A Viagem – 3

Fevereiro 2, 2007

Canindé de São Francisco – 15/05/2006 a 17/05/2006

Lembram da chuva que insistia em me perseguir desde a ida à Chapada Diamantina, e da qual eu sempre conseguira heróica e afortunadamente escapar? Pois bem, dessa vez ela não deu trégua. O tempo virou em Sergipe, conforme escrevi no último post, e a chuva veio com tudo, como que para compensar as últimas duas semanas.

O hotel onde fiquei em Canindé, o Xingó Parque Hotel, também era o responsável pelo traslado. Sete horas da manhã. E eu ansioso com a chuva, esperando que, como nas vezes anteriores, ela se dissipasse à medida em que eu caminhava ao meu destino. Que nada. O motorista disse que a coisa mais rara do mundo era essa chuva no agreste, em Canindé. Pois é.

O hotel segue um estilo rústico e é bonito por fora. Porém, os quartos são, por algum motivo, cinzas – o piso é cinza, os azulejos são cinzas, a fórmica que revestia as paredes era cinza – parecia até que o prédio tinha sido anteriormente um hospital.

E descobri que fui no dia errado – a cidade pega fogo no final de semana, quando vem os turistas. Segunda-feira não tinha ninguém. Acho que eu era o único hóspede. E não há passeio de catamarã no Canyon do Xingó, o grande atrativo, às segundas. Ou seja, eu não precisava ter ido para lá às 7 da manhã (quando tem o passeio, sai às 11:00)… Informação é tudo, viajantes.

Fui almoçar no hotel. A diária incluía pensão completa – antes não incluísse. Depois direi porque.

À tarde, visitei a Hidrelétrica do Xingó, muito interessante. Foi a construção da represa que criou o Canyon do Xingó, transformando-o em atração turística. Ou seja, o Canyon é artificial, resultado do represamento das águas do São Francisco.

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Esta é a ponte que liga Alagoas a Sergipe, sobre o São Francisco.

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Visão da represa, do vazadouro, de uma comporta e de uma turbina. As visitas são pagas (R$ 20,00) e guiadas. No início, assiste-se um pequeno documentário sobre a construção.

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À noite, comecei a ter sintomas estranhos. Uma diarréia se aproximava. Então lembrei que a comida do hotel não estava com um gosto nem cheiro bom no almoço, tampouco no jantar.

Brilhante: chovendo, ameaçando não ter o passeio de catamarã no dia seguinte, e se tivesse, eu com uma infecção intestinal…

No dia seguinte, entupido de Imosec, Novalgina e Floratil, fui no Canyon do Xingó. Sim, houve o passeio, embora nublado.

O trajeto se inicia no Restaurante Karrancas, percorre um bom trecho do Canyon e pára em um flutuante, em frente a uma gruta, para mergulho. Leva em torno de três horas e é muito bonito.

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Esse é um dos catamarãs. Na verdade, este faz o passeio pela represa, mas o modelo é o mesmo.

A “Águia” e o “Índio”, formações nas paredes rochosas.

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Um estreitamento do Canyon, e a imagem de São Francisco, numa reentrância entalhada na parede do Canyon.

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Esse é o pier flutuante, onde se mergulha, e os meninos no bote fazem um mini-passeio até a entrada de uma gruta, por módicos R$ 1,00.

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Infelizmente as fotos não ficam legais com o tempo nublado, mas o passeio vale muito à pena. E por falar em tempo nublado, na volta começou a chover e ventar. E o catamarã era aberto. Ótimo para quem já estava mal…

Ao fim do passeio, os turistas costumam almoçar no próprio Karrancas, onde já se reservou previamente a refeição. Porém, como estava sem apetite nenhum devido à infecção, fui para o hotel.

De tarde, dei um pulo na cidade alagoana de Piranhas (no  bom sentido), que faz fronteira com Canindé. Fica do outro lado da ponte sobre o rio. Foi desta cidade que partiu a volante (pelotão) que matou Lampião.

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Nesta antiga estação ferroviária, há um pequeno Museu do Cangaço.

No dia seguinte, bem mais recuperado, visitei o MAX – Museu Arqueológico de Xingó, que oferece um panorama dos antigos nativos da região. O museu é muito interessante.

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E voltei para Aracaju. Estes passeios no Canyon e a visita ao Museu podem ser feitos em um dia, desde Aracaju, num esquema “bate-e-volta”. Na minha opinião, embora a hidrelétrica seja também interessante, acho que não me justificou ter ficado mais de um dia por lá, até devido ao clima chuvoso que encontrei e outros fatores. Há também uma trilha até a Grota do Angico, onde Lampião foi capturado e morto, mas não pude realizá-la pela falta de quórum de turistas na cidade, e pela chuva, etc…