Bem, admitam: foi muito mais fácil que as charadas do Riq. Estou de volta à terrinha (e ao blog), após uma semana no Deserto do Atacama (Chile), o lugar mais seco do mundo, onde em certas partes nunca se viu uma gota de água. Sua média de umidade atmosférica é de 7% – só para comparar, a do Saara é de 20%. Ou seja, não é o lugar mais indicado para se vender guarda-chuvas e nem pastilhas anti-mofo para armários.
Apesar disso, o Atacama é um lugar frio (principalmente agora, no outono), não só devido à grande amplitude térmica comum a desertos, como também pela altitude – San Pedro de Atacama, a vila-base de todas as excursões, fica a 2.500 metros acima do nível do mar. Alguns lugares, como as Lagunas Altiplanicas e os Gêisers do Tatio, ficam a 4.000, 4.500 metros acima do nível do mar.
Assim, durante o dia, a temperatura chegava a uns 22, 23 graus. À noite, caía para uns 9 graus. Nos gêisers, se costuma ir de madrugada, pois suas erupções acontecem por volta das 6:30 da manhã. Isso significa uma temperatura ambiente de uns -10 ºC. Devo dizer que 20 graus para mim já é muito frio, acostumado que sou com o forno do RJ. Ainda havia o problema do soroche – o mal da altitude, que acomete o ser humano em lugares acima de 2.400 metros de altura. As reações normalmente são benignas e dependem muito de cada indivíduo. Normalmente, não passa de uma dor de cabeça. Outros sentem náuseas. A 4.000 metros, uma reduzida parcela dos indivíduos (1% a 2%) desenvolve o edema pulmonar de altitude, causado pelo acúmulo de líquido nos pulmões. E um percentual mais reduzido ainda desenvolve o edema cerebral de altitude, que pode ser fatal em 24 horas. Só para incentivar
Mas quem quer, faz. Tirei meus casacos do armário, comprei uns acessórios, preparei meus remédios de estimação contra alergia, gripe e outros bichos e fui à luta. Agradeço as dicas da Carla, tanto as que ela me mandou, quanto as do seu blog. Foram de grande valia!
1- Atacama
Saindo do Rio às 7:35 (para variar, acordando 4:15 na primeira segunda-feira de férias…), cheguei em Santiago às 10:00 – fuso horário de -1 h. Fui pela LAN Chile, que me surpeendeu com um excelente serviço de bordo. Parecia até que tinha voltado dez anos no tempo – no tempo em que ainda se servia comida nos aviões. Talheres de metal (!), pratos quentes, saladas, frutas, doces, cerveja e vinho (!!), este em cálices de vidro (!!!), enfim uma refeição decente.
Santiago é uma cidade muito bonita e bem-arrumada (até mais que Buenos Aires), sem sinais visíveis de degradação urbana do tipo que infelizmente vemos aqui. Sobre ela, falarei depois.
Passando aqui pela Cordilheira dos Andes – belíssima visão.

No dia seguinte, fui para Calama, também pela LAN (1:40 h de viagem), de onde se vai para San Pedro de Atacama (mais 2 h de viagem de van).

Neste dia, fiz o passeio de 100% dos turistas no primeiro dia de deserto: a Cordilheira de la Sal, passando pelo Vale de la Muerte e terminando com a contemplação do pôr-do-sol no Vale de la Luna. O Vale de la Muerte tem este sombrio nome porque nada vive ali. É aqui que a NASA vem testar seus brinquedos, devido à similaridade com o rigorosíssimo ambiente encontrado em Marte e outros corpos celestes. Já o Vale de la Luna se assemelha à superfície lunar (não disse?), mas o nome também cai bem pela bela visão do nascer da lua que temos ali.
Aqui, uma visão do extinto e onipresente vulcão Licancabur. Repare que ele está a 350 km de distância, mas devido à limpidez e secura do ar, parece muito mais perto.

Visões da Cordilheira de la Sal e seus vales.




Abaixo, ao fundo, o vulcão Lascar, ainda ativo e que entra em erupção pelo menos uma vez por ano.

Caminhando pelo Vale de la Muerte.




Para se apreciar o pôr-do-sol (ou melhor, o nascer da lua) no Vale de la Luna, deve-se subir uma duna. Importante notar que só se pode subir e descer por um caminho demarcado, por questões de preservação. A multa por descumprimento é bem pesada. Também se deve notar que, devido à altitude, a subida precisa ser feita com bastante calma. Siga o seu ritmo e não se incomode com os outros. Botei todos os bofes para fora, mas consegui.



Interessante (e belo) observar a profusão de cores que se forma no vale.



Aqui, a formação conhecida como Três Marias – não, não estamos dentro de uma caverna. É que o guia calculou mal o tempo e também dois turistas franceses nos atrasaram, e quando chegamos, o sol já tinha se posto por completo…

A seguir: Uma vez flamingo, flamingo até morrer.

Escrito por Arthur 
