Defendendo a Terrinha (3)

Março 28, 2007

Encerrando (por enquanto) a série “Niterói: ame-a ou deixe-a”, vou completar o tour pelas fortificações históricas mostrando a Fortaleza de Santa Cruz para os dignos leitores. Com sua construção estabelecida na entrada da baía de Guanabara em 1555 por Villegaignon, foi capturada em 1567 por Mem de Sá e passou os 300 anos seguintes em obras de remodelação, o que mostra que jamais na história mundial prazos e orçamentos foram cumpridos à risca.

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Para chegar lá, é o mesmo caminho já descrito no post anterior, com o acréscimo de ir até o final do bairro e pegar a estrada Mal. Gaspar Dutra, bem estreita e que necessita cautela nas curvas, pois não se vê quem vem do outro lado devido à encosta rochosa. Lembrete: ao contrário das outras, aqui a visita é guiada, e os grupos saem de hora em hora. Ou seja, se você chegar, digamos, às 14:05, vai esperar uma hora até a saída do próximo grupo. Entrada – R$ 4,00.

Aguarde o sinal…

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… e entre.

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O tour irá mostrar, entre outras coisas, a capela de Santa Bárbara, as baterias de canhões e alguns dos tratamentos VIP que os portugueses dispensavam aos seus hóspedes, como a masmorra onde os prisioneiros eram acorrentados às paredes úmidas sem ver a luz do sol e a rocha da Baleia onde se afogavam os infelizes, acorrentados e esperando a maré alta (abaixo). Já o paredão de fuzilamento e a masmorra de esquartejamento, conhecida à época como “cova da onça”, não são mais mostrados no passeio – até 2000 eram. Talvez a praga do politicamente correto tenha chegado aqui, também.

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Aqui, algumas visões da fortaleza. Hoje em dia, ela é muito usada para casamentos e festas de debutantes. Se você quer gravar alguma novela ou filme de época, pode vir aqui também sem erro.

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O Forte São Luiz e o Forte do Pico podem ser vistos na foto abaixo, no morro ao fundo.

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E, como infelizmente o Forte do Imbuí não está mais aberto à visitação, a única chance de vê-lo é daqui, com um binóculo ou um bom zoom.

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Você está deixando Niterói. Volte sempre.


Defendendo a Terrinha (2)

Março 25, 2007

O leitor pediu e a gente atendeu: o Jorge perguntou se eu iria fazer uma reportagem (gostei desse termo) sobre o MAC -  Museu de Arte Contemporânea de Niterói, que ele quer muito conhecer um dia. Como já estava nos meus planos e eu também queria ir até a Fortaleza de Santa Cruz para fechar o post anterior dessa série, tirei esse domingo para fazer umas externas, como se diz na TV.

Sendo assim, vamos lá: vocês já sabem que o MAC foi projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1996, já sabem que o museu se transformou – com muita justiça – no símbolo de Niterói, e já sabem que, devido ao seu visual futurista, vem sendo usado para cenários de fotografia de moda, em revistas nacionais e internacionais (chiquérrimo). Então apreciemos o museu, que sem clichê nenhum, já é uma obra de arte digna desse nome:

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 (A foto abaixo é do Luiz Eurípides, outro entusiasta autodidata da fotografia aqui do trabalho)niteroi-mac.jpg

Para quem vem de fora, chegar ao museu, que fica no bairro de Boa Viagem, é fácil: é só se dirigir ao centro de Niterói e seguir pela orla em direção a Icaraí, passando pelo Gragoatá (de novo: gra-go-a-tá). Inteira: R$ 4,00; meia: R$ 2,00; quartas-feiras entrada franca.

Até 11 de abril rola a bela exposição “Deuses Gregos em Tempos Contemporâneos – coleção do Museu Pergamon de Berlim”. A mostra conta com várias estátuas originais e peças gregas de cerâmica, traçando um paralelo com o panteão afro-brasileiro e com a arte moderna, representada por peças da coleção do MAC. Na minha opinião, foi a melhor que eu já vi lá. Infelizmente, não é permitido fotografar; essa abaixo é do site oficial:

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Para não perder a viagem, o turista pode, se quiser, visitar a Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, construída no século XVII e localizada na ilha de mesmo nome, perto ao museu. Visitação marcada com 48 horas de antecedência, contato (21) 2710-6581, entre 12 e 14 horas.

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Como também lembrou a Carla, foi inaugurado o bistrô do museu, um lugar bem legal para um café. Antes tarde do que nunca: a utilização do espaço por um restaurante já era prevista desde a inauguração, em 1996…

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E, para encerrar a visita, a participação especial deste que vos escreve, fotografando as janelas do MAC. Próxima parada: Fortaleza de Santa Cruz.

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Defendendo a Terrinha (1)

Março 21, 2007

Inaugurando a categoria “Passeios” (se bem que, para quem não mora em Niterói ou no Rio, enquadrar-se-ia em “viagens”)…

Niterói tem um conjunto de fortalezas para historiador e turista nenhum botar defeito. A maior parte delas localiza-se no bairro de Jurujuba (de novo: Ju-ru-ju-ba), bairro pesqueiro no final da orla da cidade. Este conjunto consiste no 8º Grupo de Artilharia de Costa Motorizado e engloba os Fortes de São Luiz, do Pico, do Barão de Rio Branco e Imbuí – todos na mesma região, no meio de Jurujuba – e a belíssima Fortaleza de Santa Cruz, sua sede e que fica bem no final do bairro, após uma estreita estradinha que margeia o sopé do morro onde foi construída, em 1555.

Quem mora em Niterói ou no Rio pode visitar aos poucos as fortalezas. Já quem vem de fora vai precisar de um dia inteiro para ver tudo.

Para chegar lá, é fácil: após Icaraí, siga até Charitas, sempre pela orla (praia de Icaraí, estrada Fróes, praia de São Francisco e praia de Charitas). Após o Clube Naval, você vai chegar num trecho bem estreito, onde só passa um carro por vez. Desça esse trecho e você chegou no conjunto do Forte do Rio Branco, fazendo o retorno para a esquerda.

O Forte do Rio Branco é o início de tudo (fotos de 04/2005). Ali operam as vans que levam os visitantes ao Forte Imbuí (*) e ao Forte São Luiz, sendo que os dois percursos são pagos. Antigamente era permitido caminhar pela colina até o São Luiz, o que era um bom exercício…

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Num gentil oferecimento do Google Earth, vemos no mapa technicolor acima o caminho para o Forte Rio Branco (seta azul), o próprio Forte (círculo verde), o Forte São Luiz (círculo vermelho), o Forte do Pico (círculo amarelo) e o caminho para o Forte Imbuí (seta roxa), além da bela praia do Forte do Rio Branco (ou praia de Fora), que possui acesso controlado pelo Exército, igual à não menos bela praia do Forte Imbuí. Ou seja: para banhar-se aqui, você vai precisar de autorização, em geral só disponível para os oficiais e suas famílias. No caminho para o Imbuí, há também um hotel de trânsito para oficiais.

Aqui, o portal do Forte Rio Branco. O estacionamento fica à esquerda, antes do portal (foto do site oficial; por algum motivo, não permitem fotos desse portal. Deve ser uma instalação secretíssima…)

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Quer uma lembrança para enfeitar sua casa?

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Essa é a praia do Rio Branco. Já que não se pode entrar, pelo menos dá para vê-la enquanto se espera a van.

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Após alguns minutos de van, chega-se ao Forte São Luiz, estabelecido no século XVI e finalizado no século XVIII.

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Aqui, uma vista da Fortaleza de Santa Cruz, que fazia par com o Forte do Leme na defesa da baía. Sobre ela, falaremos em outro post.

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Subindo-se mais um pouco a pé, encontramos o Forte do Pico (nome óbvio), construído em 1913 para defender as fortalezas mais abaixo (fortes “em escada” não deixam de ser novidade). Aqui, vista das casamatas e canhões.

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Uma vista da enseada onde está o Forte Imbuí, lááá no final.

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E, como o Agora Vai também é cultura, fechamos com um poema de um mestre:

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(*) Atualização: hoje, ao completar o tema do post, visitando a Fortaleza de Santa Cruz, fui informado que o Forte do Imbuí não está mais aberto à visitação para o público em geral. É uma pena e, diria mais, um pecado. Esperemos que a atual administração se sensibilize…