Floripa (3)

Abril 5, 2007

Encerrando esta trilogia manezinha, vamos conhecer Santo Antônio de Lisboa, Sambaqui e a Costa da Lagoa. Fiz este roteiro graças ao pioneiro Ricardo Freire, que botou esses lugares no mapa da web no seu blog anterior.

Santo Antônio de Lisboa e Sambaqui são povoados tranqüilos, tradicionais vilas de pescadores açorianos. Nem parece que ficam a apenas dez quilômetros de uma capital. Para chegar lá, suba a SC-401 em direção ao norte e preste atenção ao trevo que dá acesso a Santo Antônio.

Lá chegando, a primeira construção que irá chamar a sua atenção será a Igreja de Nossa Senhora das Necessidades, construída no século XVIII.

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Próximo à igreja, fica a Casa Açoriana de Artes e Tramóias Ilhoas, uma espécie de loja-museu do artesanato açoriano, com lindas peças e trabalhos para levar de lembrança.

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Até o banheiro é bonitinho…

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Santo Antônio e Sambaqui, que fica um pouco mais para o norte (4 km) pela costa, possuem vários bares onde se pode degustar frutos do mar frescos, como ostras e mexilhões.

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Deixando os simpáticos vilarejos, é hora de curtir a Costa da Lagoa, aprazível recanto da parte interna da Lagoa da Conceição, onde ficam vários restaurantes ligados por barcos que saem de terminais hidroviários na Lagoa (ponte da lagoa – Cooperbarco) ou no Parque Florestal do Rio Vermelho. Preste atenção, pois se você pegar o barco de um terminal, deverá voltar no mesmo, ou será deixado do outro lado. Os barqueiros da Costa usam camisa amarela da Coopercosta.

Para chegar lá: se você for pelo norte da ilha, desça pela SC-406 em direção ao sul, passando por Moçambique (uma estrada graande, cheia de eucaliptos) e no meio dela você vai ver a placa para entrar à direita, numa estrada de terra que vai dar no terminal hidroviário da Costa (se você veio subindo pelo sul, a placa e a entrada vai estar à esquerda, claro). A viagem é bem aprazível e leva dez minutos. Mas se você decidiu cortar a ilha pelo meio, basta pegar o outro terminal da ponte da lagoa, onde a viagem leva 40 minutos.

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Os barcos te deixam em qualquer restaurante que você queira. Segui a dica do Riq e fui no Paraíso da Néia, muito bom.

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Após ter comido o seu peixe, bebido sua cerveja e quiçá mergulhado, vá para o pier e espere seu barco.

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E, se for o seu último dia em Floripa, passe no mirante da Lagoa, perto da Praia Mole, e aprecie a paisagem enquanto espera o pôr-do-sol.

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Floripa (2)

Abril 5, 2007

Um bom passeio que você pode fazer é o tour pelas fortalezas de Ratones e Anhatomirim (esta em Governador Celso Ramos), que também é realizado pela ScunaSul, a mesma do trajeto da Barra à ilha do Campeche, só que neste as saídas são no terminal da Av. Beira-Mar, embaixo da ponte Hercílio Luz.

Ao sair do terminal, logo a escuna passará pelas ilhas de Ratones (a pequena e a grande). Porque Ratones? Bem, algum navegante achou que elas pareciam com ratos dormindo e assim ficou.

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Na Pequena Ratones não há nada, apenas alguns pescadores que vão lá tentar a sorte.

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Já na Grande Ratones fica a Fortaleza de Santo Antônio. Convém lembrar que esta fortaleza, construída em 1739 / 1740 juntamente com a de Anhatomirim e a Fortaleza de São José da Ponta Grossa, em Jurerê, compunham um sistema de defesa triangular da Baía Norte, dada a posição em que estão. Convém também lembrar que este elaborado sistema de nada adiantou quando da invasão dos espanhóis em 1777, pois os soldados simplemente fugiram ao ver a armada espanhola se apoximando. Como dizem hoje em dia: os RH são o maior patrimônio da organização.

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Após a visita, a escuna se encaminha à Praia da Caieira, já em Gov. Celso Ramos, onde é servido o almoço (bonzinho, mas você estará com fome, mesmo). Não sem antes dar uma pequena parada para observar golfinhos na enseada (eu vi! Eles existem!).

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Vida mansa…

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Mais gaivotas especialmente contratadas para posar.

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A Praia da Caieira na verdade é uma espécie de “garagem” dos pescadores.

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Convenhamos: essa escuna abaixo já é over demais, né não?

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Após o almoço, é hora de seguir para a Ilha de Anhatomirim, onde fica a Fortaleza de Santa Cruz de Idem ;)

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Um tanto inusitado é o portal em estilo oriental da fortaleza. Talvez as plantas tenham sido trocadas com outra em Macau.

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Alegria dos ornitófilos.

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Nesta fortaleza também há um pequeno museu dos cetáceos. Aprecie o bem-preservado esqueleto de um cachalote.

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Hora de voltar. Próximo a Ratones, a escuna faz uma pequena parada para mergulho. Considerando que não estávamos nas tépidas águas do Nordeste (e eu também estava composto), dispensei esta parte.

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E, se você pegar a SC-401 / 402 em direção a Jurerê, você pode visitar a Fortaleza de São José da Ponta Grossa, a última do triângulo defensivo (igual ao quadrado mágico do Parreira, de triste memória).

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Hoje em dia, você pode apreciar as artesãs fazendo seu trabalho em rendas no segundo andar da construção.

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E, na volta, se você estiver hospedado no centro, dê um pulo no Museu de Armas da PM-SC. Fica no final da Felipe Schmidtt, descendo para a esquerda, em direção à Beira-Mar (perto do terminal da ScunaSul).

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Veja mais sobre as fortalezas de SC aqui.


Floripa (1)

Abril 4, 2007

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Enquanto minhas férias não chegam e o apagão aéreo não se resolve, recordar é viver. Em outubro do ano passado estive em Florianópolis, cidade que todo mundo compara com o saudoso Rio de Janeiro de outrora - aliás, tem muito carioca se mudando para lá. Como não sou tão velho assim para ter visto esse “outrora”, o que posso dizer é que é uma cidade muito agradável, ou melhor, dada a relação população / área – 400 mil habitantes em 500 km², o que equivale a menos que a população de Niterói num território quatro vezes maior, podemos dizer que são várias cidades em uma. Tem o grande e moderno centro urbano, tem as vilas de pescadores bem afastadas que parecem interior, tem os balneários elitizados, enfim. Tem de tudo um pouco.

Se você quer só praia e lugares, digamos, mais afastados de centros urbanos, você deve se hospedar na Lagoa da Conceição, Canasvieiras, Jurerê ou Ingleses. Já se você prefere ficar perto de tudo, como eu, é uma boa ficar no centro, mais especificamente próximo à avenida Beira-Mar, que possui um ótimo calçadão para caminhadas. Eu fiquei no Deville Express, que tem um ótimo atendimento e é bem confortável (embora de 1996) e que antigamente atendia pelo nome Coral Plaza, que pertencia à extinta rede West Coral. Outras opções são o Ibis e o Mercure. Todos ficam na Felipe Schmidtt (o Ibis é na esquina com a Rio Branco), rua que fica bem próximo à Beira-Mar. Enfim, assim como a variedade de lugares existentes na ilha, a oferta hoteleira também é bem ampla, indo desde pousadas simples até resorts e hotéis sofisticados, como o Costão do Santinho e o Majestic Palace (na Beira-Mar). Procure em www.guia4rodas.com.br.

No quesito gastronomia, as opções não ficam por menos. Considere apenas que 99% das ostras e mexilhões servidos em bons restaurantes do Brasil vêm de Santa Catarina. Você pode freqüentar um dos inúmeros bares / restaurantes em cada uma das praias da ilha, pode ir até o Mercado Municipal degustar ostras – eu fui no famoso Box 32. É bom e tem cervejas de fabricação própria, mas há opções mais baratas no mesmo mercado. E pode também aproveitar a comida italiana no La Pergoletta – Tr. Carreirão, 62, tel. (48) 3224-6353, na Hosteria Italiana – R. Bocaiúva, 1925, tel. (48) 3223-1572, ou uma anchova com pirão de legumes no Peixe na Brasa e Cia. – Tr. Harmonia, 50, tel. (48) 3223-1851, todos nas redondezas da Av. Beira-Mar. Mas, se você quiser uma comida simples, rápida e barata, esbalde-se no buffet a quilo do Texano Grill, no Beira-Mar Shopping, que tem uma deliciosa churrasqueira com cordeiro, ovelha, javali e outras carnes.

Como sempre, é de bom tom dar uma volta inicial pela ilha para se situar. Lembre que as estradas geralmente são de mão simples, e é comum ficar horas em engarrafamentos na alta temporada. Se você está no centro, pegue a Beira-Mar em direção a SC-404 (para o leste) e depois a SC-406 para o sul. Aprecie as praias do Campeche e da Armação. Na alta temporada (dez/mar), saindo da Barra da Lagoa, a empresa ScunaSul faz um passeio de barco até a belíssima ilha do Campeche, patrimônio arqueológico e paisagístico nacional. Fora da alta temporada, só traineiras de pescadores que saem da Armação fazem o percurso, e é necessário também agendamento prévio junto à associação de monitores que organizam as trilhas pela ilha do Campeche.

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Ainda em direção ao sul, você pode dar uma parada em Pântano do Sul, praia de pescadores com alguns restaurantes. Um deles é o Bar do Arante - (48) 3237-7022, cuja especialidade é a tainha recheada. Outra especialidade é o fato de o bar incentivar todo mundo a deixar um recadinho em bilhetes nas paredes, o que faz com que você veja mensagens de 10, 20 anos atrás, dos mais variados lugares do mundo. Fico imaginando o dia que o dono resolver pintar o reboco – é uma infinidade de bilhetes, que cobrem praticamente todo espaço disponível. Faça como eu – deixe seu recado e volte cinco anos depois para revê-lo.

(Aliás, outro lugar assim é o Taboa Bar, em Bonito-MS – só que ali, o pessoal escreve diretamente na parede.)

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Não é uma graça quando a gaivota resolve fazer pose?

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Subindo em direção ao norte pela SC-406, você vai passar pela Lagoa da Conceição e pela praia da Joaquina, tradicional point local de surfe e sede de etapas dos campeonatos nacionais. Sendo assim, cuidado com as ondas e correntezas.

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Esporte espetacular: uma bela sequência de drop.

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Subindo além da Joaquina, você encontra a praia Mole. Esta praia, para quem conhece o Rio e Niterói, é uma espécie de Itacoatiara, Pepê, Posto 9: é onde se encontra a juventude sarada do lugar.  Cuidado com o torcicolo.

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E porque Mole? Bem, porque a areia é bem fofa, o que quer dizer que caminhar ali não é… mole (terrível essa).

Continuando a contornar a ilha em direção ao norte, você vai encontrar a Barra da Lagoa (de onde sai o barco para a ilha do Campeche), Moçambique – a maior praia da ilha em comprimento, Ingleses e Canasvieiras, cujo idioma oficial na alta temporada antigamente era o castelhano. Depois, com a crise argentina, isso diminuiu bastante. Agora, com a recuperação econômica, há uma volta dos hermanos.

E, por último, Jurerê e Jurerê Internacional, bairro com condomínios exclusivíssimos e mansões mais ainda. Sinta-se em algum distrito luxuoso de Miami.

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Enquanto o digno leitor aprecia este primeiro tour por Floripa, eu preparo os próximos.

Continua no próximo post.