Piratas do Caribe – Epílogo

Julho 2, 2009

Considerações Finais: Homenagem ao Povo Colombiano

Esta viagem à Colômbia me deixou muito feliz. Primeiro, por ter sido muito mais do que eu esperava; segundo, por ter ajudado (espero) a desfazer preconceitos e temores existentes em mim e nos leitores, pelo que eu vi nos comentários. Como eu mesmo escrevi na primeira parte dessa jornada: “Para muita gente, quando se fala em viajar até a Colômbia, o que vem à mente é um país violentíssimo, dividido em uma guerra civil que já se arrasta há mais de 40 anos, com atentados e tiroteios em qualquer lugar. Eu mesmo pensava assim e, até uns dez anos atrás, isso não deixava de ser verdade (…)”.

Antes de continuar, gostaria de conversar “virtualmente” com vocês, numa mesa de chope. Eu pago.

Não sou dado a excessos emotivos, nem ao que se pode chamar de “pataquadas”, especialmente quando escrevo neste blog. Respeito quem é assim, mas esse é o meu estilo. Porém, não me furto a esculhambar – o termo é esse mesmo – acontecimentos que superam em horror e desrespeito a nossa já tradicional miséria cotidiana, como aqui, aqui (prestem atenção na data) e aqui. Mais uma vez, isso sou eu. Evidentemente, não acho que alguém tenha obrigação de me acompanhar, nem quero ser líder ou guru de ninguém.

Sou agnóstico – considero que “a compreensão dos problemas metafísicos, como a existência de Deus, é inacessível ou incognoscível ao entendimento humano na medida em que ultrapassam o método empírico de comprovação científica. Assim, o conhecimento da existência de Deus é considerado impossível para agnósticos“. Isto é ficar em cima do muro entre ateus e crentes? Não, é simplesmente reconhecer que nossa mente é incapaz de provar a existência (ou não) de um Deus ou Deuses.

Se dizem que depois dos trinta, o indivíduo não tem mais o direito de ser ingênuo – aí é burro mesmo – que dirá chegando aos quarenta, como eu. Como disse Paulo Francis numa citação, “morrer é como antes de termos nascido” – 30 Anos esta Noite, Cia. das Letras, 1994.

Mas sigo o Pedro Doria, ateu, quando ele diz que “não faço a linha Richard Dawkins, que acha que a religião é um mal a ser extirpado do mundo“. Concordo. Apesar de séculos de intolerância e crueldade (como bem mostrou o Museu da Inquisição em Cartagena), que ainda persistem em setores retrógrados da Igreja Católica e das outras diversas religiões, a verdadeira fé é algo bonito de se ver.

Mas um momento em especial me emocionou nesta viagem – uma imagem, captada no lugar e tempo corretos, que fiz questão de deixar para o final.

Pois viajei para um país que foi literalmente sequestrado durante anos por psicopatas vagabundos, à “direita” e à “esquerda”, tudo em nome da “ideologia” – essa palavrinha muito bonita que serve de cobertor para as maiores atrocidades cometidas neste e no século passado. Um país que por pouco, não se tornou o Sudão da América do Sul, e que só agora começa a se recuperar. Pois encontrei pessoas alegres, uma belíssima cultura, cidades vibrantes, paisagens maravilhosas. Digo isso porque estive só nas áreas turísticas? Não. A Colômbia ainda tem suas mazelas, entre elas o maior número de refugiados internos do mundo – milhões de seres humanos postos a correr de suas casas, devido aos senhores que se acham acima do bem e do mal.

A guerrilha continua, nas selvas amazônicas, engajada na sua luta revolucionária – leia-se: sequestrar pessoas, exigir resgates e vender uns quilos do ”branco” e do “preto” por fora. Deve ser isso que Marx chamava de “acumulação primitiva do capital”. Mas tomou bastante porrada no ano passado, e que continue assim.

Porém, basta lembrar que, até há uns anos atrás, pagava-se pedágio às AUC – Autodefesas Unidas da Colômbia, paramilitares de direita, que já se entregaram, na estrada para Cartagena. Basta lembrar que, até alguns anos atrás, 40% do território colombiano não estava em poder do Estado.

Por tudo isso, eis a foto que me comoveu, tirada no Castillo de San Felipe de Barajas, e que vai como uma pequena homenagem ao povo colombiano:

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Colômbia, que o sol brilhe por ti. E que sua sofrida gente encontre o caminho da paz e do desenvolvimento que tanto merece, mesmo depois de todos esses anos – assim como Florentino Ariza só encontrou seu verdadeiro amor, Fermina Daza, cinquenta e três anos depois.

Mas encontrou.


Piratas do Caribe – Parte 8

Junho 28, 2009

E a saga está quase chegando ao seu fim…

Mapas do Arquipélago de San Andres e Providência para os leitores se situarem melhor (http://www.posadasturisticasdecolombia.com/):

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Existe um passeio de dia inteiro até a ilha de Providência, acima, feito de avião. Como o dito cujo sai às 7:30 da manhã (o que implicaria em acordar às 6:00, no mínimo) e provavelmente seria um claudicante teco-teco, não me senti compelido a aquiescer tal proposta, muito embora a ilha pareça ser bem interessante, pois é, digamos, mais “selvagem” que San Andrés. Infelizmente, não perguntei se há algum traslado de barco, mas isso também implicaria em um pernoite na ilha. Quem quiser, fica a sugestão. As pousadas estão no link acima.

Sobre a “night’” em San Andrés, ela se dá na Peatonal (calçadão, rua de pedestres em espanhol). Se você está no Decameron Aquarium, saia à direita do hotel e vá andando pela calçada. No caminho, você verá alguns restaurantes e bares de frutos do mar que me pareceram bem interessantes, mas esse é o problema de ficar num resort “all inclusive” – você se acomoda…

Depois de alguns minutos, você verá uma curva aberta para a esquerda. Continue e você passará pelo Decameron Los Delfines, o resort “boutique” da rede. Mais um pouco de caminhada e você encontrará a Peatonal, calçada com tijolinhos avermelhados e várias galerias comerciais com lojas de griffe, bares, restaurantes, caixas eletrônicos e até um cassino na diagonal direita da rua. Ali acontece o “footing”. Quem conhece a rua principal de Porto de Galinhas ou a Rua das Pedras em Búzios, achará familiar.

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(Foto: http://www.sanandres.gov.co)

É uma rua muito agradável para se ir. Mesmo se você já tiver enchido a pança no seu resort, faça a digestão caminhando por lá (e torrando sua plata em compras).

Após essas informações gerais, voltemos ao diário sanandresano: no dia seguinte, fiz o mergulho de escafandro pela Aquanautas, em” La Piscinita”, um belo lugar para esse tipo de atividade, devido à rica fauna marinha e águas cristalinas, também mencionado no Pergaminho Eletrônico da Meilin, que está fazendo a cobertura paralela desta viagem ;) . Não há praia, apenas uma escada e um trampolim para se descer n’água, além da infra-estrutura da empresa – uma balsa com os capacetes e cilindros de ar. Custo: US$ 58,00 com transporte (táxi), ingresso na “Piscinita” (que normalmente é de 2.000 pesos) e equipamento (capacete e sapatilhas) incluído.

Após a apresentação de um DVD explicando os cuidados básicos e como se dá o passeio de meia hora, que vai até 8 metros de profundidade – o limite de mergulho sem correr riscos de descompressão e sem precisar voltar à superfície fazendo pausas é de 10 metros - descemos até a balsa, com o instrutor.

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Claro que o capacete de escafandro hoje em dia é uma cúpula de fibra de vidro e plexiglass, não é aquele capacete redondo de cobre com janelinhas gradeadas dos desenhos animados…

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O princípio é simples: o oxigênio é injetado sob pressão no capacete através do tubo que vem da balsa, onde estão os cilindros. O próprio peso do capacete já faz você afundar, e a pressão do ar impede que a água entre, a não ser que você se incline ou caia. É com isso que se deve prestar atenção, e assim, há uma corda debaixo d’água que serve de “corrimão”. Pode-se até meter a mão dentro do capacete para fechar o nariz e engolir, compensando a diferença de pressão – a velha sensação no ouvido de “subir a serra”. Confesso que depois de uns 5 metros, isso já não adiantava mais… Pode-se inclusive ir de óculos de grau, se você os usa. E como a profundidade a que se desce é relativamente pouca, não é necessário roupa completa vedada, usada em escafandros profissionais.

E chega o momento obrigatório de todo turista: “pagar mico”… ;) Não, meu amigo, você pode fugir, mas não pode se esconder para sempre.

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Todas as fotos foram tiradas pelo instrutor da Aquanautas, que depois grava um CD-ROM com suas fotos, juntamente com um banco de imagens da fauna e flora marinha, que utilizei nestes posts (conforme explicado em Piratas do Caribe – 4). Preço: 65.000 pesos. É, isso não está incluído…

E aí? Bem, para quem nunca fez mergulho de cilindro, como eu (ou no momento da viagem, está impedido de fazer), vale muito a pena. É muito divertido, a não ser que você tenha claustrofobia, medo de sufocar, etc. Mas se você já sabe e pode mergulhar de cilindro, dispense. Evidentemente, o mergulho de scuba é muito melhor.

No outro dia… a velha história do city-tour incluído. Não sei, mas acho que eu poderia ficar dormindo e arrumar minhas coisas com calma. Como já falei, o check-out se dá às 13:00, e eu já estava vendo que o tour não iria acabar antes disso, então consegui negociar uma extensão até 13:30. Mas ainda teria que retornar, tomar banho e almoçar. Tudo acontece com um ansioso. Se for um ansioso com pressa e horário marcado, pior ainda.

Bom, o tour sai de uma agência no Hotel Sunrise, depois da marina Toninos, e é feito numa “réplica” de uma chiva – os ônibus típicos da Colômbia e outros países latino-americanos.

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Primeira parada: Casa-Museu, onde se tem uma amostra da rude vida dos primeiros colonizadores ingleses e de sua arquitetura.

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Uma amostra das ferramentas para extração de coco, da esquerda para a direita: facões, medidor de circunferência (se o coco fosse menor que ele, seria destinando ao consumo interno) e escalador de palmeiras. A palha do coco era usada para se escovar os dentes e também como, digamos, papel higiênico. Necessariamente nessa ordem, por favor.

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Aposentos da época. Não, gente, não tinha água corrente, nem TV LCD com 200 canais, nem frigobar, nem ar-condicionado, nem MP3.

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Depois da Casa-Museu, segunda parada: o Museu e a Gruta de Morgan. Henry Morgan, como se sabe, foi um gentilíssimo corsário galês que atormentou o Caribe no século XVII e terminou sua vida como um rico fazendeiro e governador da Jamaica. Dizem que ele tinha 48 mulheres, o que me faz pensar no inferno de todas elas quererem discutir a relação ao mesmo tempo. Talvez por isso ele surtasse e se entregasse a espasmos de crueldade por aí.

Objetos tipicamente piratas, como você veria na Disneyworld.

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Uma “réplica” de um dos navios de Morgan, o Saint Pauli. Tire sua foto segurando o timão e sinta-se o próprio.

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E aqui, a Gruta da Lapinha, na Chapada Diam…, quer dizer, a Gruta Azul, em Bonit… NÃO! Essa é a Gruta de Morgan, onde, segundo a lenda, há uma passagem secreta para uma praia deserta e paradisíaca. Mais uma vez, é a prova da existência da Matrix. O programador criou uma gruta com águas subterrâneas e deu copy-paste por vários lugares do mundo. Já falei sobre isso…

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Aliás, viajando do Caribe para o Nordeste: vocês sabem como foi criado o litoral de Alagoas? O “world-designer” fez um cluster com um pedaço de areia, um coqueiro em cima, um pedaço de mar verdinho, e saiu arrastando com o botão direito do mouse, até preencher tudo. Igual a Sim City.

Terceira parada: nossa já conhecida “La Piscinita”. Você pode combinar com um taxista por 30.000 pesos (pelo menos esse foi o valor do “vale” que eu vi a agência de turismo dar ao taxista que me levou ao Aquanautas, no dia anterior) para ele te levar, esperar você mergulhar, almoçar – há restaurantes ali – e voltar. Aqui se paga os 2.000 pesos para entrar, que, como disse, já estavam incluídos no Aquanautas.

Veja que mesmo com uma foto tirada fora d’água e do alto do penhasco, a profusão da fauna marinha e a beleza das águas é impressionante. Vale muito a pena um bom snorkel lá. Tire uma manhã para isso.

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Aqui, fiz amizade um um casal de equatorianos, sendo que o rapaz conhecia o Rio de Janeiro como a “palma da mão”, segundo suas próprias palavras, pois já estivera no Rio a trabalho. Quando a senhora esposa dele se afastou para tirar fotos, tivemos uma conversa de homens e saquei o que ele quis dizer com conhecer o “Rio como a palma da mão”… ;)   Não reproduzirei o teor desta conversa aqui, pois este é um blog de família. Essas viagens a trabalho são a grande oportunidade para o homem sério. Um dia ainda vou contar sobre uma viagem a trabalho que eu, solteiro, fiz a Belo Horizonte há mais de dez anos atrás, e quando vi que o grupo que me acompanhava era composto de homens casados, ingenuamente achei que não teria ninguém para me acompanhar na farra. LEDO engano. Chega, antes que eu seja definitivamente marcado como um porco chauvinista.

Quarta parada: o Hoyo Soplador. Como diz o nome, a água do mar entra por um túnel subterrâneo…

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… e sai por este orifício no solo junto ao mar, juntamente com uma boa rajada de vento. Infelizmente o Hoyo Soplador não quis soprar neste dia, este buraco escatológico e traidor e que se presta a várias piadinhas de duplo sentido. Mas a indecência está na cabeça de quem lê. :mrgreen:

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E, com pressa para voltar ao hotel – lembrem-se do meu problema particular de fechar a conta até às 13:30, como fora negociado – peguei uma van da agência de turismo, que o guia e o motorista gentilmente arrumaram para mim, e voltei para o hotel. Dei 5.000 pesos de gorjeta. Tomei banho, almocei, passei a régua e fui para o aeroporto, para a inevitável volta ao Brasil.

Enfim, com a saudade já batendo forte enquanto escrevo estas linhas (mais clichê impossível), deixei a Colômbia, maravilhado e agradavelmente surpreendido por uma viagem da qual eu nem esperava tanto. E aí compreendi em sua plenitude o slogan oficial do Órgão de Turismo Colombiano: ” Colômbia, o perigo é você querer ficar“.

Colômbia, I’ll be back.

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Informações úteis:

Documentação – passaporte com validade superior a seis meses da expiração e certificado internacional de vacinação contra a febre amarela.

O que levar – roupas de praia, filtro solar, óculos escuros, boné, snorkel e máscara – se você tiver o seu – e um moleton ou malha se você tem frio no avião (ou mesmo na conexão em Bogotá. Se você também ficar uns dias em Bogotá – altamente recomendável, mas não deu tempo - leve mais roupas de frio), além dos seus remédios de estimação. De qualquer forma, um moleton não custa nada de levar, né?

Moeda – R$ 1,00 = 1.100 pesos colombianos. Na Aerocambios do Aeroporto de Bogotá aceitam reais.

Quando ir – a época que eu fui (maio) é boa. De outubro a dezembro chove mais. A região não está na área dos furacões.

Links úteis -

http://www.colombia.travel/es/

http://www.sanandres.gov.co/turismo/sea_en.php

http://www.lonelyplanet.com/colombia

http://www.turismocartagenadeindias.com

Livros – Colombia, Krzysztof Dydyński – Lonely Planet, 2003

Para entrar no CLIMÃO -

Qualquer livro de Gabriél Garcia Marquez, principalmente “O Amor nos Tempos do Cólera”, tanto o livro quanto o filme de 2007 com Javiér Barden, Giovanna Mezzogiorno, Fernanda Montenegro, Liev Schreiber e John Leguizamo (Direção de Mike Newell);

Trilogia Piratas do Caribe 1, 2 e 3, com Johnny Depp, Geoffrey Rush, Keira Knightley, Orlando Bloom, Bill Nighy, Chow Yun-Fat, Jack Davenport, Jonathan Pryce, Stellan Skarsgard e participação especial de Keith Richards (2003, 2006 e 2007 – Direção de Gore Verbinski);

Os Piratas – pág. 138, volume 1, e Os Corsários – pág. 444, volume 2 / Enciclopédia do Mar – Editora Abril, 1975, 4 volumes (mais uma do fundo do baú!)

Depois continuamos. Ainda não acabou!


Piratas do Caribe – Parte 7

Junho 23, 2009

No outro dia, fui ao passeio à ilha de Johnny Cay, ilha tipicamente caribenha, com coqueiros, areia branquinha e um mar cristalino em volta. Claro que não é uma ilha deserta; mas, leitores, vamos pensar sobre o assunto: a questão da “muvuca” é relativa. Quanto mais gente puder viajar e conhecer o mundo, melhor – “Viajar é fatal para preconceitos, intolerância e estreiteza de visão” - Mark Twain. Desde que o turismo seja sustentável, ou seja, não despeje num lugar mais pessoas do que o ambiente pode comportar (como Noronha, onde há um limite diário de turistas), e os visitantes saibam preservar a fauna e a flora, bastando para isso serem orientados e fiscalizados pelos guias e guardas locais, ótimo. Eu me sentiria egoísta em querer um lugar só, só, só para mim – coisa cada vez mais difícil de achar, nesse “mundo globalizado”. Para isso tenho minha casa. E por falar em casa, quem viaja e reclama que “tal lugar é cheio de gente, um horror”, parece o camarada que mora num prédio indevassável, aí começam a construir outro edifício em frente ao dele, e o sujeito reclama: “PQP, esse prédio vai tirar minha bela vista!!! Isso é um absurdo!”. Amigo, e o seu prédio, também não tirou a vista de alguém?

Conforme disse o Anthony Bourdain no Havaí, sobre um luau “fake” para turistas, com shows típicos, animadores chamando o público para dançar, etc. (e olha que ele é muito mais sarcástico do que eu): “São pessoas que trabalham duro, aposentados, que mal há se eles querem pagar mico uma noite? Eles têm o direito de se divertir”. Eu completo: se os turistas que regressarem de qualquer lugar do mundo tiverem aberto um pouco suas mentes, interagido com outras culturas e guardado ao menos uma pequenina, mas boa e saudosa lembrança do lugar visitado, que bom. Ficarei feliz por isso.

Mas voltando à vaca caribenha, o passeio custa US$ 21,00 e também sai da mesma marina Toninos, já mencionada no post anterior, com uma parada no banco de areia igualmente citado no post anterior – “El Acuario” ou Rose Cay.

Parênteses: ainda não mencionei, mas a língua falada em San Andrés, além do espanhol, é o inglês creolle (devido à primeira colonização inglesa, já citada), um dialeto que mistura tudo e no final todos se entendem. Uma zorra total, o que faz com que você comece uma frase em espanhol e termine em inglês ou vice-versa. Hoje, pensando bem, nem sei como me virei…

No caminho, o encontro das águas caribenho ;)

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Ao chegar em “El Acuario”, há um restaurantezinho onde você pode alugar snorkel e sapatilhas, por 6.000 pesos, fazer um passeio de barco com fundo de vidro para observar os peixes (4.000 pesos) ou simplesmente deitar na areia e não fazer nada até o almoço (já incluído). Também há armário para guardar suas coisas.

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Cabe algumas observações no passeio de barco (meia hora), se você for:

1- Não fique obcecado em fotografar o fundo do mar. Os visores são pequenos e é praticamente impossível focar direito. Curta com seus próprios olhos.

2- O barco é de casco simples, o que é a causa dos visores serem pequenos, na medida em que seu centro é cortado pela quilha. Deveria ser um catamarã, e o fundo de vidro seria amplo e inteiriço, na junção entre os dois cascos. Entre outras qualidades, tenho doutorado em Engenharia Naval pela Revell.

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Viram o que eu quis dizer?

Depois do passeio, fui fazer o que eu mais gosto: snorkel. Há várias mini-barreiras de corais concêntricas, e pode-se passar de uma a outra, sempre tomando cuidado com os ouriços.

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Outro baiacu.

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Peroá-rei, bem camuflado (Aluterus Scriptus).

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Peixe-cofre – não confundir com o baiacu; este tem este nome justamente pelo seu corpo ser meio “cúbico”, devido a uma carapaça interna que lhe serve de defesa.

E tudo ia bem, tudo ia tranquilo, quando de repente deparo-me com uma barracuda. Eu olhei para ela, ela olhou para mim e pintou um clima.

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Barracudas em geral não atacam o homem (porém, preste atenção no item “Barracudas and Humans” do link anterior), mas objetos brilhantes, como a coroa do meu relógio, podem despertar nelas instintos predatórios (Sharks – Andrea and Antonella Ferrari, Firefly Books, 2002). E, com uma boca imensa cheia de dentes afiados e voltados para trás, projetados para arrancar carne, achei melhor sair de fininho, antes que o “clima” se transformasse numa conjunção carnal indesejada. E mais uma vez, vamos pensar juntos, leitores: qualquer animal que empreste seu nome a uma arma de guerra ou coisas que evocam masculinidade e força é potencialmente perigoso. Assim, temos e tivemos mísseis com o nome de “Piranha”, submarinos com o nome de “Stingray”, “Seawolf”, carros-esporte (Plymouth Barracuda), caças com o nome de “F-15 Eagle” e… “Fairey Barracuda“.

Agora, imaginem o vexame que uma potência iria passar diante de sua maior rival se batizasse seu último e moderníssimo submarino nuclear de “Peixinho Dourado”. Não iria pegar bem, correto? Então respeite as barracudas. E lembre-se também que foi este peixe insensível que comeu (no bom sentido) a mamãe do Nemo. Atualização de 03/09/2009 – nome do mais recente submarino nuclear francês: Barracuda

Resolvi ira para o outro lado e dar uma nadada para a ilha de Haines Cay. É um bom exercício, mas você só vai ver algas. E ainda invadi a pousada local  o jardim do restaurante local – Bibi The Rasta / tel. 3138319039, bibisplace@hotmail – numa boa, dando uma volta no gramado e no parquinho para crianças.

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(Foto: www.sanandres.gov.co/turismo/home.php)   Essa é a visão de “El Acuario” / Rose Cay (as duas casinhas no banco de areia atrás das palmeiras), diretamente da ilha de Haines Cay. Claro que eu não nadei de lá até aqui com minha câmera…

Na volta, o almoço: peroá (ou peixe-porco), arroz de coco, salada e o onipresente, fundamental e ubíquo patacón. Gostoso.

E então embarcamos para Johnny Cay.

A ilha é realmente belíssima. Há um bar e um armário para você guardar suas tralhas (1.000 pesos) e fazer, mais uma vez, o que quiser: snorkel (não fiz, pois o mar estava muito revolto para se ver qualquer coisa com tranquilidade), embolar-se na areia, dormir numa barraca, tomar uns coco fresas ou coco locos, pensar em como você poderia aprimorar aquele seu relatório mensal de fechamento que você tem que entregar no trabalho até o dia 10 de cada mês, ou caminhar pela ilha – o que eu fiz.

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Praia tropical sem foto de um coqueiro inclinado para o mar não é praia tropical, já dizia o Ricardo Freire.

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Seres fantásticos? Desconhecidos? Serpentes marinhas fossilizadas? Não, apenas troncos secos.

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E eis uma amostra dos famosos “Sete Tons de Azul do Mar Caribenho”. Podem contar: 1, 2, 3, 4…

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Bom, no meu ritmo de caminhada, dei a volta inteira na ilha em meia hora. Depois guardei minhas coisas e fiquei ao sabor das ondas do mar “johnnycayano“, curtindo aquelas tépidas e transparentes águas, sendo jogado para lá e para cá, igual a um monte de algas.

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E deixei Johnny Cay com saudades, tal e qual um poeta de cabelos desgrenhados e alma melancólica, não sem antes me despedir de uma cachorrinha colombiana ;)    (Depois da gatinha colombiana…)

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Não é uma graça?

Depois continuamos.

PS.: As coisas da vida… Na volta, ao subir de impulso no barco, uma onda o levantou e caí dentro do barco, de costas, batendo com os quadris nos bancos de fibra de vidro (ai… Se fosse madeira, amorteceria mais). Pensei até que tivesse fraturado ou fissurado alguma costela, ou a bacia (toc toc toc). Ainda bem que eu sei cair, graças a dois anos de aikidô e kung-fu, onde cheguei à faixa branca amarrotada (verdade). E também agradeço aos meus pneuzinhos – gordura é proteção. Tem-se que prestar atenção em tudo. Acho que Johnny Cay não queria que eu fosse embora…


Piratas do Caribe – Parte 6

Junho 16, 2009

E , devidamente alojado, no dia seguinte fui curtir um pouco do resort. Estando praticamente em cima d’água, quem iria à piscina do hotel, não é mesmo? Resolvi ficar no deck em frente ao bar El Duende, (última foto do post anterior, “de pernas para o ar”) que tem uma escadinha para mergulhar nas tépidas águas caribenhas. Como já disse, o snorkel é gratuitamente fornecido pelo hotel, durante duas horas.

Caso você não saiba, lembre que nessa parte do mundo (talvez por influência norte-americana) não pegam bem nossas sungas e micro-biquínis (que pena…). Use biquínis ou maiôs mais comportados ou bermudões de surfista, de tactel, como eu fiz. OK, você vai ficar com as coxas e o quadril brancos e o resto queimado, mas que se há de fazer…

Se você prestar atenção, irá encontrar uma parte da rica fauna marinha já naquele pequeno pedaço de água (lembre-se das delimitações de segurança das bóias). E com a vantagem de ter um serviço de bar à disposição.

Procure alguma rocha, coral morto ou mesmo os pilares de sustentação do deck. Os peixes gostam de se agrupar nessas formações.

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Sargento-Mor (ou “aspira”… ;)   )

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Pepino-do-mar. Esse, na verdade, estava tranquilamente enroscado num pilar do deck.

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Peixe-agulha.

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Donzela (foto: United States Geological Survey)

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Lulas – na verdade, vi um cardume inteiro de lulinhas. Elas disseram que nunca antes na história da Colômbia as lulas foram tão apreciadas. (foto: Clark Anderson / Aquaimages).

Com se vê, já dá para se divertir bastante no deck de mergulho do hotel.

À tarde, fui ao passeio que nos levaria a mergulhar com arraias – lá conhecidas como “mantarayas”, mas não é a espécie que nós conhecemos como manta – aquela negra, gigante, com dois apêndices em forma de chifre e belíssima. A arraia em questão é conhecida no Brasil como raia-manteiga, não menos bela. Custo do passeio: US$ 31,00. Equipamento e bebidas a bordo incluídos. Para quem está no Decameron Aquarium, não há necessidade de transfer – pode-se ir a pé, saindo à esquerda do hotel e caminhando até a marina Toninos (é o segundo portão, sem identificação. Pergunte para se certificar que chegou ao lugar certo.)

Todo mundo na lancha, partimos.

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Olha ele de novo aí… É a maldição.

Depois de alguns minutos, a lancha pára e somos conduzidos a uma sessão de treinamento de snorkel. Para quem já sabe, como eu, uma oportunidade de mergulho a mais. E eis aqui uma amostra do famoso mar caribenho.

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IMG_2778_147_3_1Ao lado, o blogueiro devidamente paramentado prepara-se para o sagrado ritual do mergulho.

À essa altura, o pessoal já tinha tomado umas e outras. Eu não. Viram como eu sei me controlar?

Mais alguns minutos de lancha e nova parada para mergulho, desta vez num banco de corais.

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Cardume de pampo-galhudos ou aracaquiras.

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Moréia (cuidado com elas…)

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Mais um peixe-papagaio, já conhecido.

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Baiacu – mais um para tomar cuidado, especialmente na forma de sushi. Poucos sushimen no mundo estão capacitados para extrair a glândula venenosa sem contaminar a carne. O mais famoso deles, um mestre japonês com 60 anos de prática (é necessário certificado emitido pelo governo japonês), prepara este sushi há décadas, mas nunca o comeu. Se você for preso e condenado à morte, peça este prato como última refeição. Neste caso, não haverá motivos para ter medo.

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Polvo a jato.

Bom, enfim mais um passeio de lancha em direção ao mais aguardado: as arraias.

Paramos num banco de areia conhecido como El Acuario (Rose Cay), ao lado da ilha de Haines Cay, e trocamos os pés-de-pato por sapatilhas. O encontro se dá na maré baixa, ao final da tarde.

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Após uma caminhada (ou nadada), o instrutor começa a lançar alimento na água para atrair as arraias (Dasyatis Americana).

E logo elas aparecem. Primeiro uma, duas, depois o clã inteiro.

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Volto a repetir o que já disse em outros posts, em outros lugares: não há mídia possível capaz de reproduzir a sensação de estar lá, ao vivo e a cores. São dezenas de arraias, acostumadas com a presença humana, dando rasantes, passando por todos, pelas pernas, pelo meio do grupo, pode-se até alisá-las. Pensei que fossem ásperas, mas são aveludadas ao toque, cobertas com o muco que todo peixe possui na pele (talvez daí o nome brasileiro de raia-manteiga).

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(foto: Didac Pelmon – Round the World Trip)

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São seres lindos, hidrodinamicamente perfeitos, majestosos, movimentando-se com graça e elegância, como se voassem. Parecem até uma esquadrilha de caças espaciais*. Uma em especial parece ter gostado de mim e vinha toda hora procurar um cafuné – tá bom, sei que pode ser apenas um sentimento meu de antropomorfismo, mas é encantador. Emocionante. Pura poesia marinha.

Claro que você não vai molestá-las. Não seja o palhaço. Interaja com calma. Lembre-se que, embora não sejam “devoradoras de homens” – nem o querem – ao sentirem-se ameaçadas, dispõem de um poderoso ferrão venenoso serrilhado de 20 cm, localizado entre o corpo e a cauda. Diz a lenda que se enfiarmos um ferrão de arraia numa árvore, esta morrerá em minutos. E mesmo se não houvesse nenhum veneno, só a operação de retirada do ferrão e o tratamento da infecção bacteriana que você iria pegar já seria o suficiente para você meditar por umas três semanas sobre o colossal erro de ter agredido a arraia.

Aliás, uma delas cismou com, digamos, os glúteos de um colega de passeio e não parava de “montar” no dito cujo, causando risadas de todo o grupo. Vejam vocês o que é a vida: o sujeito trabalha o ano inteiro, ganha dinheiro, viaja para San Andrés e é sistematicamente violentado por uma arraia tarada. E o pior: ainda teve como testemunha este que vos escreve. A humilhação dele só não foi maior porque, como já disse, eu não tinha nenhuma câmera submarina… (dizem as más línguas que depois ele ficou inconsolável porque a arraia não ligou, não mandou e-mail, sumiu do MSN…)

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Era possível reconhecer o líder – a maior arraia, evidentemente. Tinha uns 2,5 metros de envergadura (ATUALIZAÇÃO: possivelmente era uma fêmea, pois estas são maiores que os machos nessa espécie. Pouco se sabe sobre a estrutura social natural das raias-manteiga. O que acontece é que todos vêem grupos, digamos, “mal-acostumados” pelo ser humano, como este cardume de San Andrés, onde já aconteceram várias interações e interferências humanas. Mais do que provável, não é o comportamento que aconteceria num grupo isolado do nosso contato).

O instrutor até consegue segurar uma arraia para travarmos contato. Vou “surrupiar” do blog da Meilin uma foto desse acontecimento:

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Afirmo sem sombra de dúvida: foi um dos momentos mais lindos da minha vida. Quisera ser eu uma arraia… Mas chegou a hora de partir e deixarmos os belíssimos “bichinhos” irem embora para casa depois do seu show espetacular.

Depois continuamos.

(*) Falando em caças espaciais, não resisti: várias espaçonaves dos filmes de ficção científica foram inspiradas em arraias, como:

1- Cylon Raider / Battlestar Galactica, 1978

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Foto: http://www.crius.net/zone/showthread.php?t=22872

2- Alien Fighter / Independence Day, 1996

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Foto: http://colonialfleet.wordpress.com/2008/08/

3- Alien Ship / Guerra dos Mundos, 1953

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Foto: http://www.war-ofthe-worlds.co.uk/ 

4- Gungan Bongo / Star Wars: Episode I – The Phantom Menace - 1999

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Foto: Wookiepedia

5- E, finalmente, o imortal SUBVOADOR do seriado ”Viagem ao Fundo do Mar” – 1964 (lembram desse?)

Foto: http://www.ussbrazil.com/1sub.gif

 


Piratas do Caribe – Parte 5

Junho 9, 2009

E despedindo-me de Cartagena como Humphrey Bogart em Casablanca (“Sempre teremos La Ciudad Amurallada…”), peguei o avião para San Andrés, ilha caribenha pertencente à Colômbia, juntamente com a ilha de Providência e ilhotas menores em volta, numa bela manhã de sol.

LEMBRETE: Paga-se uma taxa de 36.000 pesos localmente ou no aeroporto de origem – no caso, de Cartagena – para ingressar no arquipélago, igualzinho a Fernando de Noronha, exceto por não haver formulário on-line de pagamento. 

A história desse arquipélago é meio complicada: em 1630, ao invés de continuarem estabelecidos na Nova Inglaterra – uma das treze colônias americanas originais – um grupo de puritanos ingleses resolveu colonizar a ilha de Providência com o apoio da Companhia Ilha da Providência (criada especialmente para essa finalidade), uma associação para comércio, exploração e colonização, nos moldes da Companhia Holandesa das Índias Orientais.

Encantados com o clima tropical, logo estabeleceram plantações na base do trabalho escravo e lançaram-se ao mar na pirataria, com o aval da Coroa Inglesa, o que levou à captura da colônia pelos espanhóis em 1641. Porém, em 1670, bucaneiros liderados pelo lendário, infame, terrível, selvagem, grotesco, horripilante e cruel pirata Henry Morgan tomaram as ilhas na mão grande e lá ficaram até 1689, tomando sol e bebendo piña colada.

Após a retomada do arquipélago pelos espanhóis, em 1818 o corsário francês Louis-Michel Aury invadiu as ilhas com 400 homens e 14 navios - sob a bandeira argentina. Entenderam? Nem eu. 

Mas Aury era um idealista, e queria na verdade incentivar a independência da América Central, e também ajudar Símon Bolívar nas guerras pela independência da Colômbia e Venezuela. Como todo idealista, deu com os burros n’água e não se ouviu falar mais dele.

À época da independência da Colômbia e adjacências (Gran Colombia), os habitantes de San Andrés, cansados de verem todo mundo passar a mão na sua terra e serem jocosamente chamados de “marias-maçanetas” pelo povo caribenho, voluntariamente aderiram ao novo país, em 1822. Na verdade, foi este o fato que enraiveceu D. Pedro e levou-o a declarar a Independência do Brasil no mesmo ano, visto que, segundo as línguas ferinas, ele tinha um caso com uma mulata sanandresana (este é o gentílico de quem mora em San Andrés) e quis também conquistar o arquipélago. O que tem isso a ver? NADA, mas como a história da ilha também é uma zorra total, então vambora. Para terminar, basta dizer que a Nicarágua (à época, integrante das Províncias Unidas da América Central) disputa a soberania das ilhas desde o malfadado ano de 1822 até hoje, apesar de vários tratados já terem sido assinados sobre o assunto. Chega.

Bom, já que todo mundo quer, eu também quis. Hospedei-me no Decameron Aquarium, um dos seis resorts que a rede mantém na ilha. Ao chegar no aeroporto, se você veio de pacote, haverá um guichê do hotel que lhe indicará um táxi para o transfer (gratuito). Nada contra, mas talvez fosse melhor uma van do próprio hotel, para efeito de marketing. Bem, mas isso não me incomodou. Minha pós em Marketing já tem dez anos mesmo… (ATUALIZAÇÃO: descobri, por acaso, que o uso local de táxis para transfers é uma ordem do governo).

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O resort é composto de várias torres construídas em cima do mar, na beira da praia, em bases de rochas, concreto e corais mortos (acima). Passarelas de madeira ligam as torres ao restaurante La Bruja (de frutos do mar) e ao bar 24 horas El Duende (abaixo).

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Como quase todo resort, este também é all-inclusive: café da manhã, almoço, jantar, bebidas, equipamento de snorkel (por duas horas) e toalhas azuis para se levar a passeios ou para ficar de bobeira no deck. ATENÇÃO: Nunca leve as toalhas brancas do seu apartamento para sair. No check-in, você recebe um cartão plastificado para pedir e devolver as toalhas próprias, já mencionadas, no balcão em frente à piscina do hotel. Perdendo uma toalha, o custo será de 30.000 pesos.

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Também estão incluídos os passeios de caiaque, windsurf, catamarã (acima) e aulas de mergulho com cilindro ou snorkel. Passeios de jet ski não estão incluídos no preço… Por falar em jet skis, ao mergulhar no mar, NUNCA ultrapasse a faixa de segurança, demarcada pelo cordão de bóias, ou você virará estatística.

Como nem tudo é perfeito, cobra-se adiantado US$ 2,00 a diária do cofre do apartamento – não, não é digital, é aquele de bujãozinho com chave… Também cobra-se 3.000 pesos por ligação a cobrar, mesmo que seja pelo Brasil Direto. E ainda deve-se deixar um depósito adiantado de 40.000 pesos para as ligações e solicitar a liberação do telefone. No check-out, será feita a prestação de contas. Mas pelo menos são honestos: fiz cinco ligações a cobrar, mas três não funcionaram. Então só me cobraram 6.000 pesos e devolveram 34.000 pesos.

No hall do hotel, há dois receptivos para passeios: o já mencionado Gema Tours de Cartagena e a Over Turismo. Se você veio de pacote, o receptivo já estará marcado. No meu caso, embora tenha sido recebido pela Gema Tours em Cartagena, indicaram-me a Over Turismo.

Como cheguei às 12:30 mais ou menos e o check-in era só às 15:00, tive que ficar de bobeira. Mas pelo menos deram a pulseirinha para usufruir dos serviços do hotel.

Aliás, o registro é estranho: sobe-se ao segundo piso, onde há uma mesa com duas funcionárias e um monte de cadeiras – parece até atendimento de banco, FGTS, INSS… Depois disso, fui almoçar. Mandaram retornar às 14:30 para uma apresentação do resort.

Sentado no hall e pensando na generosidade brasileira de check-ins às 13:00, foi aí que encontrei a Meilin - ela saindo, eu chegando:D

Às 14:30, lá fui eu para a tal palestra, doido para pegar a chave e ir para o quarto. Mas todos os “chegantes” do dia estavam lá, e após muito blá-blá-blá, cada um era chamado pelo nome para pegar sua chave. Parecia aquelas palestras empresariais, aquelas ambientações sinistras onde se desenvolve a percepção e a sensibilidade ao ponto de vista do outro com as velhíssimas imagens do “avião-indo-ou-vindo?”, do “rosto-com-barba-que-forma-uma-mulher-nua” e das “duas-faces-de-perfil-que-formam-um-cálice”. Tem uma famosa consultoria em São Paulo que ADORA essas coisas. Juro que, de repente, pensei, para meu desespero, que iriam formar os tenebrosos “Grupos de Trabalho” para se discutir o planejamento estratégico para o ano de 2150, a visão e a missão da empresa, etc. Pânico. O horror, o horror.

Mas enfim entregaram a chave do quarto e o controle remoto da TV (que não funcionava. Pedi para trocar. Não trocaram. Muito irregular).

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Bem, como vocês viram, por fora o resort é lindo, mas os quartos precisam de uma reforma. E, com cada prédio sendo uma torre circular, cada unidade tem o pior aproveitamento de espaço possível – uma fatia de bolo. Mas o resto compensa.

Minha varanda e a varanda dos outros, o invasor de privacidade.

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Há dois restaurantes de buffet: o Barracuda e o Mirador (a comida é a mesma nos dois – houve um dia que eu jantei duas vezes para comprovar, indo em um e depois em outro…) e quatro à la carte, sendo necessária reserva antecipada: o já mencionado La Bruja, o Thai, o Mama Leone (massas) e o Patio Steak House.

Sobre os buffets, nada a reclamar: há saladas, sopas, dois estandes de pratos quentes, um preparador de massas no almoço e um de carnes e frutos do mar no jantar, todos feitos na hora. Sucos, vinho, refrigerantes e cerveja à vontade.

Como os passeios levavam o dia inteiro, só consegui tempo para marcar o tailandês. Sopa de frango com gengibre de entrada, frango com camarões e vegetais no wok e uma torta mousse de chocolate de sobremesa. E vinho branco, repetido duas vezes. Claro que depois fui para o bar El Duende pedir dois Coco Fresas para viagem (leite de coco, rum e grenadine). Tsc, tsc, tsc…

Pode-se ir a qualquer momento para outros resorts Decameron em San Andrés para usufruir das áreas externas e dos restaurantes, mas a informação no site de um transporte próprio e gratuito para os hóspedes está “desatualizada”. Você terá que pegar um ônibus público mesmo (1.000 pesos).

Falando em transporte público, pode-se alugar uma scooter ou um carrinho elétrico de golfe para circular pela ilha. Minha opinião: todos pensam numa ilha como sendo um lugar plácido e tranquilo, mas não é bem assim. Com estradas simples de mão dupla e uma horda de motos que seguem em fila e parecem até convenções dos Hell´s Angels, caminhões, jardineiras, ônibus, vans, micro-ônibus, caminhões fantasiados de trenzinho puxando vagões-jardineiras, bicicletas suicidas, cavalos e charretes, desconhecimento total de conceitos de “distância de segurança” e “indicador de direção” (e olha que eu venho do Rio) e ainda levando em conta que 95% dos automóveis são as imensas banheiras americanas dos anos 70, 80, 90 e 00, desde os sedans Oldsmobile de filme policial americano até SUV´s Hummer H2, EU não encararia essa fauna automotiva num carrinho de golfe ou numa lambreta… A decisão é de cada um. (ATUALIZAÇÃO: vi até uns dois ou três Gurgéis Xavante por lá…!)

Bem, e já que quase todo mundo da comunidade VnV tirou sua foto de pernas pro ar de Havaianas, também segue aqui minha versão, sem Havaianas.

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Depois continuamos.