Algo que não poderia faltar em um lugar como o Atacama seria uma visão das culturas que ali viveram no passado e do que deixaram para a posteridade (nós). Os arqueólogos identificam a cultura Lickan-Antay como sendo a primeira a habitar o Atacama, datando de 9.000 A.C. suas primeiras manifestações. Ao longo de milhares de anos, várias nações indígenas se estabeleceram no local, muitas com conhecimentos sofisticados, como a mumificação de seus mortos (povo chichorro), o que demonstra terem possuído suas próprias concepções sobre a vida, a morte e o além-túmulo. Após a chegada dos conquistadores espanhóis, estes povos ou foram exterminados ou mestiçados, compondo as atuais populações da região, que se esforçam para manter vivas algumas tradições.
Algo que os atacamenhos se especializaram em construir entre os séc. XI a XIV foram os pukarás – cidadelas fortificadas, no alto de colinas, de onde podiam tocar sua vida e se proteger de agressores. Pertinho de San Pedro, há o Pukará de Quitor, construído no século XII.

Dada sua natureza, exige um certo esforço para percorrê-lo até o topo.

Mas vale a pena.




“Espionagem”: este é o resort que está sendo construído às margens do rio San Pedro, perto do pukará de Quitor. Dizem que será ainda mais luxuoso que o Explora – que cobra US$ 3.000,00 por semana aos seus distintos hóspedes.

Finda a visita, fomos visitar o sítio arqueológico da Aldeia de Tulor, datada de 400 A.C.
O verão é a época das tempestades de raios. Isto é o que um deles fez nesta formação rochosa, em janeiro último.

Os restos da aldeia foram descobertos em 1958 pelo padre Gustavo Le Paige (cujo nome batiza o Museu Arqueológico de San Pedro de Atacama). Estas “ocas” abaixo são réplicas.

Abaixo, os verdadeiros restos. A comunidade se organizava como uma colméia, com cada casa se intercomunicando com a outra. Os visitantes caminham por uma passarela, para evitar danos ao sítio arqueológico.

Outro pukará aberto à visitação é o Pukará de Lasana (lasana mesmo; lasanha é com o Garfield), localizado no pueblo de mesmo nome e também datado do séc. XII.



Algo muito interessante aqui são os petróglifos (inscrições na pedra). Na ordem: lhama, lhama grávida e homem sendo atacado por martelo gigante (Eram os Atacamenhos Astronautas?)…



Sobre a cultura mais recente, um outro ponto de interesse é a igreja de São Francisco de Chiu Chiu, no pueblo de mesmo nome, construída no séc. XVII em forma de cruz latina – praxe dos jesuítas – mas no material típico do Atacama: blocos de adobe (barro, vegetais e estrume de lhama) e madeira de cacto, amarrada com tiras de couro de lhama. Do bichinho se aproveitava tudo.

Cúmulo do kitsch: São Francisco rodeado por oferendas de bichos de pelúcia…

Abaixo, o povoado de agricultores de Caspana – talvez o mais “autêntico” da região.


E já que falamos de igrejas, esta é a igreja de San Pedro de Atacama, que não poderia faltar.

Seria interessante terminarmos este capítulo com uma visita ao já citado Museu Arqueológico Gustavo Le Paige, mas ele fechou para reforma bem no dia em que eu pretendia visitá-lo e só reabrirá em 13 de maio. Tudo o que teremos, portanto, será esta foto abaixo…

A seguir: com gás, por favor.

Escrito por Arthur 
