A Viagem – 2

Fevereiro 1, 2007

Morro de São Paulo – 08/05/2006 a 11/05/2006 – parte 2

Morro de São Paulo tem um ar inconfundivelmente “buziano“. Cheio de “mudernos” (aarrrrggghhhh) e “descolados” (aaarrghhh à enésima potência – minha ojeriza a essas duas palavras não tem limites), muitos mochileiros estrangeiros – isso pode ser comprovado em qualquer cyber-café, consultando-se o histórico do Internet Explorer no micro. Vê-se que os sites navegados têm origem alemã, israelense, italiana, inglesa, espanhola, francesa e tudo o mais.

No dia seguinte, um passeio de lancha rápida até Boipeba, ilha vizinha a Tinharé – onde fica Morro. Na verdade, essas ilhas fazem parte do município de Cairú, o único do Brasil inteiramente situado num arquipélago, por assim dizer (outros, como Florianópolis, possuem bairros no continente).

A viagem de lancha foi bem cansativa, não por questões de enjôo. Sou um dos raros privilegiados que não padecem desse mal em embarcações, talvez por, como todo niteroiense, já estar acostumado à travessia Niterói/RJ todo dia, desde criança, para passear, estudar, trabalhar… O problema é que a pequena lancha, em mar aberto, batia fortemente com o casco nas ondas, parecendo um carro a 100km/h em buracos e costelas-de-vaca. Isso me deixava completamente desconjuntado.

No meio do caminho, uma parada infelizmente inútil para mergulho numa piscina natural. Inútil porque havia chovido à noite e a água estava turva. Também era a fase da maré alta, ou seja, não dava para ver nada. Logo prosseguimos para a praia de Tassimirim, em Boipeba, muito bonita e que ainda guarda um aspecto selvagem - abaixo.

img_0950.JPG

img_0952.JPG

 img_0954.JPG

img_0955.JPG

Uma pequena trilha leva à praia da Boca da Barra, que fica na foz do Rio do Inferno. Na verdade, não é um rio, é apenas o canal entre Boipeba e Tinharé. Ali almoçamos uma moqueca de camarão no restaurante local. Este trecho lembra a praia do Gunga, em Maceió (AL), só que bem menos muvucado – e o serviço bem melhor, também. Ali experimentei o delicioso suco de mangaba e a mais deliciosa ainda caipivodka de mangaba. Se pudesse, iria plantar uma muda em casa…

img_0959.JPG

img_0960.JPG

Após o almoço, devidamente empapuçados de camarão, subimos o “rio”, pelos mangues, até a cidade de Cairú.

img_0961.JPG

Aqui, uma vista da Igreja e Convento de São Francisco, que também visitamos – e fim do dia.

img_0963.JPG

img_0968.JPG

img_0969.JPG

img_0971.JPG

img_0972.JPG

img_0973.JPG

Nessa noite, jantei uma picanha no Ardentia, restaurante argentino. No dia seguinte, estava previsto um passeio de lancha até Gamboa, um trecho da vila de Morro de São Paulo que fica logo após o cais. Como começasse a garoar antes do passeio e já tinham me dito que não havia nada muito interessante para se ver, preferi ficar no hotel e caminhar por conta própria pelas praias de Morro. Fui até a Quarta Praia. Infelizmente, a paranóia de habitante do RJ falou mais alto e não levei minha câmera… Bobagem, mas quem vai saber?

A Primeira Praia e a Segunda são mais muvucadas. Da Terceira em diante, o sossego impera mais. Porém, fica-se bem mais longe da rua principal (de areia), onde estão localizados 90% dos bares, restaurantes e lojas. Após voltar, almocei um filé de peixe ao molho de limão no hotel, delicioso.

No dia seguinte, volta para Salvador. Dessa vez o tempo ajudou e o catamarã pôde ir direto, sem escalas. Pela terceira vez, voltei para o Marazul Hotel (uma na chegada a Salvador para ir à Chapada, outra na volta da Chapada e mais uma agora). Já estava conhecido por lá…

Aproveitei o sol e fui visitar um velho amigo – o Farol da Barra e seu Museu Náutico. Já fazia sete anos… É muito interessante, não só o Museu, como o conjunto arquitetônico-histórico em si.

Aracaju – 12/05/2006 a 14/05/2006

Deixei a Bahia e fui para Sergipe. Chegando em Aracaju, fiquei no Celi Hotel. Este é considerado atualmente o segundo melhor hotel da cidade. O Quality, inaugurado há pouco tempo, fica do lado do Shopping Riomar. Porém, não achei muito legal este shopping. Preferi muito mais o Shopping Jardins, bem mais novo e com um grande e belo tanque de carpas, feito em rocha, com vários níveis e cascatas, no centro da praça de alimentação. Dei uma volta no amplo e bem-planejado calçadão da orla de Atalaia e visitei o Oceanário. É pequeno, mas bem-cuidado. Tem um terminal de vídeo linkado com uma câmera submarina em tempo real instalada no pilar de uma plataforma da Petrobrás, na costa de Sergipe.

Aliás, quando o Brasil vai ter um aquário nos moldes dos existentes no Japão, EUA, Austrália, que seja uma das grandes atrações turísticas da cidade onde se encontrar, mesmo que seja explorado pela iniciativa privada?

Nessa noite, jantei uma carne de sol com pirão de leite n’O Miguel – tradicional restaurante da cidade, “o rei da carne de sol”. Tem várias opções para a carne – de picanha, filé mignon, etc. Tem também um surubim que garantem ser ótimo. Não provei.

Curiosidade: se no princípio a carne de sol era posta ao sol para curtimento, com o tempo ela passou a ser posta no sereno. Ou seja, virou carne de lua. Hoje em dia, é feita salgando-se um pouco e deixando 24 horas numa câmara frigorífica a 10°. 

No dia seguinte, fui a Mangue Seco, no Litoral Sul, uma das grandes atrações turísticas de Sergipe. Só que fica na Bahia (mas não contem a ninguém)…

Em Mosqueiro, pega-se a balsa para cruzar o rio.

img_0976.JPG

Isso se desencalharem o rebocador… Brincadeira, não foi esse, claro.

Mais um trecho de estrada e se pega a escuna que cruza o Rio Real, divisa entre Sergipe e Bahia. Mangue Seco fica na outra margem do rio.

img_0979.JPG

Esses barcos abaixo são típicos da região e são chamados de “borboletas”, devido à forma e posição das duas velas.

img_0983.JPG

img_0984.JPG

Em Mangue Seco, o tradicional: contrata-se um dos bugueiros para um passeio, enquanto o almoço é reservado no restaurante.

img_0987.JPG

Quem viu “Tieta” – a novela ou o filme, vai identificar a igreja-matriz, acima, e os dois coqueiros “Romeu e Julieta”, abaixo.

img_0998.JPG

img_0988.JPG

img_0990.JPG

A praia de Mangue Seco é bem gostosa de se banhar. Águas calmas e mornas.

img_1000.JPG

Almoçamos na Pousada Asa Branca – aquela onde se reserva a refeição antes do passeio, tanbém citada no livro do Chico Júnior. Comemos uma mariscada muito deliciosa, com tudo que tinha direito – ostras, siri, camarão, peixe…

Na volta, uma curiosidade: o guia nos levou num restaurante onde o dono cria tambacus (cruzamento de tambaqui com pacu) num lago. Só que ele não cria para alimentação; o faz apenas por prazer. Os peixes são de estimação.

img_1001.JPG

Peixinho, peixinhoo… psst, pssst… (lembrem que eles têm um metro de comprimento, em média)

No dia seguinte, uma furada: primeiro, o city-tour mais sem-graça do qual eu já fui. Pior que esse, talvez só o de Recife. Para não dizerem que não falei de flores, seguem fotos do centro de artesanato (TODA capital nordestina tem um centro de artesanato, o qual era uma cadeia no passado e hoje as celas são as lojinhas), da Igreja de Santo Antonio e da Praia do Refúgio.

img_1008.JPG

img_1006.JPG

Belíssimo efeito de contra-luz…

img_1009.JPG

Então a segunda furada: entediado com o city-tour, resolvi chamar um táxi para me levar a Praia do Saco, relacionada num guia francês como uma das mais belas do mundo. Já eram mais de meio-dia e o táxi chegou com uma hora de atraso. Depois, chegamos na estação de balsas – a mesma do caminho de Mangue Seco – quando a balsa havia acabado de sair. Outra, só 40 minutos depois. Fora o percurso pós-rio até a Praia do Saco. Nesse meio-tempo, o clima começou a virar e nublou. Finalmente, ao chegarmos no Saco – que saco: a maré já estava alta e não pude conhecer o lugar. O problema é que a parte bonita da Praia do Saco é lá no final, o que exige uma boa caminhada. Quando se chega de carro, é o início da praia, onde só tem casas abandonadas pela invasão progressiva das águas.

Ou seja: nada de Saco. Vim embora contrariado. Faz parte…

Continua no próximo post.