome brasileiro – Pirajica!)

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Cardume de Peixes- Cirurgiões.

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Coral com Frades e Cirurgiões.

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Coral com Xiras, Peixes-Borboleta, Cirurgiões e outros.

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Coral-Dedo.

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Esponja do mar.

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Ouriço-negro no seu habitat natural, um coral - cuidado ao passear em corais… Mesmo se o coral estiver morto, use sapatilhas aquáticas, sandálias papete ou outra proteção, senão você vai se ferrar literalmente.

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Peixe-Papagaio (pela cor, deveria se chamar peixe-arara…)

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Estrelas-do-mar.

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Peixe-Flauta.

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E, last but not least, o onipresente Sargentinho. Se você já fez snorkel no Brasil, já o conhece de outros carnavais (foto: Mayra Costa – www.flick.com).

Após o snorkel de uma hora e um breve mergulho na piscina da pousada, o almoço. Por sinal, muito bom para “almoços incluídos” – sopa de peixe de entrada, posta frita de pargo, arroz de coco, salada e o patacón: pedaços de banana-da-terra (ou banana-pacova, no Norte e Nordeste), cortados em fatias grossas, fritos em óleo ou azeite por um curto tempo e depois amassados com um murro numa frigideira por cima (ou um prato), quando voltam a fritar definitivamente, levando um pouco de sal. Não tem batatas ao murro? Então, tem bananas ao murro aqui. É gostoso e parece um biscoito, um cookie. Acompanha tudo na Colômbia: peixe, frango, boi, porco, café da manhã, etc. OBS.: Não confunda com as bananas-chips que são fritas e vendidas em Manaus e Belém; estas são cortadas bem finininhas e bem salgadas, como se fossem batatas fritas.

Sabem o Guaraná Jesus do Maranhão (rosa) e a Inka Cola no Peru (amarela)? A Colômbia também tem seu refrigerante nacional, o Postobón (também rosa e com o mesmo gosto dos outros dois). Aproveite.

Após o lauto almoço (e com o resto do buffet sendo atacado por uma horda de marias-mulatas), foram oferecidos dois passeios opcionais: um show de golfinhos – muito “Miami” para mim – e um passeio pelos manguezais de duas lagunas interligadas da ilha. Evidentemente, fui neste último (16.000 pesos).

Após uma caminhada, chegamos, eu e o barqueiro, ao ancoradouro (eufemismo – é só o barco a remo amarrado numa pedra) e fomos ao momento “Globo Repórter”.

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Como se sabe, os manguezais são essenciais para o equilíbrio do ecossistema marinho: as raízes de suas árvores funcionam como berçários de peixes e outros seres do mar, protegendo-os de predadores até que eles estejam aptos à dura vida lá fora. Até corais rosados se formam nestes manguezais.

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Chega-se a uma pequena laguna…

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…e logo se atravessa o caminho para a outra, um pouco maior. Segundo o barqueiro, alguns casais passeiam por aqui à noite, pois a laguna fica repleta de plâncton bioluminescente. Ou seja, basta mergulhar e você sairá brilhando d’água. Muito erótico.

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Esta ilhota marca a “foz” da laguna com o mar.

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E lá vai o turista chato aporrinhar uma estrela do mar e uma água-viva que estavam tranquilamente vivendo sua vida…

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OBS.: todas foram devolvidas ao mar, sem serem molestadas. Nenhum animal foi morto ou ferido na elaboração deste post.

Inveja dessa casinha. Claro, que, se eu a adquirisse, iria instalar luz elétrica, água corrente, hidromassagem, ar-condicionado, TV LCD 50”, frigobar, churrasqueira, heliporto, marina e garagem para três carros. Hum, pensando bem, acho que iria destoar do ambiente. Esquece.

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Na caminhada de volta, passando pelo povoado da ilha. Gente simples e tranquila, que afirma não trocar este lugar por nenhum outro. Parece ingenuidade, idolatria à “pobreza” ou pura demagogia, mas é o que eles dizem. E quem sou eu para discordar?

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Mais um bom mergulho na piscina da pousada – por sinal, piscina de água salgada - e uma última visão da Isla del Sol, pois a lancha nos espera:

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E voltamos à Cartagena. No dia seguinte, embarquei para San Andrés. A seguir.

Hotéis em Cartagena – veja aqui.

Turismo em Cartagena – veja aqui.


Piratas do Caribe – Parte 3

Maio 25, 2009

Não acredito. Ontem me aparece o Anthony Bourdain no seu programa No Reservations, falando sobre a… Colômbia, e começando por… Cartagena! Ano passado, depois que eu voltei do Peru, também foi uma enxurrada de programas, artigos e textos sobre Macchu Pichu e adjacências. Deve ser uma conspiração Illuminati. Acho bom eu ficar quieto.

Bem, graças a um site (Mappery – link no “Cinto de Utilidades”) que descobri no blog da Emília e agora insiro aqui, na maior cara-de-pau, eis o mapa turístico de Cartagena de Indias para você, querido (a)  leitor (a). Sugiro clicar, dar F11 e imprimir na impressora a laser colorida que aceita papel A3 no seu trabalho. Faz parte dos “benefícios indiretos”, mas espere quando todos forem almoçar, ok?

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Eu disse que na Cidade Murada há românticos passeios de carruagem aberta, e algumas até levam os pombinhos ao hotel, mesmo que este seja fora dos muros? Não? É igual às carruagens de Petrópolis / RJ (ou as gôndolas de Veneza…)

Peçam para o cocheiro fechar a capota, fazer o trajeto mais longo possível e aproveitem…

Bom, fui até o Convento de La Popa, situado no morro mais alto de Cartagena (apenas 150 m…), e de onde se pode ter uma visão geral da cidade. Seu nome deve-se ao fato de que o dito morro lembra a popa de um navio. Foi construído no século XVII, sobre os restos de um antigo templo indígena. Seu interior abriga a estátua da Virgem da Candelária, a qual acredita-se ter livrado a cidade dos piratas e das doenças. Todo ano, no dia dois de fevereiro, ocorre a procissão da Virgem. Se você vai de pacote, está incluído no city-tour. Se não, pode-se combinar com o taxista para levar, esperar e trazer por uns 12.000 pesos. A entrada custa 3.000 pesos.

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O sinuoso caminho até o Convento é repleto de pequenas cruzes de madeira, cada uma representando uma estação da Via Crucis – a Paixão de Cristo. Na praça de entrada, encontra-se a 14ª e última estação, talhada em mármore.

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Dentro do Convento, existe um pequeno museu de artefatos religiosos (e também de mapas antigos e moedas de todo o mundo, não sei porque). Estes são os vestidos da Virgem, que as devotas mandavam confeccionar e doavam ao Convento. Como um vestido de virgem é uma coisa raríssima hoje em dia, achei que valia a pena registrar essa curiosidade. Avis Rara.

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Aqui, o pedestal folheado a ouro, onde a estátua da Virgem é colocada e carregada por quatro devotos, durante a procissão.

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Estes sinos foram fundidos por Pedro Romero, líder da insurreição de 11 de novembro de 1811, que levou à independência da Coroa Espanhola, e eram tocados na torre do Convento até 1961, quando foram recolhidos para permanecerem conservados e a salvo das intempéries.

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Interior do Convento e o Altar da Virgem, com sua estátua. Curiosidade: no Brasil, na Catedral de Nossa Sra. de Aparecida, temos os ex-votos de pessoas curadas de alguma enfermidade, confeccionados em cera ou plástico, no formato de pés, orelhas, pernas e outras partes do corpo, de acordo com a doença. Aqui também há a mesma tradição, só que os ex-votos são minúsculos e feitos em prata.

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Uma gatinha colombiana ;)   Inveja dos gatos, como disse a Cora Rónai no Globo hoje…

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Vista geral de Cartagena, do alto do morro. Nota-se o bairro de Boca Grande ao fundo.

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Fomos então àquela que é considerada a mais majestosa obra da engenharia militar espanhola colonial (entrada 5.000 pesos): o Castillo de San Felipe de Barajas. Esta fortaleza começou a ser construída em 1657 no morro de San Lazaro devido aos constantes ataques piratas já mencionados, com uma planta de inspiração holandesa, e foi concluída em 1769 pelo engenheiro Antonio de Arévalo, que lhe deu a gigantesca forma atual.

Em 1741, o Comandante inglês Edward Vernon sitiou a cidade com 186 navios e 25.000 homens, durante três meses. Porém, os espanhóis, numa desvantagem de 7 para 1, resistiram atrás dos muros e fortificações da cidade. Os canhões da frota inglesa conseguiam alcançar até onde hoje fica o bairro de Boca Grande, mas não o Castillo, devido à sua altura e distância. Os espanhóis, por sua vez, com canhões mais pesados e de maior alcance, revidaram atingindo os navios ingleses. Vernon foi derrotado, perdendo mais de 70 navios e 10.000 homens. THIS IS SPAAAAIN!!!! (Rei Leônidas Pancho de la Silva).

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Observem que a maciça construção lembra até uma montanha artificial, um zigurate sumério ou uma pirâmide egípcia (não sei se viajei um pouco, mas tudo bem, é um blog de viagens mesmo…)

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Entrada para um dos diversos paióis.

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A estrutura inteira era, internamente, um verdadeiro labirinto de corredores, saguões, entradas e saídas, com escotilhas de ventilação atravessando as espessas paredes das muralhas. Todos os caminhos foram construídos com a altura máxima de 1,75m. Isto porque os ingleses eram mais altos que os espanhóis, e em caso de invasão, a relativamente baixa altura dos corredores atrasaria a movimentação do inimigo…

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Curta a fortaleza. Percorra cada detalhe, aproveite seu tempo. É uma magnífica construção.

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Claro que a escadaria vermelha é atual…

Bem, uma breve visita às Bóvedas de Cartagena – foram construídas no século XVIII para servirem de quartel militar, mas transformadas em prisão no século XIX devido às guerras pela independência. Hoje, cada “cela” é uma loja de artesanato. Igualzinho às fortificações-prisões construídas pelos portugueses em Recife, Natal, Aracaju, etc., as quais também tiveram suas celas transformadas em lojas de artesanato. Isso não muda, gente. É a Matrix. O programador construiu um objeto e deu “copy-paste” pelo mundo inteiro.

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Igreja de Santo Domingo, a mais antiga de Cartagena. Começou a ser construída em 1551. Também sofreu com os ataques do nobilíssimo Sir Francis Drake, a serviço de Sua Majestade.

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Na Plaza Santo Domingo, uma escultura de Fernando Botero. Botero, como se sabe, era chegado numa fofinha. Ele gostava de conforto.

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Uma última visão da cidade e suas muralhas.

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(Hoje em dia, esta parte da muralha acima serve para que os casais de namorados contemplem o luar y otras cositas más…)

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E, nessa noite, jantei no “La Bodeguita del Medio” – Calle Santo Domingo, 33-81. Um bom e simpático restaurante cubano, onde degustei uma ropa vieja. (ATUALIZAÇÃO: não tem site. Se você procurar no Google, só vão aparecer restaurantes com o mesmo nome em Cuba, México, EUA, etc. O link que inseri é do Trip Advisor.)

Continuamos depois.


Intervalo – Utilidade Pública

Maio 22, 2009

Inseri uma caixinha, o “Cinto de Utilidades”, na coluna ao lado, contendo sites de previsão de tempo, mapas (inclusive download do Google Earth) e conversores de moeda. Para facilitar a vida de vocês.

De nada. Voltamos à nossa programação colombo-caribenha.


Piratas do Caribe – Parte 2

Maio 20, 2009

 No dia seguinte, fui dar uma volta pela manhã na Cidade Murada. Para se defenderem dos constantes ataques de outras potências da época e dos piratas (falaremos disso daqui a pouco), os espanhóis construíram 11 km de muralhas que são hoje patrimônio cultural da humanidade e ali dentro a cidade de Cartagena se desenvolveu. Evidentemente, com o passar dos séculos e a evolução da situação histórica mundial, novas construções e bairros surgiram fora dos muros e expandiram a cidade até ela se tornar o que é hoje, um vibrante pólo turístico e cultural. Lembremos que, por muito tempo, lá viveu o famoso escritor colombiano Gabriel García Marquéz (que na verdade, nasceu na cidade colombiana de Aracataca, em 1927). Isso por si só já diz alguma coisa.

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Aqui e abaixo, trechos da muralha, com seus baluartes.

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A Cidade Murada, por si só, se divide em quatro bairros: Centro, San Diego, La Matuna e Getsemani. Sua entrada principal sempre foi a famosa Porta do Relógio (foto de Carlos Fabiano Braga – http://www.panoramio.com):

Porta do relogio - Cidade amuralhada - Cartagena

Há outras entradas, claro. Entrando pela Avenida Santander, iremos ver o Hotel Charleston, que foi o antigo Convento de Santa Teresa, construído no século XVII. Sua transformação em hotel foi supervisionada pela UNESCO.

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Perdendo-se um pouco pelas ruas, veremos a arquitetura espanhol colonial típica, com casas bem coloridas e balcões em treliça, o que fez com que se desenvolvesse um elaborado sistema de códigos para as moças de casa se comunicarem com seus pretendentes, na rua. Quando dois querem, ninguém segura.

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OBS.: quando falo que a cidade é bem policiada, especialmente na área turística, e em “se perder pelas ruas”, é claro que você não deve descuidar das precauções que você teria em qualquer cidade grande. Há alguns pedintes, há muitos vendedores ambulantes tentando te arrastar para uma loja de esmeraldas – principal gema extraída da Colômbia, etc. Use o bom senso – coisa que todos dizem ter, mas poucos realmente o tem…

Aqui, a Casa del Presidente Nieto, construída no final do século XVII e restaurada em 1993. Seu nome se deve ao General Juan Jose Nieto, presidente da República de Nova Granada, estado que existiu no século XIX englobando a Colômbia, partes do Equador, do Brasil, Costa Rica, Nicarágua, Panamá, Peru e Venezuela. Essa feijoada acabou em 1858 e El General morreu em 1864.

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Como de costume nesse tipo de construção, há sempre um pátio interno na casa, com chafarizes (desligados) para amenizar o calor.

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E falando em chafariz, eis o da Plaza Bolívar, onde se dera a apresentação de dançarinos de cúmbia na noite anterior.

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Na mesma plaza, encontramos o Palácio de la Inquisición (entrada 11.000 pesos, guia opcional 10.000 pesos). A Inquisição aqui funcionou de 1616 a meados do século XIX, ou seja, o bicho pegou durante duzentos anos. Quem piscasse de um jeito esquisito já era mandado pelo Tribunal do Santo Ofício para conversar com Deus e o Diabo numa mesa de chope. Havia inclusive a “ventana de la denuncia”, uma janela onde qualquer um poderia3147758307_c7f06e5fd4 denunciar alguém, anonimamente, por prática de bruxaria, satanismo e baile funk. Uma bela maneira de se livrar de um desafeto (confesso que eu denunciaria uns dois ou três que eu conheço, mas isso é outra história…). Esta prática também foi muito usada também na Alemanha nazista, na URSS stalinista, no Camboja de Pol Pot, na China da “Revolução Cultural” de Mao e outros regimes não menos simpáticos. Talvez a Igreja tenha sido o primeiro regime totalitário da História… (foto de Alfonso Gamo – http://www.flick.com)

Após ser gentilmente convidado a se explicar, o acusado era levado ao Palácio.

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Ali o aguardavam os mais variados, criativos e cruéis instrumentos de tortura. Os mais sensíveis devem se retirar ou se fazerem acompanhar de seus pais:

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A roldana à esquerda servia para levantar o infeliz, soltá-lo do alto e pará-lo repentinamente antes de chegar ao chão. O tranco quebrava e deslocava os braços, evidentemente. A cadeirinha à direita é o garrote vil: a pessoa era amarrada sentada, a cabeça presa por um aro de metal e atrás, um parafuso com uma ponta afiada era lentamente torcido, até perfurar a nuca do indivíduo, quebrando as primeiras vértebras. Coisa medieval? Pois lembrem que esse procedimento foi usado na Espanha durante toda a ditadura do “Generalíssimo” Franco, em pleno século XX.

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Isto é o que parece: uma balança. Se o acusado fosse gordo, poderia pagar uma multa e se livrar do resto. Porém, se pessasse menos de 60 kg, era considerado muito leve e capaz de voar (!!!), sendo portanto considerado bruxo (ou bruxa). Meninas, fazer regime naquela época não era bom negócio.

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Esta mesa servia para desmembrar o infeliz: os braços eram amarrados em duas cordas na parte superior (ao fundo) e as pernas, em duas cordas na parte inferior (em primeiro plano). Cada jogo estava acoplado a uma manivela. Girando-se as duas manivelas, as pernas e os braços eram separados do corpo. Ainda tem um ponto interessante: se fosse um homem, a terceira corda, no meio da foto, era amarrada no… bem, acho que vocês já imaginaram. Sabe aqueles spams que enchem seu e-mail do tipo “ENLARGE YOUR PENIS”? Pois bem, essa era a técnica usada na época. Vai por mim, proteja sua caixa postal, delete tudo que é spam. Você não sabe onde vai se meter…

Entre pelourinhos, esmagadores de crânio, garfos imobilizadores presos no queixo da vítima e outras cortesias da casa, chegamos ao pátio interno, onde havia a guilhotina e a forca. Nessa altura, o (a) pobre coitado (a) já devia estar doido para morrer, mesmo.

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E neste pátio, foram executados os últimos condenados da Inquisição colombiana, em 1820, aproximadamente.

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Passemos a amenidades (os que restaram na leitura do post). Aqui, um ídolo pré-colombiano. Nem sei como permaneceu no palácio. Provavelmente deve ter sido trazido para cá DEPOIS da Inquisição.

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E, no segundo andar, uma breve história de Cartagena. Os primeiros grupos a habitar a região foram os pertencentes à cultura de Puerto Hormiga, por volta de 7.000 A.C. Em 3.000 A.C. esta cultura entrou em decadência e deu lugar aos Monsú, que viviam da pesca, agricultura e continuaram o desenvolvimento da cerâmica, legado dos Puerto Hormiga. Por volta de 1.500 D.C., vários grupos faziam parte da cultura Karib, sendo um deles os Kalamary, um povo indígena que vivia da caça, pesca e agricultura. Aqui uma reprodução de uma aldeia Kalamary e peças de cerâmica encontradas por arqueólogos.

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Após a chegada dos espanhóis, os indígenas dançaram, como de costume: foram postos a trabalhar na mineração de ouro e pedras preciosas. Aqui, um mapa da rota do ouro, mostrando as rotas de navegação entre o velho e o novo mundo. Claro que os galeões abarrotados de ouro eram atacados por piratas, igual ao que acontece hoje em dia na Linha Amarela, Vermelha, e na Costa da Somália.

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O primeiro pirata a atacar Cartagena foi o corsário (licenciado pela Coroa Francesa – as Cartas de Corso) Jean-François Roberval. A ele se seguiram Martin Cote, Sir John Hawkins, Sir Francis Drake (sobrinho de Hawkins e ambos licenciados pela Coroa Inglesa – os privateers), que tomou a cidade e exigiu um volumoso resgate (107.000 pesetas espanholas ou us$ 200 milhões em moeda atual!!!), além de destruir boa parte da cidade. A partir daí, a Coroa Espanhola começou a investir na cidade e sua proteção, e as muralhas começaram a ser construídas. Mal a cidade se recuperara do baque, Sire Bernard Desjeans, outro corsário francês, mais uma vez tomou a cidade e exigiu resgate de 250.000 pesetas espanholas. Porém, Jean Ducasse, governador de Saint-Domingue (Haiti) veio depois com seu exército, marchou sobre a cidade, saqueou e destruiu várias igrejas e lugares sagrados, coisa que Desjeans prometera não fazer. Enfim…

Aqui, o núcleo habitacional original de Cartagena…

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…e o plano geral de sua expansão, anos mais tarde.

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Construção das Bóvedas (quartel, mais tarde usado como prisão), de residências e do Palácio da Inquisição.

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Lá como cá: o comércio de escravos também fazia parte do cotidiano da cidade. Aqui, um navio negreiro desembarca sua “carga” no porto da cidade, o mercado de escravos.

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Por falar em navio negreiro, uma ave que você vai ver em toda a região é a “maria-mulata”, que veio da África nesses navios. Tentei fotografá-la, mas ela é muito arisca.

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(foto: Michael Keen – http://www.flick.com)

Contraste: relicários e fuzis…

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Bom, dispare um canhão, toque uns sinos e vamos ver outras coisas.

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Esta é a Catedral de Cartagena, que começou a ser construída em 1575. Sofreu danos com os ataques de Francis Drake em 1586, teve sua nave e uma lateral desabada em 1600 e finalmente foi concluída em 1612, sendo uma das mais antigas das Américas.

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E esse é o altar, ricamente decorado em ouro.

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E a Igreja e Convento de San Pedro Claver, perto da Plaza de la Aduana. (Atualização: A igreja começou a ser construída em 1580 e reconstruída no século XVII, enquanto se construía o convento, a partir de 1603. Hoje funciona o Museo Naval del Caribe na parte posterior do Convento).

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Bom, após tanta andação, a fome bateu. Fui almoçar num restaurante que vira na noite anterior, de cozinha francesa-creolle – o Donde Olano, na calle Santo Domingo com Inquisición (perto da Baloco). O interessante, além da decoração um tanto quanto atulhada, é o cardápio – um tablóide, imitando um jornal, com o menu nas folhas internas. Pedi um pollo a la española, que deveria ser um espanhol tailandês, pois é feito com molho de azeitonas pretas, curry, arroz de coco e vegetais fritos no wok. Muito bom. Atenção: só aceita dinheiro.

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Espero que tenham gostado. Continuamos depois.


Piratas do Caribe – Parte 1

Maio 18, 2009

Daqui a pouco vão me chamar de plagiador de viagens, pois, se em 2008 fui ao Peru quase ao mesmo tempo que a Camila e um ano depois da Carla, que foi em 2007, agora fui à Colômbia quase ao mesmo tempo que a Meilin, tanto é que acabamos nos encontrando no Decameron Aquarium, em San Andrés (eu chegando, ela saindo). Mas isso é a Sincroniciade Junguiana, fenômeno especialmente potencializado por aqueles que portam o signo dos iniciados – o pin da bóia da comunidade VnV…

(Foto do Riq)

Para muita gente, quando se fala em viajar até a Colômbia, o que vem à mente é um país violentíssimo, dividido em uma guerra civil que já se arrasta há mais de 40 anos, com atentados e tiroteios em qualquer lugar. Eu mesmo pensava assim e, até uns dez anos atrás, isso não deixava de ser verdade.

Porém, lembro-me de ter comentado com um amigo do trabalho sobre um artigo que saiu no caderno “Boa Viagem” d’O Globo, há uns cinco anos atrás, falando de Cartagena de Índias, cidade com um riquíssimo patrimônio histórico-cultural, e San Andrés, ilha pertencente à Colômbia, situada no Mar do Caribe, e achamos tudo aquilo muito interessante. Mas como disse, na época, nem me passava pela cabeça em um dia ir à Colômbia.

O tempo passou, e hoje nossos (des) governantes vão até Bogotá, Medellín, etc., para “descobrir” como os índices altíssimos de criminalidade nessas cidades foram reduzidos substancialmente, enquanto que no Brasil, tais índices só fazem aumentar. Isso se chama “benchmarking”. E não estamos bem na fita.

Porque, então, não conhecer o que a Colômbia tem de bom (e, acredite, são muitas coisas)?

Sendo assim, tudo preparado, eis que surge a gripe suína – ou gripe porcaria, como costumo chamar. Só para irritar e me fazer obrigar usar em todos os aeroportos e aviões uma máscara contra poeira que comprei há anos, e que, na verdade, nem serve contra microorganismos – mas o alívio psicológico não pode ser desprezado…

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Na foto ao lado, eu protegido contra gripe suína, aviária, dengue, resfriado, SARS, gás mostarda, SARIN, Anthrax e o vácuo espacial.

Mais uma maratona de conexões – fui pela Avianca, com o trecho Rio-São Paulo pela OceanAir, atual dona da Avianca, às 5:50. Ou seja, tive que acordar às 3:00, na primeira segunda-feira de férias, como sempre. Nessas horas eu questiono o sentido da vida. Pelo menos o serviço de bordo era bom, só perdendo para a LAN Chile.

Após conexão em Bogotá, chego a Cartagena, e tive a sensação que gostaria da cidade. Hospedei-me no Capilla del Mar, excelente hotel situado no bairro de Boca Grande, cujas resenhas no Trip Advisor não fazem jus à sua qualidade. No TA, falava-se em quartos antigos, prédio antigo, etc. Talvez os comentaristas tenham pego o hotel antes da reforma, que deve ter sido recente.

Mas o hotel está plenamente reformado, com um lobby luxuossísimo e quartos condizentes com a minha exigente pessoa. Pedi logo um com vista para o mar. O staff do hotel também é muito cortês e atencioso.

Abaixo, o quarto onde fiquei.

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Nota-se que o maníaco por documentários já sintonizou a TV LCD 32” em um famoso canal de documentários, coincidentemente sobre mergulhos…

Nota-se também um tablóide em cima da cama com uma bela moça na capa. Não é o que vocês estão pensando, seus pervertidos. Esse é o tablóide DONDE, jornal turístico de Cartagena, edição de abril, disponível no lobby do hotel e no aeroporto, com dicas de restaurantes, mapas, etc.

Mas por dois dias, tal e qual o pingüim argentino de Happy Feet, eu acordava e dizia para ela: “No tenga medo, pués yo te AMO!”. Mas, eis que um dia, a camareira trocou o jornal pela edição de maio!!!

Ou seja, até a moça do jornal me abandonou, dizendo-me “não ia dar certo entre nós, querido”. E eu, tal e qual o Capitão Jack Sparrow de Piratas do Caribe, respondi: “Engane-se com isso, querida”. Mais um pedaço do meu coração se estilhaçou, sem superbonder nem araldite para colar de volta.

Desilusões amorosas à parte, eis uma vista da varanda do meu quarto e do pôr-do-sol.

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A Boca Grande é o bairro luxuoso de Cartagena, com vários hotéis e prédios de luxo de frente para o mar. À noite, porém, peguei um táxi para a Cidade Murada – o bairro histórico, cercado pelas muralhas construídas pelos espanhóis durante a colonização, e onde se dá o agito da cidade.

Os táxis em Cartagena e San Andrés não têm taxímetro, ao contrário de Bogotá, mas qualquer corrida sai por cinco mil pesos colombianos. Como um real vale aproximadamente mil e cem pesos, divida os preços por mil e tire um pouquinho. Assim, você verá que a corrida inteira, de 5 mil pesos, custou R$ 4,50!!!! (Isso é só a bandeirada no Rio e em São Paulo…). Converta aqui.

Também não é preciso trocar dólares no Brasil para trocar por pesos na Colômbia - no Aeroporto de Bogotá, eles trocam reais, na Aerocambios, que tem uma ótima taxa e não cobra tarifa. Se eu soubesse antes… Agora vocês já sabem. Mas também tem que assinar um formulário e prensar o dedão. Primeira vez que me deparo com essa burocracia…

Segui o conselho da Meilin e fui numa creperia que ela disse ser próxima à muralha, na Calle Baloco. Como havia várias creperias, entrei numa que vi e gostei, a Crepes & Waffles (depois confirmei com a Meilin que era essa mesma)

Os crepes são fantásticos: tem de pollo thai (frango com curry, maracujá e cogumelos portobello); de lomo árabe (igual a um shawarma, o sanduíche feito com aquele monte de carne girando na grelha, em todo o Oriente Médio); pollo ao curry rojo (frango com curry vermelho), etc. Esses foram os que eu comi. Mas há inúmeras opções, e inúmeras sobremesas também.

Abaixo, o crepe de Lomo Árabe, com pedaços de filé mignon, especiarias sírio-libanesas, molho de tahine e salada. Uma delícia.

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Depois dei uma volta pelas ruas – muito bem policiadas – e cheguei à Plaza Bolívar, achando tudo muito encantador. Eu precisava voltar de dia para me embrenhar melhor naquelas ruas.

Na Plaza, eis que um grupo se apresentava dançando a cúmbia, música e dança típica da Colômbia. A cúmbia me pareceu mais uma mistura de samba, candomblé, capoeira, calipso e axé, nada tendo a ver com a tonga da milonga do cabuletê. Coincidência ou não, o Riq me pediu informações sobre a cúmbia na dedicatória que ele me fez no livro dele

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Após a apresentação, os artistas passaram o chapéu. Paguei com gosto e voltei ao hotel, maravilhado com a beleza do bairro histórico. Interessante como a realidade é subjetiva, ou seja, é uma percepção que depende de nós e do nosso estado de espírito: ano passado, eu estava em Cusco, também andando pelo centro histórico igualmente belo, e nada via, pois estava deprimido. Não que o centro histórico cusquenho fosse feio ou que eu estivesse achando feio – eu simplesmente não estava vendo Cusco, imerso na minha depressão.

Felizmente isso é passado. Depois continuamos.