Enquete: Turismo e Ditaduras

Novembro 15, 2009

1984-george-orwell1Uma questão me assola a mente e até comentei o fato com a Lu Malheiros e com a Carla Portilho: às vezes penso em viajar para certos países que vivem sob regimes ditatoriais e confesso que sinto um mal-estar quanto a isso. Em míudos: ao viajar para esses países, estaria eu, de uma certa forma, “contribuindo” para a manutenção do status quo vigente, nem que seja pela simples entrada de divisas? Eu estaria, ainda que indiretamente, “legitimando” o regime?

Ou, de uma certa forma, eu estaria ajudando a população local, através do, digamos, intercâmbio cultural, ainda que mínimo? Poderia eu estar plantando a semente de uma revolução? - não, não tenho 1% dessa importância… Ou até pelo ingresso de recursos advindos do turismo, eu estaria contribuindo para a elevação do nível de vida das massas e sua conscientização política, que levaria à derrubada da ditadura? – não, não tenho 0,0001% dessa importância…

Porém, o isolamento não é uma boa solução, vide o embargo a Cuba: se já tivesse acabado, os bodes velhos já teriam sido apeados do poder há muito tempo.

Ainda temos duas questões práticas:

1- Quanto mais autoritário o regime, menos direitos você tem, ainda mais sendo turista. Na hipótese mais terrível, considere ser acusado por um policial corrupto de um crime que você não cometeu e pagar uma etapa numa prisão etíope, com tratamento VIP, ou seja, um mês sem poder sentar direito;

2- Tomando a decisão de não visitar ditaduras, isso excluiria uma grande parte de lugares que eu pretendo conhecer: Venezuela (Los Roques), Cuba, Tailândia, Singapura, China, Rússia e todas suas ex-repúblicas, Indonésia, Turquia, Marrocos, Tunísia, Egito, todo o Oriente Médio (incluindo Dubai) exceto Israel, Malásia etc.

E aí, caros leitores? Manifestem-se à vontade. Só não vale xingar a mãe.

ATUALIZAÇÃO: conforme lembrou muito bem a Lu Malheiros nos comentários, o processo de visto e imigração para os EUA também não me agrada nem um pouco (quando eu uso expressões do tipo “não me agrada nem um pouco”, leia-se “revolta visceral”. Quando eu uso expressões do tipo “revolta visceral”, leia-se “é melhor nem imaginar…) e adia meus planos de viagem a esse interessante país.


Blogs de Viagem

Setembro 17, 2009

Um projeto do qual fui informado e achei muito interessante é o Blogs de Viagem: consiste num site que relaciona os links para os feeds (rss) de vários blogs de viagem & turismo, categorizando por destinos, através de uma rotina de busca (ver o banner aí do lado, please).

O site ainda está na versão beta, mas já possui mais de 2.300 links, tanto dos blogs da comunidade VnV, como de outros blogueiros. Notem que são apenas os links para os feeds, como escrevi; não se trata de plágio ou cópia de conteúdos alheios, como lamentavelmente aconteceu semana passada num “blog” maluco desses por aí (e que até avisei ao Ricardo Freire, pois vários posts do VnV estavam descaradamente copiados no tal “blog”).

Mas o interessante é que, depois dos agregadores de buscas de hotéis, vôos, etc etc etc, agora temos um agregador de posts de viagem (onde se pode indicar os favoritos) para curtir.

Parabéns à equipe do site e ao Alexandre Pajola, webmaster do site, que gentilmente me contatou e até pediu sugestões para o projeto.

De nada.


Piratas do Caribe – Epílogo

Julho 2, 2009

Considerações Finais: Homenagem ao Povo Colombiano

Esta viagem à Colômbia me deixou muito feliz. Primeiro, por ter sido muito mais do que eu esperava; segundo, por ter ajudado (espero) a desfazer preconceitos e temores existentes em mim e nos leitores, pelo que eu vi nos comentários. Como eu mesmo escrevi na primeira parte dessa jornada: “Para muita gente, quando se fala em viajar até a Colômbia, o que vem à mente é um país violentíssimo, dividido em uma guerra civil que já se arrasta há mais de 40 anos, com atentados e tiroteios em qualquer lugar. Eu mesmo pensava assim e, até uns dez anos atrás, isso não deixava de ser verdade (…)”.

Antes de continuar, gostaria de conversar “virtualmente” com vocês, numa mesa de chope. Eu pago.

Não sou dado a excessos emotivos, nem ao que se pode chamar de “pataquadas”, especialmente quando escrevo neste blog. Respeito quem é assim, mas esse é o meu estilo. Porém, não me furto a esculhambar – o termo é esse mesmo – acontecimentos que superam em horror e desrespeito a nossa já tradicional miséria cotidiana, como aqui, aqui (prestem atenção na data) e aqui. Mais uma vez, isso sou eu. Evidentemente, não acho que alguém tenha obrigação de me acompanhar, nem quero ser líder ou guru de ninguém.

Sou agnóstico – considero que “a compreensão dos problemas metafísicos, como a existência de Deus, é inacessível ou incognoscível ao entendimento humano na medida em que ultrapassam o método empírico de comprovação científica. Assim, o conhecimento da existência de Deus é considerado impossível para agnósticos“. Isto é ficar em cima do muro entre ateus e crentes? Não, é simplesmente reconhecer que nossa mente é incapaz de provar a existência (ou não) de um Deus ou Deuses.

Se dizem que depois dos trinta, o indivíduo não tem mais o direito de ser ingênuo – aí é burro mesmo – que dirá chegando aos quarenta, como eu. Como disse Paulo Francis numa citação, “morrer é como antes de termos nascido” – 30 Anos esta Noite, Cia. das Letras, 1994.

Mas sigo o Pedro Doria, ateu, quando ele diz que “não faço a linha Richard Dawkins, que acha que a religião é um mal a ser extirpado do mundo“. Concordo. Apesar de séculos de intolerância e crueldade (como bem mostrou o Museu da Inquisição em Cartagena), que ainda persistem em setores retrógrados da Igreja Católica e das outras diversas religiões, a verdadeira fé é algo bonito de se ver.

Mas um momento em especial me emocionou nesta viagem – uma imagem, captada no lugar e tempo corretos, que fiz questão de deixar para o final.

Pois viajei para um país que foi literalmente sequestrado durante anos por psicopatas vagabundos, à “direita” e à “esquerda”, tudo em nome da “ideologia” – essa palavrinha muito bonita que serve de cobertor para as maiores atrocidades cometidas neste e no século passado. Um país que por pouco, não se tornou o Sudão da América do Sul, e que só agora começa a se recuperar. Pois encontrei pessoas alegres, uma belíssima cultura, cidades vibrantes, paisagens maravilhosas. Digo isso porque estive só nas áreas turísticas? Não. A Colômbia ainda tem suas mazelas, entre elas o maior número de refugiados internos do mundo – milhões de seres humanos postos a correr de suas casas, devido aos senhores que se acham acima do bem e do mal.

A guerrilha continua, nas selvas amazônicas, engajada na sua luta revolucionária – leia-se: sequestrar pessoas, exigir resgates e vender uns quilos do ”branco” e do “preto” por fora. Deve ser isso que Marx chamava de “acumulação primitiva do capital”. Mas tomou bastante porrada no ano passado, e que continue assim.

Porém, basta lembrar que, até há uns anos atrás, pagava-se pedágio às AUC – Autodefesas Unidas da Colômbia, paramilitares de direita, que já se entregaram, na estrada para Cartagena. Basta lembrar que, até alguns anos atrás, 40% do território colombiano não estava em poder do Estado.

Por tudo isso, eis a foto que me comoveu, tirada no Castillo de San Felipe de Barajas, e que vai como uma pequena homenagem ao povo colombiano:

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Colômbia, que o sol brilhe por ti. E que sua sofrida gente encontre o caminho da paz e do desenvolvimento que tanto merece, mesmo depois de todos esses anos – assim como Florentino Ariza só encontrou seu verdadeiro amor, Fermina Daza, cinquenta e três anos depois.

Mas encontrou.


Piratas do Caribe – Parte 8

Junho 28, 2009

E a saga está quase chegando ao seu fim…

Mapas do Arquipélago de San Andres e Providência para os leitores se situarem melhor (http://www.posadasturisticasdecolombia.com/):

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Existe um passeio de dia inteiro até a ilha de Providência, acima, feito de avião. Como o dito cujo sai às 7:30 da manhã (o que implicaria em acordar às 6:00, no mínimo) e provavelmente seria um claudicante teco-teco, não me senti compelido a aquiescer tal proposta, muito embora a ilha pareça ser bem interessante, pois é, digamos, mais “selvagem” que San Andrés. Infelizmente, não perguntei se há algum traslado de barco, mas isso também implicaria em um pernoite na ilha. Quem quiser, fica a sugestão. As pousadas estão no link acima.

Sobre a “night’” em San Andrés, ela se dá na Peatonal (calçadão, rua de pedestres em espanhol). Se você está no Decameron Aquarium, saia à direita do hotel e vá andando pela calçada. No caminho, você verá alguns restaurantes e bares de frutos do mar que me pareceram bem interessantes, mas esse é o problema de ficar num resort “all inclusive” – você se acomoda…

Depois de alguns minutos, você verá uma curva aberta para a esquerda. Continue e você passará pelo Decameron Los Delfines, o resort “boutique” da rede. Mais um pouco de caminhada e você encontrará a Peatonal, calçada com tijolinhos avermelhados e várias galerias comerciais com lojas de griffe, bares, restaurantes, caixas eletrônicos e até um cassino na diagonal direita da rua. Ali acontece o “footing”. Quem conhece a rua principal de Porto de Galinhas ou a Rua das Pedras em Búzios, achará familiar.

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(Foto: http://www.sanandres.gov.co)

É uma rua muito agradável para se ir. Mesmo se você já tiver enchido a pança no seu resort, faça a digestão caminhando por lá (e torrando sua plata em compras).

Após essas informações gerais, voltemos ao diário sanandresano: no dia seguinte, fiz o mergulho de escafandro pela Aquanautas, em” La Piscinita”, um belo lugar para esse tipo de atividade, devido à rica fauna marinha e águas cristalinas, também mencionado no Pergaminho Eletrônico da Meilin, que está fazendo a cobertura paralela desta viagem ;) . Não há praia, apenas uma escada e um trampolim para se descer n’água, além da infra-estrutura da empresa – uma balsa com os capacetes e cilindros de ar. Custo: US$ 58,00 com transporte (táxi), ingresso na “Piscinita” (que normalmente é de 2.000 pesos) e equipamento (capacete e sapatilhas) incluído.

Após a apresentação de um DVD explicando os cuidados básicos e como se dá o passeio de meia hora, que vai até 8 metros de profundidade – o limite de mergulho sem correr riscos de descompressão e sem precisar voltar à superfície fazendo pausas é de 10 metros - descemos até a balsa, com o instrutor.

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Claro que o capacete de escafandro hoje em dia é uma cúpula de fibra de vidro e plexiglass, não é aquele capacete redondo de cobre com janelinhas gradeadas dos desenhos animados…

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O princípio é simples: o oxigênio é injetado sob pressão no capacete através do tubo que vem da balsa, onde estão os cilindros. O próprio peso do capacete já faz você afundar, e a pressão do ar impede que a água entre, a não ser que você se incline ou caia. É com isso que se deve prestar atenção, e assim, há uma corda debaixo d’água que serve de “corrimão”. Pode-se até meter a mão dentro do capacete para fechar o nariz e engolir, compensando a diferença de pressão – a velha sensação no ouvido de “subir a serra”. Confesso que depois de uns 5 metros, isso já não adiantava mais… Pode-se inclusive ir de óculos de grau, se você os usa. E como a profundidade a que se desce é relativamente pouca, não é necessário roupa completa vedada, usada em escafandros profissionais.

E chega o momento obrigatório de todo turista: “pagar mico”… ;) Não, meu amigo, você pode fugir, mas não pode se esconder para sempre.

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Todas as fotos foram tiradas pelo instrutor da Aquanautas, que depois grava um CD-ROM com suas fotos, juntamente com um banco de imagens da fauna e flora marinha, que utilizei nestes posts (conforme explicado em Piratas do Caribe – 4). Preço: 65.000 pesos. É, isso não está incluído…

E aí? Bem, para quem nunca fez mergulho de cilindro, como eu (ou no momento da viagem, está impedido de fazer), vale muito a pena. É muito divertido, a não ser que você tenha claustrofobia, medo de sufocar, etc. Mas se você já sabe e pode mergulhar de cilindro, dispense. Evidentemente, o mergulho de scuba é muito melhor.

No outro dia… a velha história do city-tour incluído. Não sei, mas acho que eu poderia ficar dormindo e arrumar minhas coisas com calma. Como já falei, o check-out se dá às 13:00, e eu já estava vendo que o tour não iria acabar antes disso, então consegui negociar uma extensão até 13:30. Mas ainda teria que retornar, tomar banho e almoçar. Tudo acontece com um ansioso. Se for um ansioso com pressa e horário marcado, pior ainda.

Bom, o tour sai de uma agência no Hotel Sunrise, depois da marina Toninos, e é feito numa “réplica” de uma chiva – os ônibus típicos da Colômbia e outros países latino-americanos.

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Primeira parada: Casa-Museu, onde se tem uma amostra da rude vida dos primeiros colonizadores ingleses e de sua arquitetura.

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Uma amostra das ferramentas para extração de coco, da esquerda para a direita: facões, medidor de circunferência (se o coco fosse menor que ele, seria destinando ao consumo interno) e escalador de palmeiras. A palha do coco era usada para se escovar os dentes e também como, digamos, papel higiênico. Necessariamente nessa ordem, por favor.

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Aposentos da época. Não, gente, não tinha água corrente, nem TV LCD com 200 canais, nem frigobar, nem ar-condicionado, nem MP3.

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Depois da Casa-Museu, segunda parada: o Museu e a Gruta de Morgan. Henry Morgan, como se sabe, foi um gentilíssimo corsário galês que atormentou o Caribe no século XVII e terminou sua vida como um rico fazendeiro e governador da Jamaica. Dizem que ele tinha 48 mulheres, o que me faz pensar no inferno de todas elas quererem discutir a relação ao mesmo tempo. Talvez por isso ele surtasse e se entregasse a espasmos de crueldade por aí.

Objetos tipicamente piratas, como você veria na Disneyworld.

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Uma “réplica” de um dos navios de Morgan, o Saint Pauli. Tire sua foto segurando o timão e sinta-se o próprio.

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E aqui, a Gruta da Lapinha, na Chapada Diam…, quer dizer, a Gruta Azul, em Bonit… NÃO! Essa é a Gruta de Morgan, onde, segundo a lenda, há uma passagem secreta para uma praia deserta e paradisíaca. Mais uma vez, é a prova da existência da Matrix. O programador criou uma gruta com águas subterrâneas e deu copy-paste por vários lugares do mundo. Já falei sobre isso…

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Aliás, viajando do Caribe para o Nordeste: vocês sabem como foi criado o litoral de Alagoas? O “world-designer” fez um cluster com um pedaço de areia, um coqueiro em cima, um pedaço de mar verdinho, e saiu arrastando com o botão direito do mouse, até preencher tudo. Igual a Sim City.

Terceira parada: nossa já conhecida “La Piscinita”. Você pode combinar com um taxista por 30.000 pesos (pelo menos esse foi o valor do “vale” que eu vi a agência de turismo dar ao taxista que me levou ao Aquanautas, no dia anterior) para ele te levar, esperar você mergulhar, almoçar – há restaurantes ali – e voltar. Aqui se paga os 2.000 pesos para entrar, que, como disse, já estavam incluídos no Aquanautas.

Veja que mesmo com uma foto tirada fora d’água e do alto do penhasco, a profusão da fauna marinha e a beleza das águas é impressionante. Vale muito a pena um bom snorkel lá. Tire uma manhã para isso.

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Aqui, fiz amizade um um casal de equatorianos, sendo que o rapaz conhecia o Rio de Janeiro como a “palma da mão”, segundo suas próprias palavras, pois já estivera no Rio a trabalho. Quando a senhora esposa dele se afastou para tirar fotos, tivemos uma conversa de homens e saquei o que ele quis dizer com conhecer o “Rio como a palma da mão”… ;)   Não reproduzirei o teor desta conversa aqui, pois este é um blog de família. Essas viagens a trabalho são a grande oportunidade para o homem sério. Um dia ainda vou contar sobre uma viagem a trabalho que eu, solteiro, fiz a Belo Horizonte há mais de dez anos atrás, e quando vi que o grupo que me acompanhava era composto de homens casados, ingenuamente achei que não teria ninguém para me acompanhar na farra. LEDO engano. Chega, antes que eu seja definitivamente marcado como um porco chauvinista.

Quarta parada: o Hoyo Soplador. Como diz o nome, a água do mar entra por um túnel subterrâneo…

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… e sai por este orifício no solo junto ao mar, juntamente com uma boa rajada de vento. Infelizmente o Hoyo Soplador não quis soprar neste dia, este buraco escatológico e traidor e que se presta a várias piadinhas de duplo sentido. Mas a indecência está na cabeça de quem lê. :mrgreen:

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E, com pressa para voltar ao hotel – lembrem-se do meu problema particular de fechar a conta até às 13:30, como fora negociado – peguei uma van da agência de turismo, que o guia e o motorista gentilmente arrumaram para mim, e voltei para o hotel. Dei 5.000 pesos de gorjeta. Tomei banho, almocei, passei a régua e fui para o aeroporto, para a inevitável volta ao Brasil.

Enfim, com a saudade já batendo forte enquanto escrevo estas linhas (mais clichê impossível), deixei a Colômbia, maravilhado e agradavelmente surpreendido por uma viagem da qual eu nem esperava tanto. E aí compreendi em sua plenitude o slogan oficial do Órgão de Turismo Colombiano: ” Colômbia, o perigo é você querer ficar“.

Colômbia, I’ll be back.

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Informações úteis:

Documentação – passaporte com validade superior a seis meses da expiração e certificado internacional de vacinação contra a febre amarela.

O que levar – roupas de praia, filtro solar, óculos escuros, boné, snorkel e máscara – se você tiver o seu – e um moleton ou malha se você tem frio no avião (ou mesmo na conexão em Bogotá. Se você também ficar uns dias em Bogotá – altamente recomendável, mas não deu tempo - leve mais roupas de frio), além dos seus remédios de estimação. De qualquer forma, um moleton não custa nada de levar, né?

Moeda – R$ 1,00 = 1.100 pesos colombianos. Na Aerocambios do Aeroporto de Bogotá aceitam reais.

Quando ir – a época que eu fui (maio) é boa. De outubro a dezembro chove mais. A região não está na área dos furacões.

Links úteis -

http://www.colombia.travel/es/

http://www.sanandres.gov.co/turismo/sea_en.php

http://www.lonelyplanet.com/colombia

http://www.turismocartagenadeindias.com

Livros – Colombia, Krzysztof Dydyński – Lonely Planet, 2003

Para entrar no CLIMÃO -

Qualquer livro de Gabriél Garcia Marquez, principalmente “O Amor nos Tempos do Cólera”, tanto o livro quanto o filme de 2007 com Javiér Barden, Giovanna Mezzogiorno, Fernanda Montenegro, Liev Schreiber e John Leguizamo (Direção de Mike Newell);

Trilogia Piratas do Caribe 1, 2 e 3, com Johnny Depp, Geoffrey Rush, Keira Knightley, Orlando Bloom, Bill Nighy, Chow Yun-Fat, Jack Davenport, Jonathan Pryce, Stellan Skarsgard e participação especial de Keith Richards (2003, 2006 e 2007 – Direção de Gore Verbinski);

Os Piratas – pág. 138, volume 1, e Os Corsários – pág. 444, volume 2 / Enciclopédia do Mar – Editora Abril, 1975, 4 volumes (mais uma do fundo do baú!)

Depois continuamos. Ainda não acabou!


Piratas do Caribe – Parte 7

Junho 23, 2009

No outro dia, fui ao passeio à ilha de Johnny Cay, ilha tipicamente caribenha, com coqueiros, areia branquinha e um mar cristalino em volta. Claro que não é uma ilha deserta; mas, leitores, vamos pensar sobre o assunto: a questão da “muvuca” é relativa. Quanto mais gente puder viajar e conhecer o mundo, melhor – “Viajar é fatal para preconceitos, intolerância e estreiteza de visão” - Mark Twain. Desde que o turismo seja sustentável, ou seja, não despeje num lugar mais pessoas do que o ambiente pode comportar (como Noronha, onde há um limite diário de turistas), e os visitantes saibam preservar a fauna e a flora, bastando para isso serem orientados e fiscalizados pelos guias e guardas locais, ótimo. Eu me sentiria egoísta em querer um lugar só, só, só para mim – coisa cada vez mais difícil de achar, nesse “mundo globalizado”. Para isso tenho minha casa. E por falar em casa, quem viaja e reclama que “tal lugar é cheio de gente, um horror”, parece o camarada que mora num prédio indevassável, aí começam a construir outro edifício em frente ao dele, e o sujeito reclama: “PQP, esse prédio vai tirar minha bela vista!!! Isso é um absurdo!”. Amigo, e o seu prédio, também não tirou a vista de alguém?

Conforme disse o Anthony Bourdain no Havaí, sobre um luau “fake” para turistas, com shows típicos, animadores chamando o público para dançar, etc. (e olha que ele é muito mais sarcástico do que eu): “São pessoas que trabalham duro, aposentados, que mal há se eles querem pagar mico uma noite? Eles têm o direito de se divertir”. Eu completo: se os turistas que regressarem de qualquer lugar do mundo tiverem aberto um pouco suas mentes, interagido com outras culturas e guardado ao menos uma pequenina, mas boa e saudosa lembrança do lugar visitado, que bom. Ficarei feliz por isso.

Mas voltando à vaca caribenha, o passeio custa US$ 21,00 e também sai da mesma marina Toninos, já mencionada no post anterior, com uma parada no banco de areia igualmente citado no post anterior – “El Acuario” ou Rose Cay.

Parênteses: ainda não mencionei, mas a língua falada em San Andrés, além do espanhol, é o inglês creolle (devido à primeira colonização inglesa, já citada), um dialeto que mistura tudo e no final todos se entendem. Uma zorra total, o que faz com que você comece uma frase em espanhol e termine em inglês ou vice-versa. Hoje, pensando bem, nem sei como me virei…

No caminho, o encontro das águas caribenho ;)

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Ao chegar em “El Acuario”, há um restaurantezinho onde você pode alugar snorkel e sapatilhas, por 6.000 pesos, fazer um passeio de barco com fundo de vidro para observar os peixes (4.000 pesos) ou simplesmente deitar na areia e não fazer nada até o almoço (já incluído). Também há armário para guardar suas coisas.

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Cabe algumas observações no passeio de barco (meia hora), se você for:

1- Não fique obcecado em fotografar o fundo do mar. Os visores são pequenos e é praticamente impossível focar direito. Curta com seus próprios olhos.

2- O barco é de casco simples, o que é a causa dos visores serem pequenos, na medida em que seu centro é cortado pela quilha. Deveria ser um catamarã, e o fundo de vidro seria amplo e inteiriço, na junção entre os dois cascos. Entre outras qualidades, tenho doutorado em Engenharia Naval pela Revell.

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Viram o que eu quis dizer?

Depois do passeio, fui fazer o que eu mais gosto: snorkel. Há várias mini-barreiras de corais concêntricas, e pode-se passar de uma a outra, sempre tomando cuidado com os ouriços.

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Outro baiacu.

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Peroá-rei, bem camuflado (Aluterus Scriptus).

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Peixe-cofre – não confundir com o baiacu; este tem este nome justamente pelo seu corpo ser meio “cúbico”, devido a uma carapaça interna que lhe serve de defesa.

E tudo ia bem, tudo ia tranquilo, quando de repente deparo-me com uma barracuda. Eu olhei para ela, ela olhou para mim e pintou um clima.

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Barracudas em geral não atacam o homem (porém, preste atenção no item “Barracudas and Humans” do link anterior), mas objetos brilhantes, como a coroa do meu relógio, podem despertar nelas instintos predatórios (Sharks – Andrea and Antonella Ferrari, Firefly Books, 2002). E, com uma boca imensa cheia de dentes afiados e voltados para trás, projetados para arrancar carne, achei melhor sair de fininho, antes que o “clima” se transformasse numa conjunção carnal indesejada. E mais uma vez, vamos pensar juntos, leitores: qualquer animal que empreste seu nome a uma arma de guerra ou coisas que evocam masculinidade e força é potencialmente perigoso. Assim, temos e tivemos mísseis com o nome de “Piranha”, submarinos com o nome de “Stingray”, “Seawolf”, carros-esporte (Plymouth Barracuda), caças com o nome de “F-15 Eagle” e… “Fairey Barracuda“.

Agora, imaginem o vexame que uma potência iria passar diante de sua maior rival se batizasse seu último e moderníssimo submarino nuclear de “Peixinho Dourado”. Não iria pegar bem, correto? Então respeite as barracudas. E lembre-se também que foi este peixe insensível que comeu (no bom sentido) a mamãe do Nemo. Atualização de 03/09/2009 – nome do mais recente submarino nuclear francês: Barracuda

Resolvi ira para o outro lado e dar uma nadada para a ilha de Haines Cay. É um bom exercício, mas você só vai ver algas. E ainda invadi a pousada local  o jardim do restaurante local – Bibi The Rasta / tel. 3138319039, bibisplace@hotmail – numa boa, dando uma volta no gramado e no parquinho para crianças.

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(Foto: www.sanandres.gov.co/turismo/home.php)   Essa é a visão de “El Acuario” / Rose Cay (as duas casinhas no banco de areia atrás das palmeiras), diretamente da ilha de Haines Cay. Claro que eu não nadei de lá até aqui com minha câmera…

Na volta, o almoço: peroá (ou peixe-porco), arroz de coco, salada e o onipresente, fundamental e ubíquo patacón. Gostoso.

E então embarcamos para Johnny Cay.

A ilha é realmente belíssima. Há um bar e um armário para você guardar suas tralhas (1.000 pesos) e fazer, mais uma vez, o que quiser: snorkel (não fiz, pois o mar estava muito revolto para se ver qualquer coisa com tranquilidade), embolar-se na areia, dormir numa barraca, tomar uns coco fresas ou coco locos, pensar em como você poderia aprimorar aquele seu relatório mensal de fechamento que você tem que entregar no trabalho até o dia 10 de cada mês, ou caminhar pela ilha – o que eu fiz.

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Praia tropical sem foto de um coqueiro inclinado para o mar não é praia tropical, já dizia o Ricardo Freire.

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Seres fantásticos? Desconhecidos? Serpentes marinhas fossilizadas? Não, apenas troncos secos.

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E eis uma amostra dos famosos “Sete Tons de Azul do Mar Caribenho”. Podem contar: 1, 2, 3, 4…

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Bom, no meu ritmo de caminhada, dei a volta inteira na ilha em meia hora. Depois guardei minhas coisas e fiquei ao sabor das ondas do mar “johnnycayano“, curtindo aquelas tépidas e transparentes águas, sendo jogado para lá e para cá, igual a um monte de algas.

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E deixei Johnny Cay com saudades, tal e qual um poeta de cabelos desgrenhados e alma melancólica, não sem antes me despedir de uma cachorrinha colombiana ;)    (Depois da gatinha colombiana…)

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Não é uma graça?

Depois continuamos.

PS.: As coisas da vida… Na volta, ao subir de impulso no barco, uma onda o levantou e caí dentro do barco, de costas, batendo com os quadris nos bancos de fibra de vidro (ai… Se fosse madeira, amorteceria mais). Pensei até que tivesse fraturado ou fissurado alguma costela, ou a bacia (toc toc toc). Ainda bem que eu sei cair, graças a dois anos de aikidô e kung-fu, onde cheguei à faixa branca amarrotada (verdade). E também agradeço aos meus pneuzinhos – gordura é proteção. Tem-se que prestar atenção em tudo. Acho que Johnny Cay não queria que eu fosse embora…