Não acredito. Ontem me aparece o Anthony Bourdain no seu programa No Reservations, falando sobre a… Colômbia, e começando por… Cartagena! Ano passado, depois que eu voltei do Peru, também foi uma enxurrada de programas, artigos e textos sobre Macchu Pichu e adjacências. Deve ser uma conspiração Illuminati. Acho bom eu ficar quieto.
Bem, graças a um site (Mappery – link no “Cinto de Utilidades”) que descobri no blog da Emília e agora insiro aqui, na maior cara-de-pau, eis o mapa turístico de Cartagena de Indias para você, querido (a) leitor (a). Sugiro clicar, dar F11 e imprimir na impressora a laser colorida que aceita papel A3 no seu trabalho. Faz parte dos “benefícios indiretos”, mas espere quando todos forem almoçar, ok?
Eu disse que na Cidade Murada há românticos passeios de carruagem aberta, e algumas até levam os pombinhos ao hotel, mesmo que este seja fora dos muros? Não? É igual às carruagens de Petrópolis / RJ (ou as gôndolas de Veneza…)

Peçam para o cocheiro fechar a capota, fazer o trajeto mais longo possível e aproveitem…
Bom, fui até o Convento de La Popa, situado no morro mais alto de Cartagena (apenas 150 m…), e de onde se pode ter uma visão geral da cidade. Seu nome deve-se ao fato de que o dito morro lembra a popa de um navio. Foi construído no século XVII, sobre os restos de um antigo templo indígena. Seu interior abriga a estátua da Virgem da Candelária, a qual acredita-se ter livrado a cidade dos piratas e das doenças. Todo ano, no dia dois de fevereiro, ocorre a procissão da Virgem. Se você vai de pacote, está incluído no city-tour. Se não, pode-se combinar com o taxista para levar, esperar e trazer por uns 12.000 pesos. A entrada custa 3.000 pesos.


O sinuoso caminho até o Convento é repleto de pequenas cruzes de madeira, cada uma representando uma estação da Via Crucis – a Paixão de Cristo. Na praça de entrada, encontra-se a 14ª e última estação, talhada em mármore.

Dentro do Convento, existe um pequeno museu de artefatos religiosos (e também de mapas antigos e moedas de todo o mundo, não sei porque). Estes são os vestidos da Virgem, que as devotas mandavam confeccionar e doavam ao Convento. Como um vestido de virgem é uma coisa raríssima hoje em dia, achei que valia a pena registrar essa curiosidade. Avis Rara.

Aqui, o pedestal folheado a ouro, onde a estátua da Virgem é colocada e carregada por quatro devotos, durante a procissão.

Estes sinos foram fundidos por Pedro Romero, líder da insurreição de 11 de novembro de 1811, que levou à independência da Coroa Espanhola, e eram tocados na torre do Convento até 1961, quando foram recolhidos para permanecerem conservados e a salvo das intempéries.

Interior do Convento e o Altar da Virgem, com sua estátua. Curiosidade: no Brasil, na Catedral de Nossa Sra. de Aparecida, temos os ex-votos de pessoas curadas de alguma enfermidade, confeccionados em cera ou plástico, no formato de pés, orelhas, pernas e outras partes do corpo, de acordo com a doença. Aqui também há a mesma tradição, só que os ex-votos são minúsculos e feitos em prata.


Uma gatinha colombiana
Inveja dos gatos, como disse a Cora Rónai no Globo hoje…

Vista geral de Cartagena, do alto do morro. Nota-se o bairro de Boca Grande ao fundo.

Fomos então àquela que é considerada a mais majestosa obra da engenharia militar espanhola colonial (entrada 5.000 pesos): o Castillo de San Felipe de Barajas. Esta fortaleza começou a ser construída em 1657 no morro de San Lazaro devido aos constantes ataques piratas já mencionados, com uma planta de inspiração holandesa, e foi concluída em 1769 pelo engenheiro Antonio de Arévalo, que lhe deu a gigantesca forma atual.
Em 1741, o Comandante inglês Edward Vernon sitiou a cidade com 186 navios e 25.000 homens, durante três meses. Porém, os espanhóis, numa desvantagem de 7 para 1, resistiram atrás dos muros e fortificações da cidade. Os canhões da frota inglesa conseguiam alcançar até onde hoje fica o bairro de Boca Grande, mas não o Castillo, devido à sua altura e distância. Os espanhóis, por sua vez, com canhões mais pesados e de maior alcance, revidaram atingindo os navios ingleses. Vernon foi derrotado, perdendo mais de 70 navios e 10.000 homens. THIS IS SPAAAAIN!!!! (Rei Leônidas Pancho de la Silva).


Observem que a maciça construção lembra até uma montanha artificial, um zigurate sumério ou uma pirâmide egípcia (não sei se viajei um pouco, mas tudo bem, é um blog de viagens mesmo…)

Entrada para um dos diversos paióis.



A estrutura inteira era, internamente, um verdadeiro labirinto de corredores, saguões, entradas e saídas, com escotilhas de ventilação atravessando as espessas paredes das muralhas. Todos os caminhos foram construídos com a altura máxima de 1,75m. Isto porque os ingleses eram mais altos que os espanhóis, e em caso de invasão, a relativamente baixa altura dos corredores atrasaria a movimentação do inimigo…



Curta a fortaleza. Percorra cada detalhe, aproveite seu tempo. É uma magnífica construção.

Claro que a escadaria vermelha é atual…
Bem, uma breve visita às Bóvedas de Cartagena – foram construídas no século XVIII para servirem de quartel militar, mas transformadas em prisão no século XIX devido às guerras pela independência. Hoje, cada “cela” é uma loja de artesanato. Igualzinho às fortificações-prisões construídas pelos portugueses em Recife, Natal, Aracaju, etc., as quais também tiveram suas celas transformadas em lojas de artesanato. Isso não muda, gente. É a Matrix. O programador construiu um objeto e deu “copy-paste” pelo mundo inteiro.

Igreja de Santo Domingo, a mais antiga de Cartagena. Começou a ser construída em 1551. Também sofreu com os ataques do nobilíssimo Sir Francis Drake, a serviço de Sua Majestade.

Na Plaza Santo Domingo, uma escultura de Fernando Botero. Botero, como se sabe, era chegado numa fofinha. Ele gostava de conforto.

Uma última visão da cidade e suas muralhas.


(Hoje em dia, esta parte da muralha acima serve para que os casais de namorados contemplem o luar y otras cositas más…)

E, nessa noite, jantei no “La Bodeguita del Medio” – Calle Santo Domingo, 33-81. Um bom e simpático restaurante cubano, onde degustei uma ropa vieja. (ATUALIZAÇÃO: não tem site. Se você procurar no Google, só vão aparecer restaurantes com o mesmo nome em Cuba, México, EUA, etc. O link que inseri é do Trip Advisor.)
Continuamos depois.


Maio 26, 2009 às 9:15 am
Inspiradíssimo, Arthur, e muito informativo! Adorei a gatinha colombiana – que vidão!
Maio 26, 2009 às 10:22 am
Arthur, muito bom post. AS informações de Cartagena estão completíssimas.
Maio 26, 2009 às 11:07 am
Alessandro, obrigado! Você já esteve lá? Se não esteve, vá, eu recomendo
Carla, valeu! Mas podiam dar mais comida para a gata, ela está tão magrinha, tadinha
Maio 26, 2009 às 2:34 pm
Fantástico! A Colômbia deve se tornar a bola da vez do turismo na América Latina. O governo colombiano lançou o slogan: “Colômbia, o perigo é você querer ficar!” Adorei! Lindas as fotos! Abs!
Maio 26, 2009 às 2:51 pm
Silvia, esse slogan é muito bem bolado, pois foi criado justamente para dissipar receios de viajar para a Colômbia devido à situação vivida pelo país há anos – e que ainda não está de todo resolvida, diga-se de passagem.
Valeu e abs!
Maio 26, 2009 às 10:20 pm
Arthur.
Estou adorando a odisséia Piratas odo Caribe! Quanta coisa legal pra conhecer na Colombia! Me gusta.
Maio 27, 2009 às 9:01 am
Esqueci de comentar, mas eu também reparei que de uns tempos pra cá se fala muito na Colômbia nos programas de turismo na TV. Não é só o Anthony Bourdain, não, quase todos os programas do Discovery Travel & Living já tiveram um ou mais episódios por lá. A hora de ir é essa mesmo!
Maio 27, 2009 às 11:21 am
Colômbia forever!!!
Maio 28, 2009 às 12:23 am
Que coisa. Esses dias tinha postado no meu blog sobre Cartagena, mas era a da Espanha, falando sobre a semana santa de lá. Muito legal o blog e as fotos. Você tem Flickr? Seria uma boa pra divulgar tuas fotos.
Vou linkar no meu, gostei.
Abraços
Maio 28, 2009 às 2:03 pm
Oi Rick, é que o nome completo da cidade é “Cartagena de Indias”. Esse é o termo que deve ser usado em sites de busca, senão vão aparecer as duas.
Não tenho Flickr… acho que Twitter, Facebook, MSN e um blog já estão me consumindo muito rsssss, sério estou sem dormir desde que voltei da Colômbia, pensando em como burilar o texto que vou escrever aqui
Vi o teu blog, vou te linkar tb.
Valeu e abraços!!
Maio 28, 2009 às 8:16 pm
Bela viagem muito bem documentada em texto e fotos. Parabéns!
Maio 28, 2009 às 10:30 pm
Muito bom! É verdade, tenho visto alguns programas sobre a Colômbia e todos falando muito bem do país.
Adorei a estátua do Botero.
Abç,
Maio 29, 2009 às 11:15 am
Arnaldo, muchas gracias e um grande abraço!!!
Luciana, obrigado também! Anteontem liguei o nome a pessoa
no VnV, e vi que vc é conterrânea quando falou-se em Niterói e vc disse que Niterói é uma maravilha, exceto as Barcas. Aí lembrei que vc comentou no meu post onde eu esculhambava as Barcas SA depois do tumulto ocorrido em abril.
Saudações niteroienses!
Junho 7, 2009 às 3:28 pm
Arthur, adorei o post! O mapa está ótimo, muito fácil! Adorei!

A estátua de Botero complementada pela sua informação de que ele gostava de conforto…imperdível!
Vc e a Meilin estão, definitivamente, animando os trips para conhecer a Colômbia! Muito bom!
Junho 7, 2009 às 5:01 pm
Oi Paula*, que bom que gostou! O crédito de descobrir esse site de mapas é da Emília
Anteontem vi “O Amor nos Tempos do Cólera (2007)” na TV, adorei o filme (e as locações, que são em Cartagena, claro), a crítica falou tão mal na época que não fui ver o filme… Esses críticos…
Abraços e espero que você seja a próxima!
Junho 23, 2009 às 9:28 pm
[...] E deixei Johnny Cay com saudades, não sem antes me despedir de uma cachorrinha colombiana (Depois da gatinha colombiana…) [...]
Julho 4, 2009 às 11:14 am
[...] Cartagena: a fortaleza e mais cidade antiga [...]