E a saga está quase chegando ao seu fim…
Mapas do Arquipélago de San Andres e Providência para os leitores se situarem melhor (http://www.posadasturisticasdecolombia.com/):


Existe um passeio de dia inteiro até a ilha de Providência, acima, feito de avião. Como o dito cujo sai às 7:30 da manhã (o que implicaria em acordar às 6:00, no mínimo) e provavelmente seria um claudicante teco-teco, não me senti compelido a aquiescer tal proposta, muito embora a ilha pareça ser bem interessante, pois é, digamos, mais “selvagem” que San Andrés. Infelizmente, não perguntei se há algum traslado de barco, mas isso também implicaria em um pernoite na ilha. Quem quiser, fica a sugestão. As pousadas estão no link acima.
Sobre a “night’” em San Andrés, ela se dá na Peatonal (calçadão, rua de pedestres em espanhol). Se você está no Decameron Aquarium, saia à direita do hotel e vá andando pela calçada. No caminho, você verá alguns restaurantes e bares de frutos do mar que me pareceram bem interessantes, mas esse é o problema de ficar num resort “all inclusive” – você se acomoda…
Depois de alguns minutos, você verá uma curva aberta para a esquerda. Continue e você passará pelo Decameron Los Delfines, o resort “boutique” da rede. Mais um pouco de caminhada e você encontrará a Peatonal, calçada com tijolinhos avermelhados e várias galerias comerciais com lojas de griffe, bares, restaurantes, caixas eletrônicos e até um cassino na diagonal direita da rua. Ali acontece o “footing”. Quem conhece a rua principal de Porto de Galinhas ou a Rua das Pedras em Búzios, achará familiar.

(Foto: http://www.sanandres.gov.co)
É uma rua muito agradável para se ir. Mesmo se você já tiver enchido a pança no seu resort, faça a digestão caminhando por lá (e torrando sua plata em compras).
Após essas informações gerais, voltemos ao diário sanandresano: no dia seguinte, fiz o mergulho de escafandro pela Aquanautas, em” La Piscinita”, um belo lugar para esse tipo de atividade, devido à rica fauna marinha e águas cristalinas, também mencionado no Pergaminho Eletrônico da Meilin, que está fazendo a cobertura paralela desta viagem
. Não há praia, apenas uma escada e um trampolim para se descer n’água, além da infra-estrutura da empresa – uma balsa com os capacetes e cilindros de ar. Custo: US$ 58,00 com transporte (táxi), ingresso na “Piscinita” (que normalmente é de 2.000 pesos) e equipamento (capacete e sapatilhas) incluído.
Após a apresentação de um DVD explicando os cuidados básicos e como se dá o passeio de meia hora, que vai até 8 metros de profundidade – o limite de mergulho sem correr riscos de descompressão e sem precisar voltar à superfície fazendo pausas é de 10 metros - descemos até a balsa, com o instrutor.

Claro que o capacete de escafandro hoje em dia é uma cúpula de fibra de vidro e plexiglass, não é aquele capacete redondo de cobre com janelinhas gradeadas dos desenhos animados…

O princípio é simples: o oxigênio é injetado sob pressão no capacete através do tubo que vem da balsa, onde estão os cilindros. O próprio peso do capacete já faz você afundar, e a pressão do ar impede que a água entre, a não ser que você se incline ou caia. É com isso que se deve prestar atenção, e assim, há uma corda debaixo d’água que serve de “corrimão”. Pode-se até meter a mão dentro do capacete para fechar o nariz e engolir, compensando a diferença de pressão – a velha sensação no ouvido de “subir a serra”. Confesso que depois de uns 5 metros, isso já não adiantava mais… Pode-se inclusive ir de óculos de grau, se você os usa. E como a profundidade a que se desce é relativamente pouca, não é necessário roupa completa vedada, usada em escafandros profissionais.
E chega o momento obrigatório de todo turista: “pagar mico”…
Não, meu amigo, você pode fugir, mas não pode se esconder para sempre.



Todas as fotos foram tiradas pelo instrutor da Aquanautas, que depois grava um CD-ROM com suas fotos, juntamente com um banco de imagens da fauna e flora marinha, que utilizei nestes posts (conforme explicado em Piratas do Caribe – 4). Preço: 65.000 pesos. É, isso não está incluído…
E aí? Bem, para quem nunca fez mergulho de cilindro, como eu (ou no momento da viagem, está impedido de fazer), vale muito a pena. É muito divertido, a não ser que você tenha claustrofobia, medo de sufocar, etc. Mas se você já sabe e pode mergulhar de cilindro, dispense. Evidentemente, o mergulho de scuba é muito melhor.
No outro dia… a velha história do city-tour incluído. Não sei, mas acho que eu poderia ficar dormindo e arrumar minhas coisas com calma. Como já falei, o check-out se dá às 13:00, e eu já estava vendo que o tour não iria acabar antes disso, então consegui negociar uma extensão até 13:30. Mas ainda teria que retornar, tomar banho e almoçar. Tudo acontece com um ansioso. Se for um ansioso com pressa e horário marcado, pior ainda.
Bom, o tour sai de uma agência no Hotel Sunrise, depois da marina Toninos, e é feito numa “réplica” de uma chiva – os ônibus típicos da Colômbia e outros países latino-americanos.

Primeira parada: Casa-Museu, onde se tem uma amostra da rude vida dos primeiros colonizadores ingleses e de sua arquitetura.



Uma amostra das ferramentas para extração de coco, da esquerda para a direita: facões, medidor de circunferência (se o coco fosse menor que ele, seria destinando ao consumo interno) e escalador de palmeiras. A palha do coco era usada para se escovar os dentes e também como, digamos, papel higiênico. Necessariamente nessa ordem, por favor.

Aposentos da época. Não, gente, não tinha água corrente, nem TV LCD com 200 canais, nem frigobar, nem ar-condicionado, nem MP3.

Depois da Casa-Museu, segunda parada: o Museu e a Gruta de Morgan. Henry Morgan, como se sabe, foi um gentilíssimo corsário galês que atormentou o Caribe no século XVII e terminou sua vida como um rico fazendeiro e governador da Jamaica. Dizem que ele tinha 48 mulheres, o que me faz pensar no inferno de todas elas quererem discutir a relação ao mesmo tempo. Talvez por isso ele surtasse e se entregasse a espasmos de crueldade por aí.
Objetos tipicamente piratas, como você veria na Disneyworld.

Uma “réplica” de um dos navios de Morgan, o Saint Pauli. Tire sua foto segurando o timão e sinta-se o próprio.

E aqui, a Gruta da Lapinha, na Chapada Diam…, quer dizer, a Gruta Azul, em Bonit… NÃO! Essa é a Gruta de Morgan, onde, segundo a lenda, há uma passagem secreta para uma praia deserta e paradisíaca. Mais uma vez, é a prova da existência da Matrix. O programador criou uma gruta com águas subterrâneas e deu copy-paste por vários lugares do mundo. Já falei sobre isso…

Aliás, viajando do Caribe para o Nordeste: vocês sabem como foi criado o litoral de Alagoas? O “world-designer” fez um cluster com um pedaço de areia, um coqueiro em cima, um pedaço de mar verdinho, e saiu arrastando com o botão direito do mouse, até preencher tudo. Igual a Sim City.
Terceira parada: nossa já conhecida “La Piscinita”. Você pode combinar com um taxista por 30.000 pesos (pelo menos esse foi o valor do “vale” que eu vi a agência de turismo dar ao taxista que me levou ao Aquanautas, no dia anterior) para ele te levar, esperar você mergulhar, almoçar – há restaurantes ali – e voltar. Aqui se paga os 2.000 pesos para entrar, que, como disse, já estavam incluídos no Aquanautas.
Veja que mesmo com uma foto tirada fora d’água e do alto do penhasco, a profusão da fauna marinha e a beleza das águas é impressionante. Vale muito a pena um bom snorkel lá. Tire uma manhã para isso.

Aqui, fiz amizade um um casal de equatorianos, sendo que o rapaz conhecia o Rio de Janeiro como a “palma da mão”, segundo suas próprias palavras, pois já estivera no Rio a trabalho. Quando a senhora esposa dele se afastou para tirar fotos, tivemos uma conversa de homens e saquei o que ele quis dizer com conhecer o “Rio como a palma da mão”…
Não reproduzirei o teor desta conversa aqui, pois este é um blog de família. Essas viagens a trabalho são a grande oportunidade para o homem sério. Um dia ainda vou contar sobre uma viagem a trabalho que eu, solteiro, fiz a Belo Horizonte há mais de dez anos atrás, e quando vi que o grupo que me acompanhava era composto de homens casados, ingenuamente achei que não teria ninguém para me acompanhar na farra. LEDO engano. Chega, antes que eu seja definitivamente marcado como um porco chauvinista.
Quarta parada: o Hoyo Soplador. Como diz o nome, a água do mar entra por um túnel subterrâneo…

… e sai por este orifício no solo junto ao mar, juntamente com uma boa rajada de vento. Infelizmente o Hoyo Soplador não quis soprar neste dia, este buraco escatológico e traidor e que se presta a várias piadinhas de duplo sentido. Mas a indecência está na cabeça de quem lê.

E, com pressa para voltar ao hotel – lembrem-se do meu problema particular de fechar a conta até às 13:30, como fora negociado – peguei uma van da agência de turismo, que o guia e o motorista gentilmente arrumaram para mim, e voltei para o hotel. Dei 5.000 pesos de gorjeta. Tomei banho, almocei, passei a régua e fui para o aeroporto, para a inevitável volta ao Brasil.
Enfim, com a saudade já batendo forte enquanto escrevo estas linhas (mais clichê impossível), deixei a Colômbia, maravilhado e agradavelmente surpreendido por uma viagem da qual eu nem esperava tanto. E aí compreendi em sua plenitude o slogan oficial do Órgão de Turismo Colombiano: ” Colômbia, o perigo é você querer ficar“.
Colômbia, I’ll be back.

Informações úteis:
Documentação – passaporte com validade superior a seis meses da expiração e certificado internacional de vacinação contra a febre amarela.
O que levar – roupas de praia, filtro solar, óculos escuros, boné, snorkel e máscara – se você tiver o seu – e um moleton ou malha se você tem frio no avião (ou mesmo na conexão em Bogotá. Se você também ficar uns dias em Bogotá – altamente recomendável, mas não deu tempo - leve mais roupas de frio), além dos seus remédios de estimação. De qualquer forma, um moleton não custa nada de levar, né?
Moeda – R$ 1,00 = 1.100 pesos colombianos. Na Aerocambios do Aeroporto de Bogotá aceitam reais.
Quando ir – a época que eu fui (maio) é boa. De outubro a dezembro chove mais. A região não está na área dos furacões.
Links úteis -
http://www.colombia.travel/es/
http://www.sanandres.gov.co/turismo/sea_en.php
http://www.lonelyplanet.com/colombia
http://www.turismocartagenadeindias.com
Livros – Colombia, Krzysztof Dydyński – Lonely Planet, 2003
Para entrar no CLIMÃO -
Qualquer livro de Gabriél Garcia Marquez, principalmente “O Amor nos Tempos do Cólera”, tanto o livro quanto o filme de 2007 com Javiér Barden, Giovanna Mezzogiorno, Fernanda Montenegro, Liev Schreiber e John Leguizamo (Direção de Mike Newell);
Trilogia Piratas do Caribe 1, 2 e 3, com Johnny Depp, Geoffrey Rush, Keira Knightley, Orlando Bloom, Bill Nighy, Chow Yun-Fat, Jack Davenport, Jonathan Pryce, Stellan Skarsgard e participação especial de Keith Richards (2003, 2006 e 2007 – Direção de Gore Verbinski);
Os Piratas – pág. 138, volume 1, e Os Corsários – pág. 444, volume 2 / Enciclopédia do Mar – Editora Abril, 1975, 4 volumes (mais uma do fundo do baú!)
Depois continuamos. Ainda não acabou!