Enquanto minhas férias não chegam e o apagão aéreo não se resolve, recordar é viver. Em outubro do ano passado estive em Florianópolis, cidade que todo mundo compara com o saudoso Rio de Janeiro de outrora - aliás, tem muito carioca se mudando para lá. Como não sou tão velho assim para ter visto esse “outrora”, o que posso dizer é que é uma cidade muito agradável, ou melhor, dada a relação população / área – 400 mil habitantes em 500 km², o que equivale a menos que a população de Niterói num território quatro vezes maior, podemos dizer que são várias cidades em uma. Tem o grande e moderno centro urbano, tem as vilas de pescadores bem afastadas que parecem interior, tem os balneários elitizados, enfim. Tem de tudo um pouco.
Se você quer só praia e lugares, digamos, mais afastados de centros urbanos, você deve se hospedar na Lagoa da Conceição, Canasvieiras, Jurerê ou Ingleses. Já se você prefere ficar perto de tudo, como eu, é uma boa ficar no centro, mais especificamente próximo à avenida Beira-Mar, que possui um ótimo calçadão para caminhadas. Eu fiquei no Deville Express, que tem um ótimo atendimento e é bem confortável (embora de 1996) e que antigamente atendia pelo nome Coral Plaza, que pertencia à extinta rede West Coral. Outras opções são o Ibis e o Mercure. Todos ficam na Felipe Schmidtt (o Ibis é na esquina com a Rio Branco), rua que fica bem próximo à Beira-Mar. Enfim, assim como a variedade de lugares existentes na ilha, a oferta hoteleira também é bem ampla, indo desde pousadas simples até resorts e hotéis sofisticados, como o Costão do Santinho e o Majestic Palace (na Beira-Mar). Procure em www.guia4rodas.com.br.
No quesito gastronomia, as opções não ficam por menos. Considere apenas que 99% das ostras e mexilhões servidos em bons restaurantes do Brasil vêm de Santa Catarina. Você pode freqüentar um dos inúmeros bares / restaurantes em cada uma das praias da ilha, pode ir até o Mercado Municipal degustar ostras – eu fui no famoso Box 32. É bom e tem cervejas de fabricação própria, mas há opções mais baratas no mesmo mercado. E pode também aproveitar a comida italiana no La Pergoletta – Tr. Carreirão, 62, tel. (48) 3224-6353, na Hosteria Italiana – R. Bocaiúva, 1925, tel. (48) 3223-1572, ou uma anchova com pirão de legumes no Peixe na Brasa e Cia. – Tr. Harmonia, 50, tel. (48) 3223-1851, todos nas redondezas da Av. Beira-Mar. Mas, se você quiser uma comida simples, rápida e barata, esbalde-se no buffet a quilo do Texano Grill, no Beira-Mar Shopping, que tem uma deliciosa churrasqueira com cordeiro, ovelha, javali e outras carnes.
Como sempre, é de bom tom dar uma volta inicial pela ilha para se situar. Lembre que as estradas geralmente são de mão simples, e é comum ficar horas em engarrafamentos na alta temporada. Se você está no centro, pegue a Beira-Mar em direção a SC-404 (para o leste) e depois a SC-406 para o sul. Aprecie as praias do Campeche e da Armação. Na alta temporada (dez/mar), saindo da Barra da Lagoa, a empresa ScunaSul faz um passeio de barco até a belíssima ilha do Campeche, patrimônio arqueológico e paisagístico nacional. Fora da alta temporada, só traineiras de pescadores que saem da Armação fazem o percurso, e é necessário também agendamento prévio junto à associação de monitores que organizam as trilhas pela ilha do Campeche.

Ainda em direção ao sul, você pode dar uma parada em Pântano do Sul, praia de pescadores com alguns restaurantes. Um deles é o Bar do Arante - (48) 3237-7022, cuja especialidade é a tainha recheada. Outra especialidade é o fato de o bar incentivar todo mundo a deixar um recadinho em bilhetes nas paredes, o que faz com que você veja mensagens de 10, 20 anos atrás, dos mais variados lugares do mundo. Fico imaginando o dia que o dono resolver pintar o reboco – é uma infinidade de bilhetes, que cobrem praticamente todo espaço disponível. Faça como eu – deixe seu recado e volte cinco anos depois para revê-lo.
(Aliás, outro lugar assim é o Taboa Bar, em Bonito-MS – só que ali, o pessoal escreve diretamente na parede.)


Não é uma graça quando a gaivota resolve fazer pose?

Subindo em direção ao norte pela SC-406, você vai passar pela Lagoa da Conceição e pela praia da Joaquina, tradicional point local de surfe e sede de etapas dos campeonatos nacionais. Sendo assim, cuidado com as ondas e correntezas.


Esporte espetacular: uma bela sequência de drop.



Subindo além da Joaquina, você encontra a praia Mole. Esta praia, para quem conhece o Rio e Niterói, é uma espécie de Itacoatiara, Pepê, Posto 9: é onde se encontra a juventude sarada do lugar. Cuidado com o torcicolo.

E porque Mole? Bem, porque a areia é bem fofa, o que quer dizer que caminhar ali não é… mole (terrível essa).
Continuando a contornar a ilha em direção ao norte, você vai encontrar a Barra da Lagoa (de onde sai o barco para a ilha do Campeche), Moçambique – a maior praia da ilha em comprimento, Ingleses e Canasvieiras, cujo idioma oficial na alta temporada antigamente era o castelhano. Depois, com a crise argentina, isso diminuiu bastante. Agora, com a recuperação econômica, há uma volta dos hermanos.
E, por último, Jurerê e Jurerê Internacional, bairro com condomínios exclusivíssimos e mansões mais ainda. Sinta-se em algum distrito luxuoso de Miami.





Enquanto o digno leitor aprecia este primeiro tour por Floripa, eu preparo os próximos.
Continua no próximo post.