Enfim o lugar “misterioso”: Atacama Full Style

Maio 8, 2007

Bem, admitam: foi muito mais fácil que as charadas do Riq. Estou de volta à terrinha (e ao blog), após uma semana no Deserto do Atacama (Chile), o lugar mais seco do mundo, onde em certas partes nunca se viu uma gota de água. Sua média de umidade atmosférica é de 7% – só para comparar, a do Saara é de 20%. Ou seja, não é o lugar mais indicado para se vender guarda-chuvas e nem pastilhas anti-mofo para armários.

Apesar disso, o Atacama é um lugar frio (principalmente agora, no outono), não só devido à grande amplitude térmica comum a desertos, como também pela altitude – San Pedro de Atacama, a vila-base de todas as excursões, fica a 2.500 metros acima do nível do mar. Alguns lugares, como as Lagunas Altiplanicas e os Gêisers do Tatio, ficam a 4.000, 4.500 metros acima do nível do mar.

Assim, durante o dia, a temperatura chegava a uns 22, 23 graus. À noite, caía para uns 9 graus. Nos gêisers, se costuma ir de madrugada, pois suas erupções acontecem por volta das 6:30 da manhã. Isso significa uma temperatura ambiente de uns -10 ºC. Devo dizer que 20 graus para mim já é muito frio, acostumado que sou com o forno do RJ. Ainda havia o problema do soroche – o mal da altitude, que acomete o ser humano em lugares acima de 2.400 metros de altura. As reações normalmente são benignas e dependem muito de cada indivíduo. Normalmente, não passa de uma dor de cabeça. Outros sentem náuseas. A 4.000 metros, uma reduzida parcela dos indivíduos (1% a 2%) desenvolve o edema pulmonar de altitude, causado pelo acúmulo de líquido nos pulmões. E um percentual mais reduzido ainda desenvolve o edema cerebral de altitude, que pode ser fatal em 24 horas. Só para incentivar ;)

Mas quem quer, faz. Tirei meus casacos do armário, comprei uns acessórios, preparei meus remédios de estimação contra alergia, gripe e outros bichos e fui à luta. Agradeço as dicas da Carla, tanto as que ela me mandou, quanto as do seu blog. Foram de grande valia!

1- Atacama 

Saindo do Rio às 7:35 (para variar, acordando 4:15 na primeira segunda-feira de férias…), cheguei em Santiago às 10:00 – fuso horário de -1 h. Fui pela LAN Chile, que me surpeendeu com um excelente serviço de bordo. Parecia até que tinha voltado dez anos no tempo – no tempo em que ainda se servia comida nos aviões. Talheres de metal (!), pratos quentes, saladas, frutas, doces, cerveja e vinho (!!), este em cálices de vidro (!!!), enfim uma refeição decente.

Santiago é uma cidade muito bonita e bem-arrumada (até mais que Buenos Aires), sem sinais visíveis de degradação urbana do tipo que infelizmente vemos aqui. Sobre ela, falarei depois.

Passando aqui pela Cordilheira dos Andes – belíssima visão.

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No dia seguinte, fui para Calama, também pela LAN (1:40 h de viagem), de onde se vai para San Pedro de Atacama (mais 2 h de viagem de van).

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Neste dia, fiz o passeio de 100% dos turistas no primeiro dia de deserto: a Cordilheira de la Sal, passando pelo Vale de la Muerte e terminando com a contemplação do pôr-do-sol no Vale de la Luna. O Vale de la Muerte tem este sombrio nome porque nada vive ali. É aqui que a NASA vem testar seus brinquedos, devido à similaridade com o rigorosíssimo ambiente encontrado em Marte e outros corpos celestes. Já o Vale de la Luna se assemelha à superfície lunar (não disse?), mas o nome também cai bem pela bela visão do nascer da lua que temos ali.

Aqui, uma visão do extinto e onipresente vulcão Licancabur. Repare que ele está a 350 km de distância, mas devido à limpidez e secura do ar, parece muito mais perto.

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Visões da Cordilheira de la Sal e seus vales.

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Abaixo, ao fundo, o vulcão Lascar, ainda ativo e que entra em erupção pelo menos uma vez por ano.

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Caminhando pelo Vale de la Muerte.

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Para se apreciar o pôr-do-sol (ou melhor, o nascer da lua) no Vale de la Luna, deve-se subir uma duna. Importante notar que só se pode subir e descer por um caminho demarcado, por questões de preservação. A multa por descumprimento é bem pesada. Também se deve notar que, devido à altitude, a subida precisa ser feita com bastante calma. Siga o seu ritmo e não se incomode com os outros. Botei todos os bofes para fora, mas consegui.

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Interessante (e belo) observar a profusão de cores que se forma no vale.

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Aqui, a formação conhecida como Três Marias – não, não estamos dentro de uma caverna. É que o guia calculou mal o tempo e também dois turistas franceses nos atrasaram, e quando chegamos, o sol já tinha se posto por completo…

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A seguir: Uma vez flamingo, flamingo até morrer.

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