Uma questão me assola a mente e até comentei o fato com a Lu Malheiros e com a Carla Portilho: às vezes penso em viajar para certos países que vivem sob regimes ditatoriais e confesso que sinto um mal-estar quanto a isso. Em míudos: ao viajar para esses países, estaria eu, de uma certa forma, “contribuindo” para a manutenção do status quo vigente, nem que seja pela simples entrada de divisas? Eu estaria, ainda que indiretamente, “legitimando” o regime?
Ou, de uma certa forma, eu estaria ajudando a população local, através do, digamos, intercâmbio cultural, ainda que mínimo? Poderia eu estar plantando a semente de uma revolução? - não, não tenho 1% dessa importância… Ou até pelo ingresso de recursos advindos do turismo, eu estaria contribuindo para a elevação do nível de vida das massas e sua conscientização política, que levaria à derrubada da ditadura? – não, não tenho 0,0001% dessa importância…
Porém, o isolamento não é uma boa solução, vide o embargo a Cuba: se já tivesse acabado, os bodes velhos já teriam sido apeados do poder há muito tempo.
Ainda temos duas questões práticas:
1- Quanto mais autoritário o regime, menos direitos você tem, ainda mais sendo turista. Na hipótese mais terrível, considere ser acusado por um policial corrupto de um crime que você não cometeu e pagar uma etapa numa prisão etíope, com tratamento VIP, ou seja, um mês sem poder sentar direito;
2- Tomando a decisão de não visitar ditaduras, isso excluiria uma grande parte de lugares que eu pretendo conhecer: Venezuela (Los Roques), Cuba, Tailândia, Singapura, China, Rússia e todas suas ex-repúblicas, Indonésia, Turquia, Marrocos, Tunísia, Egito, todo o Oriente Médio (incluindo Dubai) exceto Israel, Malásia etc.
E aí, caros leitores? Manifestem-se à vontade. Só não vale xingar a mãe.
ATUALIZAÇÃO: conforme lembrou muito bem a Lu Malheiros nos comentários, o processo de visto e imigração para os EUA também não me agrada nem um pouco (quando eu uso expressões do tipo “não me agrada nem um pouco”, leia-se “revolta visceral”. Quando eu uso expressões do tipo “revolta visceral”, leia-se “é melhor nem imaginar…) e adia meus planos de viagem a esse interessante país.