As agências costumam ir de Cusco a Puno de ônibus, parando em alguns lugares ditos “turísticos” para a devida apreciação. Como estava em pacote, esse foi o meu caso. Então, uma viagem que levaria cinco horas levou o dia inteiro.
Mais uma vez acordando cedo para embarcar no ônibus (céus, essas minhas férias…), a primeira parada foi na Capella de Andahuayillas, tida como a Capela Sistina dos Andes pelas pinturas barrocas que decoram as paredes e o teto. Descontando-se algum exagero, o fato é que não se pode fotografar dentro da capela, e assim, a única imagem que terá o leitor será externa:
A seguir, a parada mais interessante da viagem: as ruínas do templo do deus inca Viracocha em Raqchi, construído em pedras vulcânicas após uma erupção – erupção esta que fez a amedrontada população construir o templo. O bom de ser um deus é que seus poderes de persuasão são ilimitados.
Uma parada para o almoço em Sicuani, do qual não quero me lembrar pela absoluta falta de variedade do que comer e logo outra parada no mirante de La Raya, limite entre os departamentos de Cusco e Puno:
Cobrarei royalties de quem usar a foto acima como papel de parede.
A última parada foi no museu arqueológico de Pukara, onde também só é permitido tirar fotos do pátio.
E enfim rumamos em direção a Puno, passando pela cidade de Juliaca. Começou a nublar – em todos os sentidos.
(PAUSA PARA RESPIRAR…)
3- Puno, 3.900 metros de altitude…
Que me desculpem os juliaquenses e punenses, MAS a estrada que passa por Juliaca é pior que a Niterói-Manilha no meio da Guerra do Iraque. As duas cidades parecem não ter nenhum código de posturas urbanas. Puno é uma favela imensa. Os prédios são construídos com os tijolos expostos nas paredes externas e os vergalhões espetados no teto, para fora, como piaçavas. Reboco, caiagem e outros luxos são desconhecidos. Uma pobreza, uma feiúra terríveis – e olha que venho do Brasil, com todas as suas mazelas sociais. Talvez os moradores do Complexo do Alemão ou da Rocinha tivessem algo a ensinar sobre arquitetura e urbanismo ao pessoal.
Este último parágrafo pareceu pesado? É a minha opinião. Diante de tantos sites e livros que dizem apenas que “Puno é uma cidade sem graça, etc”, realmente o texto acima parece carregado, mas cidade “sem-graça” para mim é uma coisa. Puno é outra coisa.
Essas foram minhas primeiras impressões ao chegar a Puno. Depois piorou. O hotel Casa Andina Classic Puno Plaza só tinha como vantagem ficar ao lado da rua do movimento, a rua dos restaurantes. Tirando isso, é um hotel com quartos pequenos, sem espaço, muito simples (ainda mais pelo padrão que eu vinha tendo durante a viagem) e com aquecedores subdimensionados. Mas o atendimento era correto. O interessante é que a rede Casa Andina tem duas marcas no seu portfólio: a Classic é realmente tida como a básica, e a Private Collection é que é a bambambam, cheia de luxo e conforto.
A seguir: Ilhas Artificiais dos Uros e Chullpas de Sillustani






Escrito por Arthur 
