O Sentido da Vida

Julho 22, 2009

UM BELO DIA, NO HORÁRIO DE ALMOÇO, APÓS A REFEIÇÃO…

 

1- Fui dar uma volta na rua e vi um gatinho (felino) num balcão de uma loja;

2- Fiz um cafuné nele, ele pareceu gostar e deitou de barriga pra cima;

3- Ao continuar, ele me mordeu, de leve. Creio que de brincadeira, mas arranhou a pele e saíram uns pontinhos de sangue. Coisa minúscula, mas…;

4- Fui no setor médico da minha empresa, fiz o curativo e a enfermeira falou que era melhor tomar a anti-rábica, cuja 1ª dose só poderia ser tomada em Copacabana, no CMS da Siqueira Campos;

5- Fui lá às 14:20, mandaram-me para o setor de vacinação, onde informaram que no meu caso era preciso voltar à entrada, pegar a senha e preencher um cadastro no guichê, para avaliação médica. Peguei a senha 48, estava na 33. Esperei, preenchi e mandaram para a sala 302, para a enfermeira avaliar o caso;

6- A sala 302 estava fechada. A da Administração também. A da Diretoria também. Soube que a enfermeira estava dando uma palestra sobre gripe suína. Ao mesmo tempo, chega para a mesma sala uma senhora bolívio-brasileira com a filha, uma gatinha (humana), querendo a 2ª via do comprovante de vacinação contra febre amarela, pois fora roubada e iria viajar para a Bolívia na quinta, e ainda tinha que tirar o certificado internacional de vacinação (os fatos deste relato aconteceram numa segunda);

7- Fomos falar com a Administração e a enfermeira chegou. Fui atendido às 16:15. Ela me perguntou se eu poderia observar o bicho durante 10 dias consecutivos, pois aí só precisaria tomar 2 doses. Eu disse que não. Então teria que tomar 5 doses e soro anti-rábico no Souza Aguiar, na emergência;

8- Tomei a primeira dose lá e fui ao Souza Aguiar;

9- Dei entrada às 18:00. Mandaram ir na sala de Sutura, onde um jovem levava algumas dezenas de pontos no couro cabeludo. Ali mandaram ir na sala de Hipodermia, onde mandaram voltar na sala de sutura, pois o médico deveria ter preenchido o formulário e carimbado. Voltei. Ele carimbou errado. Voltei. Ele escreveu algo errado. Voltei e finalmente aplicaram o soro – que na verdade, não é intravenoso, é intramuscular. Uma série de injeções: uma em cada ombro e uma em cada glúteo;

10- Mandaram ficar em observação por duas horas, com uma seringa espetada no braço por precaução (caso eu tivesse um piripaque, a veia para injetar medicamentos já estaria aberta). Eram 18:20;

11- Fiquei até às 20:20 com este piercing radical no braço, pensando muito no Geraldão do Glauco, vendo TV na sala de espera e ouvindo MP3 no celular. Aí tiraram e fui para casa, onde cheguei às 21:30. Passei mais um mês tomando as quatro doses restantes da vacina. E devido ao ar condicionado ártico da sala de espera, ainda fiquei com uma faringite que levou duas semanas para ser curada.


Tudo isto por causa de um cafuné num gato (ou gata, sei lá).


Faz sentido?


CEM MIL

Julho 12, 2009

Enfim dei o salto quântico para a categoria das centenas de milhares, após toda sorte de adversidades e enfrentando bravamente os indomáveis e obscuros recônditos profundos da internet, povoados por toda sorte de pesadelos. Enfim, cheguei aos cem mil acessos, tal e qual Nigel Mansell empurrando seu Lotus sem gasolina para chegar ao final do GP de Dallas de F-1 de 1984.

Mansell_1984

(Na foto acima, o blogueiro exausto após escrever mais um post)

Agradeço a todos que, comentando ou não, passaram por aqui nestes dois anos e meio. Agradeço ao pessoal da comunidade Viaje na Viagem: Carla, Emilia, Majô, Arnaldo, Meilin, Carmen, Lu Malheiros, Wanessa, Carol Wieser, Camila, Angela Bruno, Beto, Jorge “Sumido” Giramundo, Mô Gribel, Marcio, Destemperados, Flavia Rasta, Carla Z, Carla Tolosa, Marcie, Patsy, Paula*, Mari Campos, Sylvia de POA e Silvia do Matraqueando, JB, Rodrigo Purisch, a Carla Made in Carla e o Orlani Junior que criaram seus blogs inspirados em mim (quem diria…), outros que já peço mil desculpas por esquecer e finalmente, ao Ricardo Freire, que começou essa loucura toda e nos contaminou com este vício incurável. Qualquer coisa, reclamem com ele!

Agradeço também a:

- Você, cara leitora, que acessa meu blog enquanto o traste do seu marido está no sofá vendo o Brasileirão, bebendo cerveja e coçando o saco. A sra. poderia estar numa sala de chat erótico como “Gostosa_19″ e, no entanto, vem até aqui. Admiro isso.

- Você, caro leitor, homem honesto, que vive “escorraçado na própria casa, cabisbaixo e humilhado enquanto os canalhas triunfam sorridentes”, como diria Arnaldo Jabor. Você poderia estar em um dos trilhões de sites pornôs da web e, no entanto, também dá uma passada aqui. Respeito isso.

- Você, trabalhador oprimido pelo sistema capitalista neo-liberal, que corajosamente desafia a Máquina acessando meu blog no trabalho, entre um “alt-tab” e outro para uma planilha de Excel quando o chefe se aproxima. Aproveite, pois logo irão bloquear o acesso a blogs na sua empresa. É apenas uma questão de tempo. Mas LUTE até o fim! Caia de pé, companheiro!

E vamos ver o que ELES disseram:

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REI LEÔNIDAS: THIS IS BLOOOGING!!!!!

MORPHEUS: Unfortunately, no one can be told what blogging is. You´ll have to do it for yourself.

DARTH VADER: The power of the Blog is with you, young apprentice. But you are not a Rupert Murdoch yet.

SHREK: Olha só que bonitinho… ele tem botinhas e faz carinhas! Vamos acessar o blog dele dois milhões de vezes para ele ficar contentinho…

BURRO FALANTE: O QUE? DOIS MILHÕES DE VEZES? Você acha que eu não tenho mais o que fazer???

SHREK: Eu acesso um milhão de vezes, você acessa outro milhão de vezes. É fácil… E a gente pode chamar o resto do pessoal para ajudar…

BURRO FALANTE: Ai, meu Deus, saudades de quando eu era um tira da pesada…


Piratas do Caribe – Epílogo

Julho 2, 2009

Considerações Finais: Homenagem ao Povo Colombiano

Esta viagem à Colômbia me deixou muito feliz. Primeiro, por ter sido muito mais do que eu esperava; segundo, por ter ajudado (espero) a desfazer preconceitos e temores existentes em mim e nos leitores, pelo que eu vi nos comentários. Como eu mesmo escrevi na primeira parte dessa jornada: “Para muita gente, quando se fala em viajar até a Colômbia, o que vem à mente é um país violentíssimo, dividido em uma guerra civil que já se arrasta há mais de 40 anos, com atentados e tiroteios em qualquer lugar. Eu mesmo pensava assim e, até uns dez anos atrás, isso não deixava de ser verdade (…)”.

Antes de continuar, gostaria de conversar “virtualmente” com vocês, numa mesa de chope. Eu pago.

Não sou dado a excessos emotivos, nem ao que se pode chamar de “pataquadas”, especialmente quando escrevo neste blog. Respeito quem é assim, mas esse é o meu estilo. Porém, não me furto a esculhambar – o termo é esse mesmo – acontecimentos que superam em horror e desrespeito a nossa já tradicional miséria cotidiana, como aqui, aqui (prestem atenção na data) e aqui. Mais uma vez, isso sou eu. Evidentemente, não acho que alguém tenha obrigação de me acompanhar, nem quero ser líder ou guru de ninguém.

Sou agnóstico – considero que “a compreensão dos problemas metafísicos, como a existência de Deus, é inacessível ou incognoscível ao entendimento humano na medida em que ultrapassam o método empírico de comprovação científica. Assim, o conhecimento da existência de Deus é considerado impossível para agnósticos“. Isto é ficar em cima do muro entre ateus e crentes? Não, é simplesmente reconhecer que nossa mente é incapaz de provar a existência (ou não) de um Deus ou Deuses.

Se dizem que depois dos trinta, o indivíduo não tem mais o direito de ser ingênuo – aí é burro mesmo – que dirá chegando aos quarenta, como eu. Como disse Paulo Francis numa citação, “morrer é como antes de termos nascido” – 30 Anos esta Noite, Cia. das Letras, 1994.

Mas sigo o Pedro Doria, ateu, quando ele diz que “não faço a linha Richard Dawkins, que acha que a religião é um mal a ser extirpado do mundo“. Concordo. Apesar de séculos de intolerância e crueldade (como bem mostrou o Museu da Inquisição em Cartagena), que ainda persistem em setores retrógrados da Igreja Católica e das outras diversas religiões, a verdadeira fé é algo bonito de se ver.

Mas um momento em especial me emocionou nesta viagem – uma imagem, captada no lugar e tempo corretos, que fiz questão de deixar para o final.

Pois viajei para um país que foi literalmente sequestrado durante anos por psicopatas vagabundos, à “direita” e à “esquerda”, tudo em nome da “ideologia” – essa palavrinha muito bonita que serve de cobertor para as maiores atrocidades cometidas neste e no século passado. Um país que por pouco, não se tornou o Sudão da América do Sul, e que só agora começa a se recuperar. Pois encontrei pessoas alegres, uma belíssima cultura, cidades vibrantes, paisagens maravilhosas. Digo isso porque estive só nas áreas turísticas? Não. A Colômbia ainda tem suas mazelas, entre elas o maior número de refugiados internos do mundo – milhões de seres humanos postos a correr de suas casas, devido aos senhores que se acham acima do bem e do mal.

A guerrilha continua, nas selvas amazônicas, engajada na sua luta revolucionária – leia-se: sequestrar pessoas, exigir resgates e vender uns quilos do ”branco” e do “preto” por fora. Deve ser isso que Marx chamava de “acumulação primitiva do capital”. Mas tomou bastante porrada no ano passado, e que continue assim.

Porém, basta lembrar que, até há uns anos atrás, pagava-se pedágio às AUC – Autodefesas Unidas da Colômbia, paramilitares de direita, que já se entregaram, na estrada para Cartagena. Basta lembrar que, até alguns anos atrás, 40% do território colombiano não estava em poder do Estado.

Por tudo isso, eis a foto que me comoveu, tirada no Castillo de San Felipe de Barajas, e que vai como uma pequena homenagem ao povo colombiano:

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Colômbia, que o sol brilhe por ti. E que sua sofrida gente encontre o caminho da paz e do desenvolvimento que tanto merece, mesmo depois de todos esses anos – assim como Florentino Ariza só encontrou seu verdadeiro amor, Fermina Daza, cinquenta e três anos depois.

Mas encontrou.