Saqsaywaman et cetera

Maio 17, 2008

Num dia nublado, passa o ônibus turístico para o city tour em Cusco. A primeira parada foi nas ruínas do Templo do Sol – Korikancha, em volta do qual se construiu o Convento de Santo Domingo. Isto deve ser um exemplo extremo de sincretismo religioso.

Assim, de um lado temos o pátio interno do Convento…

… do outro temos as ruínas de Korikancha.

Dentro, podemos apreciar a engenhosidade dos arquitetos incas, como o alinhamento perfeito entre as janelas da construção. Por falar em engenhosidade: em qualquer construção inca, diz-se que é fácil distinguir as partes da obra que são originais das partes restauradas - o que é original é muito mais perfeito.

Também podemos ver o tipo de encaixe macho-e-fêmea utilizado nas rochas, bem como uma maquete da construção em seus áureos tempos.

   

Aqui, uma vista geral do Convento.

Depois, rumo a Saqsaywaman (em inglês, a pronúncia lembra “sexy woman”…). Na verdade, o que muitos pensam ser apenas a construção em forma de fortaleza compreende mais três sítios arqueológicos: Tambomachay, que são fontes de água conhecidas como “Baños del Inca”, Puka Pukara, que se destinava à proteção da entrada da cidade, e Qenqo, o templo do puma onde havia um altar para sacrifícios dentro de uma caverna.

Saqsaywaman na verdade não era uma fortaleza; era um lugar de culto conhecido como a Casa do Sol, nos tempos incaicos.

Aqui, um pássaro típico, o cará-cará:

É permitido subir nas ruínas. Na esplanada ao redor, até hoje é celebrado o Festival do Sol, no dia 24 de junho.

A seguir, Tambomachay.

E Puka Pukara:

E um belo pôr-do-sol cusquenho.

Por último, Qenqo. Infelizmente, a guia calculou mal o horário e chegamos já ao anoitecer (engraçado, já havia acontecido isso no Atacama, ano passado…). O resultado é que as fotos não ficaram boas, com exceção da pedra ritual de sacrifícios, dentro da caverna:

A seguir: Machu Picchu


Grande Retorno do Blog: Peru

Maio 15, 2008

Após uma boa temporada de férias, este blog volta à ativa em grande estilo. Confesso que uma questão assolava minha mente: como escrever sobre minha recente viagem ao Peru sem ser repetitivo e sem ser mais do mesmo, quando já temos os excelentes textos da Carla – que esteve lá no ano passado - e provavelmente também teremos os textos da Camila – que esteve lá por esses dias?

A resposta, como diria o Mestre Zen Gafanhoto Psicanalista, está na própria pergunta: cada viagem é uma viagem, abarcando únicos pontos de vista e impressões sobre um determinado lugar, que somados ao estilo próprio de cada autor, fornecem uma contribuição inconfundível para os relatos de viagem daquele lugar. Essa foi cabeça.

Findo o lero-lero introdutório, esta viagem surgiu quando, ao planejar ir ao Atacama ano passado, pensei também em ir ao Peru na mesma viagem. Dadas as restrições orçamentárias vigentes à época, o pobre do Peru ficou para depois (vai ser difícil evitar trocadilhos infames com este país de duplo sentido, mas prometo que vou tentar me conter).

Sendo assim, o plano inicial, que consistia em Lima, Cusco e Machu Picchu, foi incrementado com o Lago Titicaca, totalizando onze dias de viagem. E lá fui eu…

1- Cusco, 3.400 metros de altitude…

Após um longo vôo da LAN Chile, saindo do Rio às 14:30, com escala em São Paulo e conexão em Santiago, cheguei em Lima por volta de meia-noite, horário local – e 2:00 no Brasil, ou seja, quase doze horas de viagem. Pelo menos fartei-me duas vezes com o excelente serviço de bordo da companhia. A seguir, traslado ao hotel Sol de Oro (cinco estrelas, tão pensando o que?) e despertar às 5:15 para o traslado até ao aeroporto novamente para o vôo até Cusco. E isto é o que chamamos “férias”.

Não esquecendo do mal da altitude, o famoso soroche, já no vôo a Cusco fiz questão de tomar um chá de coca que tinha no bolso (a operadora de viagens forneceu-me um kit com dois sachezinhos, entre outros badulaques).

Chegando em Cusco (e tendo a sensação repentina de ter subido cinco lances de escada correndo), hospedagem no Eco Inn Cusco, hotel pertencente à rede peruana Eco Inn, muito bonito, moderno e confortável, com direito a TV LCD no quarto.

A agência de viagens programou um dia inteiro de descanso em Cusco, a título de aclimatação. Para um ansioso terminal como eu, isto foi um grave erro. Não aguentei e fui andar nas ruas, até a Plaza de Armas da cidade.

A Catedral e a Igreja de la Compañía de Jesus:

Abaixo, belos exemplos das construções coloniais típicas, com balcões em treliça:

Nesta foto acima, também se vê o onipresente Daewoo Tico, o modelo de carro preferido por 11 entre 10 taxistas de Cusco. Depois de algumas horas, você começa a ter medo de sonhar com uma manada de milhares de Ticos te perseguindo…

Nesse dia, almocei no restaurante Mesón de Don Tomás, em frente ao Convento de Santa Catalina (rua Arequipa, perto da Plaza). O restaurante é bem simpático e serve uma boa comida típica. Confesso que fiquei com vontade de comer o cuy, o porquinho-da-índia que é um dos pratos típicos peruanos, mas até um esfomeado como eu ficou com pena do bichinho, pois ele vem inteiro à mesa… Além do fato que, ao comê-lo, você vira instantaneamente a atração turística do local: presenciei um garçom, levando um prato de cuy à uma senhora, tendo que parar para posar para fotos de uma mesa cheia de turistas. Aí é muito mico. Acabei ficando mesmo no lomo saltado (iscas de filé mignon salteadas com cebola, tomate, pimentão e temperos, com arroz e batatas fritas).

Se você veio por intermédio de um pacote de uma agência de viagens, provavelmente o seu boleto turístico de ingresso em vários museus e locais arqueológicos já está incluído. Se não, compre-o na prefeitura, na avenida Sol. Custa 70 soles (R$ 42,00). Outras informações aqui: http://www.boletoturisticocusco.com/

Na verdade, após esse primeiro dia em Cusco, fui a Machu Picchu, com pernoite em Águas Calientes e posterior retorno a Cusco, mas achei melhor concentrar as atrações de Cusco num bloco só, sem interrupção. Sendo assim…

A seguir: Valle Sagrado e Ollantaytambo