Após o precoce e traiçoeiro falecimento da minha placa de vídeo – aqueeeela, tão bem desejada, aguardada e comprada no ano passado – que me deixou ausente da internet aqui em casa durante longos quatro dias (já disse que não posso acessar meu blog do trabalho), voltemos a esta expedição peruana.
Um dos passeios comuns no lado peruano do lago Titicaca é uma visita às ilhas artificiais dos Uros. Os Uros, na verdade, já são uma etnia extinta e atualmente seus descendentes mestiçados são os reais habitantes das ilhas.
E o que são estas ilhas artificiais? Bem, no que deve ter sido o primeiro esboço de comunidade alternativa hippie-sem-terra da história, os Uros, no passado, decidiram criar suas próprias ilhas valendo-se das raízes da totora – o junco que cresce no lago e também é usado para a construção de barcos e casas – amarrando-as umas nas outras e recobrindo-as com camadas perpendiculares de totora, criando ilhas flutuantes ancoradas em certas partes do Titicaca.
Hoje, os Uros vivem da pesca, do turismo e do artesanato. Há também um hotel (!) - o Kamisaraki Inn Lodge, na ilha de mesmo nome, para quem quiser passar a noite sentindo-se um “urense”, mas não espere TV a cabo, frigobar e colchão de molas king-size. Ao contrário, só o que você vai ter é sua cabaninha com um colchão e olhe lá. Leve seu MP3.
No caminho, você já vai passando pelas áreas onde crescem as totoras.
Este é o vapor Yavarí. Construído na Inglaterra em 1862, foi entregue em partes transportadas por mulas até o lago, para ser remontado e servir à Marinha Peruana como canhoneira. É o navio de metal a hélice mais antigo ainda em funcionamento no mundo.
E enfim chegamos a ilha de Jachatata. Claro que os habitantes já armaram suas tendinhas de artesanato para receber os turistas.
É interessante pisar nelas pela primeira vez – parece que você está pisando num colchão.
Aqui, os habitantes e o guia mostram como as ilhas são construídas. Primeiro vem os blocos de raízes, depois as camadas de totora e depois as casinhas com os bonequinhos. Tudo muito bonitinho e parecendo um playmobil de totora.
Mais uma visão geral das ilhas – sim, eu subi naquela torre de observação da foto anterior.
No caminho a Kamisaraki, fomos numa canoa típica e cruzamos com um catamarã de primeira classe…
Aqui, a entrada do hotel onde a Emília se hospedou por uma noite. Já disse nos comentários que admiro esse desprendimento dos confortos materiais
Tem até criação própria de trutas!
Bye-bye!
À tarde, fomos nas Chullpas (tumbas) de Sillustani, monumentos funerários cilíndricos a 35 km de Puno, construídos pelos Kollas, povo que habitou a região antes dos Incas. Alguns historiadores comparam as primeiras chullpas e as últimas e acreditam que com o passar do tempo, os Incas escravizaram os Kollas e os usaram como mão-de-obra para construir as últimas chullpas, que obedecem ao padrão inca de construção: pderas perfeitamente polidas e encaixadas, ao contrário das primeiras.
Esta é a Chullpa do Lagarto, símbolo da vida pois regenera sua cauda quando a perde (no detalhe)
Agasalhe-se bem neste passeio, pois é um frio do cão. Cada metro que se sobre, parece que a temperatura cai uns dez graus…
Dentro das tumbas, ficavam as múmias dos dignitários, em posição fetal.
Repare, na foto acima, na diferença de construção entre uma e outra, o que fortalece a tese de que os incas tiveram parte na construção das mais recentes chullpas.
A seguir: Isla do Sol



















Escrito por Arthur 
