LEITOR RESMUNGÃO: Que trilogia é essa que tem 4 partes?
BLOGUEIRO MAIS RESMUNGÃO AINDA: Primeiro, quem disse que iria ser uma trilogia? Segundo, tudo indica que será, no mínimo, uma enealogia…
Lembrando que Cartagena de Indias faz parte da Costa Caribenha, há bons passeios para se fazer por lá e ser introduzido (no bom sentido) nas belíssimas águas do Caribe. O mais conhecido é o passeio até o Arquipélago de Las Islas Del Rosário, a uns 40 km a sudoeste de Cartagena (aprox. uma hora de viagem numa lancha rápida), composto de trinta ilhas de diversos tamanhos formadas por corais, mas todas com a presença humana - quer dizer, pelo menos uma casinha você encontra nelas. Devido à riqueza da flora e fauna marinhas, trata-se de um parque nacional colombiano, com o nome oficial de Parque Natural Corales del Rosario e San Bernardo.
O receptivo (Gema Tours) me ofereceu passeios a uma das três ilhas principais: Isla del Pirata, Isla de San Pedro de Majagua e Isla del Sol – estes passeios duram o dia inteiro, e só se visita uma das ilhas. Confesso que, completamente perdido, usei a teoria dos jogos com uma pitada randômico-aleatória, ou seja, chute. Pareceu-me mais interessante a Isla del Sol (não confundir com a ilha de mesmo nome no Lago Titicaca…), pelo que vi nas fotos do folheto. Preço: 105.000 pesos colombianos.
E gostei! O passeio inclui transfer do hotel até à marina, transporte de lancha rápida ida e volta, almoço, guia para o snorkel e, perdão, confesso que não lembro se incluía o equipamento (máscara, snorkel e pés-de-pato). De qualquer forma, se não incluía, era barato. Para eu não me lembrar, é porque ou foi de graça ou era pouco…
Não inclui a entrada na marina (4.700 pesos) nem o ingresso ao parque natural (5.700 pesos). Notaram que dá exatamente 10.000 pesos? Também não inclui passeios opcionais na ilha.
E também não inclui o transfer de volta ao hotel. Pegue um táxi (5.000 pesos). Achei até melhor tomar um táxi do que voltar a entrar numa van e esperar “devolver” todo mundo aos seus hotéis – em qualquer lugar que eu esteja, sou sempre o último, não sei porque – ainda mais no fim do passeio, quando todo mundo já está cansado.
Chegando à marina, enfim encontro o Pérola Negra, abaixo. Mas a tripulação estava em greve. Consta inclusive que, há 50 anos atrás, devido aos péssimos serviços prestados, ao aumento da passagem e às constantes greves, a população colombo-caribenha-niteroiense se revoltou e quebrou tudo, num conflito que durou dois dias. O sagaz, intrépido, ousado e escalafobético Capitão Jack Sparrow fugiu, vestido de mulher, estrategema bem do seu feitio. Depois, tudo foi reconstruído, e hoje continua a mesma coisa. Mas isso é uma outra história…

Durante a viagem, já se vêem algumas das ilhas do arquipélago, transformadas em casas de veraneio.


E enfim chegamos à Isla del Sol, onde há uma pousadinha simpática que faz o papel de receptivo (quem é mesmo que não gosta de cadeiras de plástico?)

(ATUALIZAÇÃO: o nome da pousada é Hotel Isla del Sol, mas após 18 dias procurando obsessivamente na internet um site ou telefone de contato, não encontrei. Ficarei devendo. Ponham na conta do Papa. Ou, sugestão – quem quiser hospedar-se nessa ou em outras pousadas das outras ilhas, faria bem em contatar um receptivo em Cartagena para providenciar a reserva e o traslado.)
Abaixo, um pescador local mostra o resultado do seu trabalho – duas boas lagostas. Mas não foram para o nosso bico, infelizmente…

Depois dos trâmites burocráticos necessários para o snorkel (“qual o tamanho do seu pé?”, “Qual seu nome?”, “Se morrer afogado, infartado, ferroado por uma arraia ou degustado por um tubarão, a quem devemos comunicar?” e etc.), enfim mergulhei naquelas águas transparentes há muito aguardadas.

Dependendo da sua pele, lembre-se que você está nos trópicos ao sol do meio-dia; use um protetor solar à prova d’água FPS 45, no mínimo. Eu comprei um frasco pequeno, no Brasil, devido às malditas restrições de líquidos em bagagem, e o filtro era FPS 30 e não era à prova d’água. Resultado desse dia: costas de camarão. Depois comprei um FPS 60 em Cartagena. Ao ler a bula, vejo: “Hecho en Brasil”… Só de raiva.
Como nada-se bastante, a mesma lancha que fez o transporte fica por perto para apoio. Os recifes são lindos e imensos, com várias formas de vida marinha. Qualquer lado que você olhar, qualquer lado que você se dirigir, você vai encontrar algo belo e interessante. Mas não se afaste muito do guia!
(ATUALIZAÇÃO: devido a confusões do PICASA, substituí a foto editada abaixo, que estava aparecendo com o céu rosado, pela foto original. Céu rosado agora, só em Marte.)
(ATUALIZAÇÃO 2: atendendo a pedidos, voltamos com a foto editada, que caiu no gosto do povo, como se pode ver nos comentários. Agora vocês podem curtir as duas: a normal e a expressionista pós-andy warholiana…)


Uma ressalva: como minha câmera não é submarina e não encontrei lojas que alugassem digitais com caixa estanque, todas as fotos abaixo (salvo dito em contrário) são do CD-ROM da Aquanautas, empresa turística de escafandros em San Andrés (falaremos disso depois), que fotografa e grava mergulhos e oferece junto um banco de imagens da fauna marítima caribenha. Para ser honesto comigo mesmo e com os distintos leitores, só inseri imagens do que eu realmente vi durante os vários mergulhos que fiz na Colômbia. Por exemplo, no mencionado CD, há uma foto de um cavalo-marinho, mas como eu não vi nenhum cavalo-marinho, não coloquei no post. Entenderam? Então vamos lá.

Anêmona (Condylactis Gigantea).

Peixe-Anjo – ou Frade-real, no Brasil.

Peixe-Frade.

Mais um Frade-Real dando umas beliscadas – lunch time.

Casal de Frades.

Peixe Baliste – ou Cângulo, no Brasil.

Chopas (espanhol) – Spondyliosoma cantharus (ATUALIZAÇÃO: achei o nome brasileiro – Pirajica!)

Cardume de Peixes- Cirurgiões.

Coral com Frades e Cirurgiões.

Coral com Xiras, Peixes-Borboleta, Cirurgiões e outros.

Coral-Dedo.

Esponja do mar.

Ouriço-negro no seu habitat natural, um coral - cuidado ao passear em corais… Mesmo se o coral estiver morto, use sapatilhas aquáticas, sandálias papete ou outra proteção, senão você vai se ferrar literalmente.

Peixe-Papagaio (pela cor, deveria se chamar peixe-arara…)

Estrelas-do-mar.

Peixe-Flauta.

E, last but not least, o onipresente Sargentinho. Se você já fez snorkel no Brasil, já o conhece de outros carnavais (foto: Mayra Costa – www.flick.com).
Após o snorkel de uma hora e um breve mergulho na piscina da pousada, o almoço. Por sinal, muito bom para “almoços incluídos” – sopa de peixe de entrada, posta frita de pargo, arroz de coco, salada e o patacón: pedaços de banana-da-terra (ou banana-pacova, no Norte e Nordeste), cortados em fatias grossas, fritos em óleo ou azeite por um curto tempo e depois amassados com um murro numa frigideira por cima (ou um prato), quando voltam a fritar definitivamente, levando um pouco de sal. Não tem batatas ao murro? Então, tem bananas ao murro aqui. É gostoso e parece um biscoito, um cookie. Acompanha tudo na Colômbia: peixe, frango, boi, porco, café da manhã, etc. OBS.: Não confunda com as bananas-chips que são fritas e vendidas em Manaus e Belém; estas são cortadas bem finininhas e bem salgadas, como se fossem batatas fritas.
Sabem o Guaraná Jesus do Maranhão (rosa) e a Inka Cola no Peru (amarela)? A Colômbia também tem seu refrigerante nacional, o Postobón (também rosa e com o mesmo gosto dos outros dois). Aproveite.
Após o lauto almoço (e com o resto do buffet sendo atacado por uma horda de marias-mulatas), foram oferecidos dois passeios opcionais: um show de golfinhos – muito “Miami” para mim – e um passeio pelos manguezais de duas lagunas interligadas da ilha. Evidentemente, fui neste último (16.000 pesos).
Após uma caminhada, chegamos, eu e o barqueiro, ao ancoradouro (eufemismo – é só o barco a remo amarrado numa pedra) e fomos ao momento “Globo Repórter”.

Como se sabe, os manguezais são essenciais para o equilíbrio do ecossistema marinho: as raízes de suas árvores funcionam como berçários de peixes e outros seres do mar, protegendo-os de predadores até que eles estejam aptos à dura vida lá fora. Até corais rosados se formam nestes manguezais.

Chega-se a uma pequena laguna…

…e logo se atravessa o caminho para a outra, um pouco maior. Segundo o barqueiro, alguns casais passeiam por aqui à noite, pois a laguna fica repleta de plâncton bioluminescente. Ou seja, basta mergulhar e você sairá brilhando d’água. Muito erótico.

Esta ilhota marca a “foz” da laguna com o mar.

E lá vai o turista chato aporrinhar uma estrela do mar e uma água-viva que estavam tranquilamente vivendo sua vida…


OBS.: todas foram devolvidas ao mar, sem serem molestadas. Nenhum animal foi morto ou ferido na elaboração deste post.
Inveja dessa casinha. Claro, que, se eu a adquirisse, iria instalar luz elétrica, água corrente, hidromassagem, ar-condicionado, TV LCD 50”, frigobar, churrasqueira, heliporto, marina e garagem para três carros. Hum, pensando bem, acho que iria destoar do ambiente. Esquece.

Na caminhada de volta, passando pelo povoado da ilha. Gente simples e tranquila, que afirma não trocar este lugar por nenhum outro. Parece ingenuidade, idolatria à “pobreza” ou pura demagogia, mas é o que eles dizem. E quem sou eu para discordar?

Mais um bom mergulho na piscina da pousada – por sinal, piscina de água salgada - e uma última visão da Isla del Sol, pois a lancha nos espera:


E voltamos à Cartagena. No dia seguinte, embarquei para San Andrés. A seguir.
Hotéis em Cartagena – veja aqui.
Turismo em Cartagena – veja aqui.