Paraibano

março 11, 2007

Um dos maiores atrativos da Paraíba e de sua capital, João Pessoa, é ter tudo que as outras capitais do Nordeste têm e não ser tão divulgada, o que ainda a torna uma opção perfeita para feriadões e altas temporadas. Porém, o número de turistas vem aumentando a cada ano; inclusive há uma proposta de mudar o nome da cidade para Cidade da Paraíba, pura e simplesmente. Alguns acham que assim, a “marca” será mais facilmente fixada para o turista médio. Questões marketeiras-topográficas à parte, trata-se de uma cidade muito agradável de se passear ou mesmo de se viver. Juntamente com Aracaju, é uma das duas capitais do Nordeste onde eu moraria tranqüilamente – e as duas são as líderes no ranking de qualidade de vida da região.

Vou narrar neste post a viagem que fiz até lá em novembro de 2005, bem no feriadão da República. Nessa época, a totalidade dos vôos saindo do Galeão-RJ para João Pessoa incluía uma escala ou conexão em Recife. Hoje, é possível pegar até vôos diretos pela Gol ou pela TAM – a Varig, companhia pela qual eu fui, não mais opera para lá – por enquanto.

As opções de hospedagem concentram-se todas na orla (praias de Manaíra, Tambaú e Cabo Branco), o que é de muito bom tom. Eu fiquei no Littoral, na paria de Cabo Branco. Entendam: embora seja um bom hotel, não é o quatro estrelas descrito. Mas isso acontece em todo o Nordeste; sempre tire uma estrela (ou duas, se você for um lorde inglês muuuuito exigente, como um grande amigo meu) da classificação oficial. Outras opções incluem o Hardman, tido como o melhor da cidade, o Tropical Tambaú, que virou cartão-postal pela sua forma de disco voador (é um predecessor do MAC de Niterói…), o Littoral Express e o Tambaú Flat.

Uma boa maneira de conhecer o litoral do estado é alugando um carro, ou, se você preferir, contratando um bugueiro ou taxista de confiança. Os preços não são caros, e se você estiver num grupo de três ou quatro pessoas, melhor ainda. Os hotéis podem indicar um.

O roteiro abaixo é apenas uma sugestão; as etapas podem ser feitas do jeito que se achar melhor. A ordem dos tratores não altera o viaduto.

Para começar os trabalhos, vá pelo litoral norte, pegando a Av. João Maurício e depois a BR-230 (trecho para o norte). No caminho, você vai passar pela ilha de Areia Vermelha, um banco de areia que se forma na maré baixa, e onde se chega através dos barcos que ficam na praia do Poço ou Camboinha, em Cabedelo. Ali pode-se desfrutar das piscinas naturais e dos bares temporários que são rapidamente montados pelo pessoal na ilha. Deve-se tirar uma manhã só para a visita à ilha, para se ter mais tempo. Continuando, perto do porto de Cabedelo, está a Fortaleza de Santa Catarina, construída em 1586, e talvez a única do Brasil que não é mantida com recursos públicos, e sim pela Fundação Fortaleza de Santa Catarina, através do ingresso cobrado (R$ 1,00 !) e da promoção de eventos culturais.

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Em seguida, pega-se o ferry-boat para atravessar o rio Paraíba, em direção ao litoral norte propriamente dito.

Eis o barcônibus que faz a travessia de passageiros. Só no Brasil você vai encontrar este tipo de engenhosidade – uma carroceria de ônibus em cima de um barco. É isso mesmo que você viu.

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Em direção a Barra de Miriri, passa-se pelas praias de Fagundes e Gameleira. Na praia do Fagundes, há uma casa, onde fica o restaurante do Daltro, o dono. Os bugueiros e taxistas conhecem. Pode-se parar lá para encomendar o almoço – recomendo a tainha na brasa, recheada com vagem, tomate e cebola picadinhas, arroz, feijão verde, farofa, salada de alface, cebola e tomate, molho à campanha e mandioca frita na manteiga de garrafa. Dá para três e é uma delícia, como se pode deduzir. Também se pode levar para o passeio a “merenda” – um isopor com cervejas. Se beber, não dirija; se dirigir, não beba.

A Barra de Miriri é um local encantador. Pode-se apreciar a paisagem, banhar-se na praia de mesmo nome em frente, ou caminhar. Só tome cuidado com a subida da maré, ou você e seu bugre ficarão ilhados.

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Atravesse o rio a nado – cuidado com as conchas de ostras e mexilhões; cortam para burro – e caminhe pelo mangue do outro lado; vale muito a pena e é uma área de ocorrência de peixe-boi. Talvez você dê sorte e veja um. Não tirei fotos dessa margem, pois evidentemente não podia nadar e levar a câmera…

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Ruínas de uma igreja abandonada após sua invasão por uma gameleira sem-teto, entre Miriri e Fagundes.

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Se ainda houver tempo, vá até a belíssima Barra de Mamanguape. Se não, reserve outro dia. É só voltar, seguir a PB-025 (para oeste), encontrar com a BR-101, seguindo para o norte e descer a PB-033, outra vez em direção ao litoral (leste). Eu não fui, pois estava sem tempo; da próxima vez voltarei. Também é muito bela. Diz-se que a praia é melhor que a de Miriri, e tem um projeto de proteção ao nosso amigo peixe-boi, além da comunidade indígena local.

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A essa altura, você já pode voltar ao Daltro para saborear seu almoço. Depois do lauto repasto, é de bom tom descansar nas redes do local, em frente à praia do Fagundes.

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Na volta a João Pessoa pela BR-230 (trecho para o sul), lembre-se de parar na praia fluvial do Jacaré, às margens do rio Paraíba, para apreciar o pôr-do-sol. Ali, o homem, a lenda, o mito Jurandy do Sax - também conhecido como José Jurandy Félix – encerra o dia acompanhando o poente ao som do bolero de Ravel no seu saxofone, numa canoa que vem lentamente pelo rio até o pier do bar Friend´s. Jurandy repete este ritual há vinte anos e virou ponto turístico da cidade. Lá vem ele!

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Lembre-se também que na Paraíba, o pôr-do-sol acontece entre 17:05 e 17:20, portanto chegue no Jacaré por volta de 16:30.

Para o jantar, ou mesmo o almoço, são altamente recomendáveis o Tábua de Carne e o Mangai, no quesito “comidas típicas”. Já disse e repito: se eu fosse milionário e tivesse um jatinho, iria todo final de semana no Mangai de João Pessoa ou de sua filial em Natal, só para comer a excelente comida típica de lá, servida a quilo em duas imensas mesas com umas cinqüenta travessas cada. Não perca.

E, se depois você quiser um programinha “compras e cinema”, vá no Manaíra Shopping, o maior da cidade.

Tire uma tarde para conhecer o casario histórico no centro de João Pessoa, na praça Anthenor Navarro. Ali e nas ruas adjacentes, além do casario, você pode ver o Hotel Globo - atualmente consulado da Espanha , a Igreja de São Frei Pedro Gonçalves, a antiga estação de trem em frente ao rio Paraíba, os belíssimos conjuntos barrocos da Igreja de São Bento e da Igreja de São Francisco, Convento de Santo Antônio e seu cruzeiro (todos abaixo na ordem descrita).

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E, como curiosidade, vale pegar a Av. Cabo Branco, em direção ao sul, e visitar o Farol de Cabo Branco, na falésia em cima da Praia da Ponta do Seixas – o ponto mais oriental das Américas. Depois planeje uma viagem até as Ilhas Aleútas, no Alasca, e visite o ponto mais ocidental das Américas, fechando o círculo…

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Numa manhã ensolarada, você pode ir até as piscinas naturais de Picãozinho (é esse mesmo o nome). As balsas saem em frente ao Tropical Tambaú, na Av. Almirante Tamandaré, em Tambaú. É necessário reservar (e pagar) antes. As piscinas em si são muito lindas. O problema é que a imensa quantidade de gente pisando nas águas rasas levanta um monte de areia do fundo, e a visibilidade, que no início do mergulho é excelente, acaba caindo muito. Só vá com bastante sol pela manhã e com a maré baixa.

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Para quem se interessa por arqueologia ou mesmo paleontologia, existem três bons roteiros: o primeiro, que pode ser feito numa tarde, é ir até a cidade de Ingá, no sertão paraibano, a 90 km de João Pessoa, onde se encontram as Itacoatiaras (será que algum niteroiense andou por lá em priscas eras?), rochas com inscrições feitas há quatro mil anos atrás por algum povo desconhecido, que ninguém conseguiu identificar até hoje. Há teorias que falam em indígenas culturalmente mais avançados, fenícios que vieram à América do Sul, e até mesmo extraterrestres. Prato cheio para os que acreditam que eram os deuses astronautas…

Pegue a BR-230 para o oeste, até Ingá, e vá até a fazenda Pedra Lavrada, onde está o sítio arqueológico. Eu fiz com um taxista, por R$ 120,00 ida e volta (11/2005). Lá o simpático sr. Renato, que cuida do sítio, será o guia da visita. Outras opções, que demandam mais tempo e que eu não fui, incluem o Lajedo do Pai Mateus - rochas erodidas em formas e posições surreais, no município de Cabaceiras, 65 km a leste de Campina Grande, e o município de Sousa (420 km de João Pessoa, BR-230), onde há um sítio com pegadas de dinossauros no leito rochoso.

Ingá para os íntimos e suas inscrições. Se você acha que no litoral faz calor, aqui você vai ver o que é bom…

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Reserve um dia para o Litoral Sul, em direção ao município de Conde. Pegue a Av. Cabo Branco até chegar à PB-008, rodovia litorânea. No caminho, você faz o menu: há a praia do Sol…

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…também tem Barra de Gramame, foz do rio de mesmo nome, gostosa para banhos e com um bar para beber e beliscar uns guaiamuns (aquele caranguejo vermelhinho e brigão)…

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…e também as belíssimas falésias de Carapibus e Jacumã…

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…e a praia de Coqueirinho, uma das mais belas do Nordeste. Detenha-se aqui, aproveite o bar, caminhe pela praia, banhe-se nas águas mornas e calmas.

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A seguir, variações sobre o mesmo tema: visões, do alto da falésia, das praias de Tabatinga e Coqueirinho.

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Continuando para o sul, logo encontramos a praia de Tambaba. Esta é a famosa praia naturista do Nordeste, feita para aqueles que gostam de criar o bicho solto. É dividida em duas partes – uma com acesso liberado aos “vestidos”, e outra só para os “não-vestidos”.

Dizem – eu não entrei – que a parte nudista é muito mais bonita que a outra. De fato, o trecho não-nudista possui uma areia grossa, quase cascalho. Mas possui águas calmas e uma paisagem bonita, com ilhotas na beira d’água.

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Um aviso para quem pensar em tentar: só é permitida a entrada de mulheres ou casais no trecho nudista. Homem sozinho, nem pensar. A maior diversão foi ficar numa mesa do bar, observando os casaizinhos indo para o trecho naturista (há uma guarita), e voltando cinco minutos depois, rindo nervosamente e todos sem-graça. Não tiveram coragem de ir até o fim.

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Na volta, se você estiver acompanhado de sua cara-metade, desça na praia do Sol e procure a pedra do Amor. Diz a lenda que o casal que passar junto debaixo do arco de pedra amar-se-á eternamente (estava doido pela oportunidade de usar uma mesóclise). Não custa tentar.

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Se tudo isto não for o suficiente para você, retroceda ao início do jogo e faça tudo de novo. Isto é a Paraíba.

Volte sempre.